A EVOLUÇÃO DA RENAULT

2008 Maio 6

Para o diretor de engenharia da Renault, Pat Symmonds, a sua equipe teve um ganho de 3 décimos com o acréscimo de novos componentes nos testes de Barcelona, uma semana antes do GP da Espanha.

Apesar da evolução e da voadora volta de Alonso na classificação, quase lhe rendendo uma fantástica pole position, é bom manter-se ainda conservador quanto ao desempenho da Renault em Barcelona, principalmente pela pista ser o quintal de todas as equipes e a quantidade de dados a disposição ser enorme.

DE ONDE VEIO A EVOLUÇÃO

1º) ENGINE COVER SEMELHANTE A DA RED BULL (COBERTURA DO MOTOR!)

2º) REDESIGN DA ASA DIANTEIRA

3º) J-DAMPER: Lívio Oricchio, insider de O Estado de São Paulo que tem uma relação muito próxima ao staff técnico da Renault, define sinteticamente da seguinte maneira o J-DAMPER.

“Trata-se da introdução de um terceiro amortecedor que impede, em essência, as suspensões de vibrarem. É chamado amortecedor inercial.”

Grande parte dos 0.3 décimos de segundo que Pat Symmonds quantificou como evolução do R28 pode ser creditado ao novo dispositivo desenvolvido primeiramente pela McLaren no ano passado.

Para se entender a importância do dispositivo para a McLaren é só verificar o importante papel que ele teve na vitória arrasadora da equipe em Monza ano passado.

Ao longo do ano, Ferrari e BMW desenvolveram os seus próprios amortecedores, algo que talvez tenha dado à Ferrari os 3 décimos de diferença para o resto das equipes nessa temporada e tenha trazido definitivamente a BMW para o mesmo nível de competitividade da McLaren.

Ainda não há uma explicação clara para a demora da Renault no desenvolvimento de algo tão crucial para o desempenho das equipes esse ano, mas há indícios de que o episódio de espionagem envolvendo Phil Mckareth, ex engenheiro da McLaren contratado pela Renault, que levou cópias de projetos de Woking, entre eles o J-DAMPER, explique tal atraso.

Como forma de refletir sobre o quanto a Renault pode ter desenvolvido, busquei os seguintes dados:

RITMO DE CORRIDA

- É fácil observar que Lewis estava sob contenção do ritmo de corrida de Alonso e de cara para o vento andou em média 2 décimos mais rápido entre a parada do espanhol na 14ª volta e sua, na 21ª volta.

…………………………………………………………………………………………..

REABASTECIMENTO

Após a classificação, havia a quase certeza de que Alonso estava mais leve mas após a sua parada foi interessante saber que a diferença de peso não era tão gritante assim:

- A estratégia da Renault, que na previsão de abastecimento calculada pela transmissão de TV pararia entre as voltas 49 e 50, era de fazer um stint longo. A estratégia era perfeita ao considerarmos que Alonso voltaria mais pesado e no meio do grid, andando num ritmo muito próximo das equipes médias.

- A estratégia confirmou-se correta e Alonso após a sua parada, voltou em 11º andando em 1:24, exatamente atrás de Barrichello que fazia tempos em média 1:23.9.

…………………………………………………………………………………………..

EVOLUÇÃO EM CLASSIFICAÇÃO COMPARATIVA A BMW

…………………………………………………………………………………………..

Não é comum uma equipe dar dois passos evolutivos dessa magnitude na mesma temporada. O maior abismo técnico que havia entre a Renault e as outras equipes grandes, o J-DAMPER, cumpriu bem o papel de levar a equipe alguns décimos mais próxima de Mclaren e BMW, mas a probabilidade de a equipe ter ido ao limite de sua evolução esse ano é bem grande.

O que eu acredito é que desse ponto em diante, com um carro relativamente competitivo, a Renault começará a pensar já em 2009, quando o campeonato terá severas mudanças nas regras aerodinâmicas e não haveria sentido uma equipe de orçamento tão limitado quanto o da Renault investir esforços e dinheiro em um carro que não será campeão.

A partir daqui talvez vejamos Alonso tendo um carro para brigar na classificação e que ao mínimo faça jus ao seu status de bicampeão.

No comments yet

Leave a Reply

Note: You can use basic XHTML in your comments. Your email address will never be published.

Subscribe to this comment feed via RSS