LEWIS VENCERÁ EM MÔNACO. ELE MERECE

(LEWIS – Feliz em uma pista que já é quase sua casa)
Estando a um dia da classificação e ainda a dois da corrida, é precipitado afirmar quem vencerá em Mônaco. Mais precipitado ainda é afirmar que esse potencial vencedor merecerá tal vitória. Existe assim uma grande chance de tostar a língua, mas ao menos eu corro o risco de dizer “eu avisei”…
No entanto, sustento a afirmação olhando mais atentamente para a última corrida em Mônaco em 2007. Ao fim da corrida era visível que Lewis não estava satisfeito com a decisão da McLaren de trazê-lo mais cedo para a sua primeira parada nos boxes, com a alegação de Ron Deniis de que a equipe precisava garantir uma dobradinha, protegendo-o assim de um possível safety car, que ao fim não veio.
Segundo estimativas, Lewis estava de 4 a 5 voltas mais pesado que Alonso e a decisão de Ron Dennis acabou por garantir a vitória para o Espanhol.
Lewis desde os treinos de quinta era em media 0.3 décimos mais rápido que Alonso, que apenas em uma pista mais emborrachada e carregando menos combustível, podia superar o tempo do inglês. Segundo alguns cálculos, na última fase da classificação, Lewis estava 0.2 décimos de segundo mais pesado que Alonso. E mesmo sendo atrapalhado em sua última volta no Q3 pelo amigão de Alonso, Mark Webber, Lewis conseguiu ficar a apenas 0.179 décimos do espanhol.
Na prova, muito mais leve, Alonso chegou a abrir mais de 8 segundos do inglês, mas a agilidade de Lewis ao negociar o tráfego o pôs em uma situação confortável, a 4 segundos de Alonso, tempo suficiente para tirar a liderança do espanhol na primeira parada. Foi aí que a Mclaren agiu e tirou a chance do inglês de vencer a sua primeira corrida, fazendo-o parar exatamente uma volta depois do espanhol.
Portanto, há uma tarefa inconclusa de Lewis em Mônaco e por tudo o que aconteceu lá no ano passado e pela pista que favorece o seu MP4/23, não é exagero dizer que o inglês merece vencer nas ruas de Monte Carlo.
RETROSPECTO E PERSPECTIVA
Excluindo-se o seu segundo lugar no ano passado, é preciso deixarr que Lewis tem um retrospecto espetacular em Mônaco. Na Formula 3 venceu as duas etapas da temporada de 2005 e em 2006, correndo pela GP2, sua vitória foi absolutamente dominante.
Há ainda o fato de que Lewis é dos poucos que se declararam apaixonados pela pista:
“Eu simplesmente amo Mônaco e adoro cada momento que estou em pista. Sinto que o carro está ótimo desde o primeiro momento e fui capaz de mostrar ser veloz desde o primeiro momento.”
O ex-piloto francês, Jacques Laffite, que hoje comenta para a tv TF1 francesa fez uma interessante declaração a respeito da maneira como Lewis pilota em Mônaco:
“A maneira como Lewis pilota aqui me lembra muito Ayrton Senna.”
AS AMEAÇAS
FERRARI: Para facilitar o trabalho do inglês a Ferrari parece não ter se adaptado muito bem aos pneus super macios que a Bridgestone levou para Mônaco. Kimi foi mais de meio segundo mais lento que Lewis no segundo e mais rápido treino de quinta-feira e a pista não parece ser das mais preferidas de Felipe Massa:
“Tenho que admitir que esta não é de minhas pistas favoritas. Em termos de prazer em pilotar prefiro pistas mais rápidas e fluidas de lugares como Turquia, Bahrein e Barcelona, por exemplo.
BMW: Nas duas vezes em que largou na primeira fila Robert Kubitza precisou ser extremamente agressivo em sua volta de classificação, chegando a errar em suas flying laps. O problema é que em Mônaco não há margem para erros e Kubitza deverá ser conservador em sua volta, extraindo do seu carro apenas o que ele pode oferecer. Em Mônaco “jeito” e fluidez são mais importantes que agressividade.
ALONSO: A Renault de Alonso tem um problema crônico de tração. Em Istambul a equipe sacrificou um pouco de velocidade em busca de tração traseira e foi possível verificar que a evolução vista em Barcelona foi apenas jogo para a torcida. Há uma enorme curiosidade no papel que Alonso poderá protagonizar na sessão de classificação amanhã. O que se sabe, da boca do próprio Alonso, é que ele não se arriscará em uma estratégia tão arriscada quanto a de Barcelona, parando mais cedo. Quem larga mais leve e pára nos boxes mais cedo em Mônaco é penalizado ao voltar no meio de um tráfego pesado e Alonso sabe muito bem disso.
A CHUVA: Sim, a chuva pode ser o pior inimigo no caminho para a vitória de Lewis. Há mais de 90% de chances de que haja chuva durante a classificação e a corrida no domingo. A chuva elevará então a margem de erro nas ruas de Monte Carlo para quase zero e nem mesmo o pole position estará seguro. Erre ou mesmo pegue ou simplesmente aquaplane em um trecho aparentemente seguro e sua corrida acabarão no guard rail.
A favor do inglês a sua impressionante atuação no inferno molhado de Fuji em 2007. Uma outra vantagem da McLaren e de Lewis é que o J-DAMPER, sistema que inibe a trepidação na suspensão e que ajuda também na tração, parecer ser o mais avançado dentre todas as equipes.
Parabéns pelo texto!