OBRIGADO, DAVID
(COULTHARD – No meio de mais duas gerações)
O anúncio feito hoje pelo próprio Coulthard, de que se aposentará ao final do ano, me dá a certeza de que esse escocês deixará saudade. Não por que Coulthard tenha talento suficiente como piloto e deixaria como herança aulas de pilotagem memoráveis ou mesmo títulos. Obviamente não será por isso.
A verdade é que a bravura de David Coulthard está explicita mais na maneira como ele encara o mundo da Formula 1 em si, falando sobre tudo e todos com suficiente coragem e sinceridade, do que no que ele pôde produzir de fato dentro de um carro em todos esses anos.
David escudou Mika Hakkinen em seus dois títulos na McLaren, venceu treze corridas, foi o maior marcador de pontos entre os pilotos britânicos ao longo de uma extensa carreira e encarou Michael Schumacher de frente em muitas corridas.
Nos últimos anos, pilotando para a RED BULL demonstrou enorme profissionalismo e uma grande capacidade de motivação, mesmo com 37 anos.
Coulthard é hoje entre os pilotos uma espécie de ponte viva entre uma das mais brilhantes gerações da Formula 1 de todos os tempos, que teve Senna, Mansell e Prost, e a mais nova geração de talentosos pilotos, como Lewis Hamilton, Nico Rosberg e Robert Kubitza.
Das treze vitórias de Coulthard poucas são memoráveis ou históricas, mas a imagem que ficará imprensa em nossa mente será de sua salutar rebeldia diante de qualquer ícone da Formula 1, mesmo Michael Schumacher.
Só pelo seu desrespeitoso dedo do meio em riste mostrado para Schumacher em um certo domingo em Magny Cours, eu posso dizer que a carreira desse escocês valeu à pena.
Obrigado, David.