Um memorial dedicado aos que se foram em nome do automobilismo

2009 Julho 20

FOTO: henrysurtees.com John & Henry Silverstone light(O velho John e jovem Henry: John sobreviveu a era mais perigosa do automobilismo para ver o seu garoto ir embora ontem)

A morte ontem do muito jovem Henry Surtees deixou em choque a comunidade de fãs de automobilismo ao redor do mundo. Ao recobrar-se do choque percebe-se um componente de trágica ironia na morte de Henry: ele é filho de John Surtees, um multi-talentoso piloto que venceu e, sobretudo, sobreviveu a uma das mais perigosas eras do esporte a motor — com o agravante de ter competido e vencido tanto no motociclismo quanto no automobilismo na década de 60.

O velho John sobreviveu a essa época para ver o seu garoto morrer quando o automobilismo nunca foi tão seguro.

Mas a morte de Henry na verdade marcou ontem como um dia especialmente trágico para o mundo do automobilismo. Nesse frio domingo paulistano morreram junto com Henry mais dois personagens ligados às corridas: o ex-piloto colombiano Ricardo Londono Bridge, que foi assassinado na Colombia e o co-piloto de Ralis Flavio Gugelmini, que pereceu em um acidente no Rali da Bulgária.

Logo mais, esses homens terão os seus nomes inscritos no Motorsport Memorial, um site dedicado a honrar a memória, as histórias, rever as carreiras e celebrar as vitórias de todos aqueles que pagaram um alto preço em nome do automobilismo.

O site registra todas as mortes relacionadas ao automobilismo acontecidas desde 1897. O primeiro registro é de 14 de abril de 1897, com a morte aos 54 anos do piloto francês Émile Levassor. Émile é reconhecido como um dos primeiros pilotos a vencer um Grande Prêmio em 1895, na pré-história do que seria meio século depois o que hoje conhecemos como Formula 1.

Uma breve jornada pelo site resgata nomes esquecidos, como o de Raphael Lima Pereira, um jovem fotógrafo brasileiro que morreu em uma prova de Stock Car em 2003.

É possível viajar pelos anos e descobrir, por exemplo, que em 1994 morreram 55 pessoas relacionadas ao automobilismo. Entre elas o grande Ayrton Senna —  mas também o pequeno e anônimo Sullivan Malempré, um menino belga de cinco anos que era telespectador no Rali da Bélgica.

A existência do site, com o registro dessa multidão de vítimas, é uma dolorosa lembrança de como o automobilismo é um esporte extremo, trágico e, às vezes, a despeito de nossa paixão, intensamente irracional.

6 Respostas leave one →
  1. 2009 Julho 20
    fernando-ric permalink

    Isso é bem desanimador. Afinal, não é possível que em 2009 ninguém pensou ainda numa forma de proteger a parte aberta do cockpit.

  2. 2009 Julho 20
    Ernesto Sousa permalink

    Horrível e estúpido acidente. A roda nunca se deveria ter solto.
    Faz lembrar um acidente de há muitos anos em que depois de uma intervenção intempestiva, um comissário, após ter sido mortalmente colhido por um carro, largou o extintor que levava na mão e que foi projectado no ar e matou um piloto. Grande azar.

  3. 2009 Julho 20

    Foi Tom Pryce, Ernesto.

  4. 2009 Julho 20
    Fernando Kesnault permalink

    São os momentos tristes desta grande paixão de milhões…

  5. 2009 Julho 21

    O nome do Ricardo Londoño Bridge jamais será incluído no Motorsport Memorial, uma vez que o site é dedicado apenas às vítimas de acidentes ocorridos durante as corridas ou treinos.

  6. 2009 Agosto 6
    Regina Lima permalink

    Para o mundo o acidente ocorrido com o Raphael Lima Pereirá, pode ter caído no esquecimento, mas para a familia e amigos e eu que sou tia, ele jamais será esquecido, lembro dele todos os dias e sinto muita falta dele. No próximo dia 07 de setembro fará 6 (seis) anos que ele nos deixou. Saudades sempre……..

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