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A F1 PRECISAVA DE UM ROGER FEDERER

Federer continua avançando no Australian Open. Hoje pela manhã mandou o americano James Blake de volta para casa. Gosto de Blake. Ele tem aquele gestual  e “molejo” elegante dos jogadores de basquete que combina muito com o Tênis. Consegue a proeza de ser ao mesmo tempo muito técnico e atlético. O problema é que para bater Federer é preciso um pouco mais que a combinação entre técnica e potência física. É preciso um grau enorme de tenacidade.

O jogo foi até equilibrado nos dois primeiros sets, 7-5, 7-6, mas como sempre Federer deixa a impressão de que o seu jogo ainda não foi ao limite, e já no começo do set impôs-se fechando-o fácil num tradicional 6-4.

Ao final do jogo, Paulo Cleto, que comenta para a ESPN, exortou Federer e fez a seguinte observação:

“Poucos merecem o título de ‘Grande campeão’ como Federer. E é uma grande sorte o Tênis ter alguém com o seu caráter e qualidades humanas.”

Foi exatamente nesse ponto que me peguei fazendo mais uma vez uma relação entre Tênis e Formula 1.

Há muito tempo a Formula 1 não tem um campeão que personifique grandeza de caráter e qualidades morais. O último talvez tenha sido Nick Lauda, há mais de vinte anos. Sua volta ao automobilismo, logo depois do acidente que queimou grande parte de seu corpo, transformou sua aura de simples e mortal piloto em grande e nobre herói. Hoje, junto com Jackie Stewart, Lauda é uma das consciências críticas da Formula 1.

Desde então, os pilotos dotados de grande talento que surgiram na Formula 1 não foram lá exemplos de grande caráter e quando a briga interna na Mclaren eclodiu em 2007, havia uma estranha sensação de que o cinismo havia definitivamente vencido. Nos espaços de debates do esporte, era comum a manifestação de que não se chega a lugar nenhum na Formula 1 pedido licença polidamente ou sendo simplesmente honesto e talentoso. Na percepção de alguns as duas qualidades parecem não caminhar juntas.

É preciso moldar, não importa como, o seu banco entre os bem estabelecidos da categoria. Lewis, tão jovem, aprendeu com Alonso a lição devidamente.

Talvez aja um certo charme em afirmar que a Formula 1 não é um “esporte” em que qualidades morais sejam valorizadas como atributos que formem a base do verdadeiro sucesso. É a vitória suprema do chauvinismo e a permissão certificada para dizer que e o automobilismo é, em geral, coisa de macho. Dentro dessa visão, o esporte personificaria análoga e metaforicamente a luta bestial e Darwiniana da natureza, onde o mais forte sempre vence e a qualquer preço.

Mas a questão que permanece é: se o Tênis tem um campeão com as qualidades morais de Roger Federer, por que a Formula 1 também não poderia dispor de alguém com as mesmas qualidades? Afinal, o Tênis prova que não é impossível cultuar tais qualidades e o argumento de que valores morais não vencem corridas nem campeonatos pode simplesmente degenerar o valor da própria disputa e do esporte em si mesmos.

Foi exatamente uma crise moral grave com seus ídolos, com um sem número de acusações de doping e irregularidades esportivas que levou a maior prova do ciclismo, a Volta da França, e por tabela o seu maior ídolo, Lance Armstrong, à vergonha e constantes suspeitas.

Nesse momento a Formula 1 precisa urgente de um ídolo à La Roger Federer, um grande campeão que ao lado de uma nova maneira de gerir e administrar a categoria, a levará novamente a uma era de ouro após uma quase auto implosão.

BARCELONA 10. 03.2009 – STINTS

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A história da Formula 1 – 1ª Parte – 1900/1950

Introdução

Existe melhor maneira de fomentar o amor a Formula 1 do que contando um pouquinho de sua história para os novos aficionados? Não, não existe.

Os textos que aqui contam essa história são breves e resumidos e não pretendem mergulhar com profundidade de detalhes na longa e rica história da categoria, mas sim servir como um guia para que o próprio leitor vá descobrindo por si mesmo, no futuro, o quão rico é o esporte em fatos e acontecimentos.

No futuro, talvez com mais tempo a disposição, eu mergulhe em fatos com mais detalhes.

As fontes primárias usadas foram os textos escritos por Christine Blachford, editora do Sidepodcast, e que fazem parte de uma mini série que aborda a história da Formula 1. A cada semana teremos novo capítulo que cobrirá uma década e assim se seguirá até o ano 2000.

Para iniciar, uma breve passagem pelo automobilismo primitivo pré-1950 — ao automobilismo que viu surgir o lendário Tazio Nuvolari e também novas tecnologias desenvolvidas pela Alemanha de Adolf Hitler.

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A história da Formula 1 – 1ª Parte – 1900/1950

tazioTAZIO NUVOLARI: a primeira grande estrela da história do automobislimo

A Formula 1 moderna e toda a sua história escrita nos livros dos recordes como conhecemos inicia-se em 1950, mas a sua verdadeira essência pode ser traçada desde o fim do século XIX e início do século XX na Europa.

Naquela época as competições envolviam carros pesados, os pilotos eram acompanhados por mecânicos por conta do alto índice de quebras e sa pistas eram simples estradas que singravam o interior da França.

Diante dessas condições, a primeira corrida propriamente dita ocorreu em um trajeto entre Paris e Bordeaux (e a prova chamou-se, adivinhem, Paris-Bordeaux!) que completou a distância de 1200 km. O vencedor levou 48 horas para cobrir tal distância e as maiores velocidades chegaram a “impressionantes” 29.9 milhas por hora.

Em 1901 tivemos a primeira corrida com o nome “Grande Prêmio” em seu título: o Grande Prêmio da França, ocorrido em Le Mans e que cobriu a distância de 700 milhas com picos de velocidades que chegaram a 63 milhas por hora.

Durante a Primeira Guerra Mundial — que envolveu a maioria dos países nos quais o automobilismo estava nascendo — as corridas foram suspensas e muitos dos pilotos dirigiram-se para os Estados Unidos para competir na Indy 500. Logo depois da primeira grande guerra, os Grandes Prêmios começaram a se realizados em Le Mans e Lyon, estabelecendo assim a França como o principal hospedeiro do esporte a motor.

As corridas então espalharam-se pela Europa, com o principado de Mônaco e também a Bélgica hospedando os seus próprios Grandes Prêmios. Àquela época, já havia algumas forças dominantes no esporte, Ferrari Mercedes Benz e Bugatti, que estavam muito a frente de seus competidores em termos tecnológicos.

Pouco antes da Segunda Guerra Mundial o interesse geral em automobilismo decaiu como nunca, muito de acordo com a situação econômica mundial que passava pela grande depressão e também pela restrição imposta pela geografia da guerra naquele momento.

Mesmo com a guerra dificultando a evolução do automobilismo, ainda assim, Adolf Hitler, o principal agente motivador do conflito, foi um dos principais instigadores ao desenvolvimento da tecnologia que acabou sendo utilizada nas corridas, com ambas as grandes marcas alemãs, Audi e Mercedes, sendo beneficiadas por incentivos do governo alemão na época.

Com tais incentivos, os alemães desenvolveram e introduziram novas tecnologias no mundo das corridas, como a pesquisa em aerodinâmica e a mistura de combustíveis. Tais esforços transformaram os alemães na nova força dominante do primitivo automobilismo na época, tirando o poder das mãos de italianos e franceses.

Nesses anos, a grande estrela das corridas era o piloto italiano Tazio Nuvolari, que iniciou sua carreira em motos e era capaz de vencer em qualquer carro que pilotasse. O lendário italiano venceu a primeira corrida que tinha a classificação em seu formato — o Grande Prêmio do Mônaco em 1933 — mas a sua grande conquista foi o Grande Prêmio da Alemanha realizado em Nurburgring em 1935, vencido a bordo de um defasado Alfa Romeo contra os mais avançados carros de competição da época.

Tazio Nuvolari pode ser considerado, então, a primeira grande estrela do automobilismo dentro da tradição como o conhecemos hoje.

(FONTES: Sidepodcast e Wikipedia)

A história da Formula 1 – 2ª Parte – 1950/1960

IMAGEM: Cahier Archive fangio(JUAN MANUEL FANGIO: a força dominante na década de 50)

A história da Formula 1 – De 1950 a 1960

Logo após a Segunda Guerra Mundial, a FIA iniciou o campeonato mundial de automobilismo como conhecemos hoje. O campeonato foi nomeado “Formula A” e seria mudado para “Formula 1” logo depois. A palavra “Formula”, contida em seu nome, faz referência ao corpo de regras que um carro produzido por uma equipe precisa seguir para poder competir no campeonato.

A distância mínima foi alterada inicialmente de 500Km para 300km, o que significava ter mais circuitos à disposição para os Grades Prêmios. A primeira corrida desse recém fundado campeonato foi realizada na Inglaterra no circuito de Silverstone e  a prova foi vencida pelo italiano Giusepe Farina pilotando uma Alfa Romeo 158. Para conquistar o primeiro campeonato oficial na história da Formula 1 sobre Juan Manuel Fangio, Farina ainda venceu os Grandes Prêmios da Bélgica, Itália e Suíça.

O estilo de pilotagem na época era visivelmente desajeitado e os pilotos pareciam curvadamente inconfortáveis em seus cockpits, o que dificultava o controle do carro. O novo campeão Farina desenvolveu um novo estilo de pilotagem, com os braços firmes e estendidos ao segurar o volante, o que acabava oferecendo mais base de apoio e relaxamento durante a pilotagem. O estilo fez sucesso e acabou sendo adotado por quase todos os pilotos.

Após a vitória de Giusepe Farina no primeiro ano da Formula 1, Juan Manuel Fangio tornou-se a força dominante na década, vencendo cincos título por cinco equipes diferentes, feito jamais alcançado por nenhum piloto na história.

Uma das mudanças de equipes de Fangio veio exatamente depois de um dos mais trágicos acidentes em toda a história do automobilismo, que vitimou 80 pessoas em uma prova de 24 horas em Le Mans. Fangio pilotava um dos carros da Mercedes Benz que após o retirou-se das competições na Formula 1.

Ainda existem controvérsias se a Mercedes abandonou as competições por não ter competidores à altura ou se o motivo principal foi realmente o acidente de 1955, mas os afastamento da equipes da Formula 1 durou até a década de 90.

Um dos grandes rivais de Fangio na época foi o lendário inglês, Stirling Moss. Moss é considerado um dos maiores pilotos da história da Formula 1, apesar da ironia de jamais ter vencido um campeonato.

Em 1958 Moss foi parado por outro inglês, Mike Hawthorn. Hawhorn pilotava uma Ferrari e derrotou Moss que o combatia em um dos carros mais belos da Formula 1, o lendário Vanwall. Conflitos internos dentro da equipe italiana foram o suficiente para provocar o afastamento definitivo de Hawthorn da Formula 1, que veio a morrer tragicamente logo depois de sua aposentadoria em um acidente automobilístico, mas longe das competições.

O Reino Unido começou então a ser reconhecido como o lar do automobilismo no início da categoria, apesar de suas origens fora da ilha Britânica. Cada vez mais pilotos britânicos juntavam-se à categoria e cada vez mais engenheiros britânicos os auxilliavam. Como conseqüência do sucesso britânico, o início da década de 60 viu o verde escuro de suas equipes ser adotado como a cor oficial da Formula 1.

(FONTES: Sidepodcast e Wikipedia)

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