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BATALHAS INTERNAS

Na pré-temporada eu tinha algumas certezas sobre o confronto entre os pilotos dentro da mesma equipe e é interessante saber, após 20% da temporada ter andado, o que vai se cristalizando e o que era o mais completo engodo de minha parte.

Bourdais parece superar qualquer expectativa e vai fazendo o valor de Sebastien Vettel decair na bolsa do paddock a cada corrida. Robert Kubica simplesmente vem triturando a Nick Heidfeld em classificação e também em corrida, inclusive com uma pole.

O velho Trulli vai dando uma lição no novato Timo Glock e Piquet a cada corrida parece nada aprender com o “Professor Alonso”. O cachorro morto Fisichella mostra em clasificação e corrida a Adrian Sutil que ainda está motivado.

Lewis, apesar da desastrosa corrida no Bahrein, parece mais consistente e produtivo a bordo do Mp4/23 do que Heikki e a batalha na Ferrari é de todas a mais emocionante e até agora imprevisível.

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FERRARI

Classificação: Kimi Raikkonen 1 x 3 Felipe Massa

Corrida: Kimi Raikkonen 2 x 1 Felipe Massa

Voltas completadas: Kimi Raikkonen 232 x 182 Felipe Massa

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BMW

Classificação: Nick Heidfeld 0 x 4 Robert Kubica

Corrida: Nick Heidfeld 1 x 3 Robert Kubica

Voltas completadas: Nick Heidfeld 237 x 226 Robert Kubica

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McLAREN

Classificação: Lewis Hamilton 3 x 1 Heikki Kovalainen

Corrida: Lewis Hamilton 2 x 2 Heikki Kovalainen

Voltas completadas: Lewis Hamilton 236 x 192 Heikki Kovalainen

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WILLIAMS

Classificação: Nico Rosberg 3 x 1 Kazuki Nakajima

Corrida: Nico Rosberg 3 x 1 Kazuki Nakajima

Voltas completadas: Nico Rosberg 211 x 233 Kazuki Nakajima

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TOYOTA

Classificação: Jarno Trulli 4 x 0 Timo Glock

Corrida: Jarno Trulli 3 x 0 Timo Glock

Voltas completadas: Jarno Trulli 198 x 166 Timo Glock

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RED BULL

Classificação: David Coulthard 1 x 3 Mark Webber

Corrida: David Coulthard 0 x 3 Mark Webber

Voltas completadas: David Coulthard 202 x 179 Mark Webber

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RENAULT

Classificação: Fernando Alonso 4 x 0 Nelson Piquet Jnr

Corrida: Fernando Alonso 3 x 0 Nelson Piquet Jnr

Voltas completadas: Fernando Alonso 205 x 132 Nelson Piquet Jnr

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HONDA

Classificação: Jenson Button 2 x 2 Rubens Barrichello

Corrida: Jenson Button 2 x 2 Rubens Barrichello

Voltas completadas: Jenson Button 141 x 204 Rubens Barrichello

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TORO ROSSO

Classificação: Sebastian Vettel 2 x 2 Sebastien Bourdais

Corrida: Sebastian Vettel 0 x 2 Sebastien Bourdais

Voltas completadas: Sebastian Vettel 39 x 118 Sebastien Bourdais

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FORCE INDIA

Classificação: Giancarlo Fisichella 4 x 0 Adrian Sutil

Corrida: Giancarlo Fisichella 3 x 0 Adrian Sutil

Voltas completadas: Giancarlo Fisichella 176 x 68 Adrian Sutil

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SUPER AGURI

Classificação: Takuma Sato 2 x 2 Anthony Davidson

Corrida: Takuma Sato 1 x 2 Anthony Davidson

Voltas completadas: Takuma Sato 207 x 119 Anthony Davidson

O TRAILER É MELHOR QUE O FILME

Como a grande maioria dos sites especializados de Formula 1 já fizeram o resumo da corrida de domingo não há muito a acrescentar, a não ser que a corrida foi extremamente monóton, quebrada talvez pela expectativa de que Alonso poderia complicar a vida das Ferraris (algo que Felipe Massa fez questão de dissuadir na primeira curva) e pela ultrapassagem de Lewis sobre Kubitza na largada.

Duas ultrapassagens (a de Lewis e a Nick Heidfeld sobre Giancarlo Fisichela) é muito pouco para aplacar a fome de emoção e ultrapassagens desse pobre diabo saudoso da era Senna e entediado com toda a era Schumacher e um pouco aliviado com o inicio da era Lewis/Nico/Kubitza…

Sim, a corrida foi chata e entediante, mas se você a perdeu e resolveu acessar o site da FIA para ver o vídeo resumo da prova, você fatalmente terá a impressão de que perdeu uma das corridas mais emocionantes de sua vida.

O vídeo é uma obra prima de edição levada pelo ritmo de sua trilha sonora (ainda estou pesquisando para saber de quem é a música!) que dramatiza e potencializa a tensão dos pingados momentos de emoção da corrida, como a escapada de Alonso na volta de aquecimento de pneus, a ultrapassagem de Lewis sobre Kubitza na largada, o acidente de Heikki, o posterior abandono de Fernando e seu consolo com La aficción e a bandeirada final dada a Kimi.

Comentando certa vez sobre um vídeo postado no excelente BLOGF-1 do competente Felipe Maciel, tive a ousadia de dizer que não gostava de vídeos de Formula com trilha sonora: “para mim o ronco dos motores é a verdadeira trilha sonora da Formula 1”.

Mutatis mutandis, aqui estou eu para admitir como eu estava absolutamente errado. Só um gênio da edição para transformar todos esses parcos elementos da procissão de domingo em uma corrida tão emocionante quanto as da mítica era Senna/Prost.

A FERRARI APÓIA MAX MOSLEY

(Max e Todt, juntinhos)

Em conjunto, os principais artífices da era de ouro da Ferrari, Michael Schumacher, Jean Todt e Luca de Montezemolo, fizeram declarações que deixam claro o apoio da equipe a Max Mosley.

Sob o ponto de vista do esporte, é terrível que a equipe com mais prestigio e glorias da Formula 1 se posicione contra o desejo geral de saída de Max Mosley.

É um posicionamento contra não apenas às outras equipes e que defenda os seus interesses, mas principalmente contra toda a opinião do público que dá suporte ao esporte, inclusive àquele que torce pela própria Ferrari.

É mais um tiro no pé da Formula 1 dado pela Ferrari, do mesmo calibre ou até pior que aquele que a mesma Ferrari já deu naquele fiasco de 2005 nos Estados Unidos por conta dos pneus defeituosos da Michelin. Foi Mosley junto com Jean Todt que bateram o pé contra a solução da chicane proposta pelas outras equipes.

Entre a lista que eu vi das equipes que reuniram-se no domingo e não desejam se manifestar está “estranhamente” a Williams que ao que parece acha que é melhor ter o Max no poder do que Jean Todt, a solução que vem sendo costurada por Mosley, algo configuraria de vez a Ferrari no poder da entidade que regulamenta o esporte.

Exercício de imaginação: Jean Todt no poder

O que eu vou escrever é puro nonsense, mas pode ser algo útil para se refletir e se chegar à conclusão de que jamais qualquer decisão de Jean Todt poderá ser encarada como não tendenciosa ou pró Ferrari:

Na semana passada, nos testes de Barcelona, Michael Schumacher testou algumas das novas regulamentações para 2009, inclusive a que trata do banimento dos cobertores que aquecem os pneus. Ao fim dos testes Schumacher chegou à conclusão de que era extremamente perigoso ter carros saindo dos boxes com os pneus frios devido a diferença de velocidade e dirigibilidade de um carro com pneus aquecidos e outro com pneus frios em uma freada em final de reta.

Eu sou ingênuo a ponto de acreditar que Schumacher está simplesmente pondo a serviço dos seus amigos e companheiros de profissão, os pilotos e a Formula 1 em geral, seu prestígio de heptacampeão e a sua vasta experiência como piloto de testes ao prever uma vida mais difícil para todos.

Mas eu, pobre mortal, sou ingênuo, mas os sujeitos que estão lá no pitwaal não. Eles são raposas tão espertas quanto Jean Todt. Eles sabem a ligação íntima que existe entre a Ferrari e a Bridgestone, eles sabem que a Ferrari usa o tal do gás especial e eles sabem também que pode haver uma relação estreita e química entre os aquecedores e o gás especial que a Ferrari usa dentro dos seus pneus.

Alguém ainda acha que se Jean Todt, como novo presidente da FIA, atender ao “sábio” conselho de Schumacher e não banir o aquecimento dos pneus por cobertores, o resto da Formula 1 não olhará com desconfiança para tal atitude?

Eu, sinceramente, acho que a imposição de Jean Todt nesse acordo que Max costura, é a chance de ele, Mosley, mostrar como é possível, ainda que moribundo, ser truculento no seu último suspiro.

LEWIS: SÓ ELE É CAPAZ DE EXTRAIR O MELHOR DA McLAREN

(Lewis ultrapassando Kubica na largada)

Depois de dois turbulentos GPs, Hamilton voltou à velha forma de maneira consistente. Seu sorriso no pódio dá a medida exata de como a ótima corrida em Barcelona lhe deu um pouco de ar fresco para respirar até a Turquia.

Mesmo que os dois períodos de safety car tenham mascarado por alguns segundos a superioridade das Ferraris, a margem de diferença entre os prateados e os vermelhos foi menor do que se esperava em Barcelona, principalmente no último período da corrida.

O fato que ficou óbvio (como já havia sido sugerido aqui no F1around) é que Hamilton é o homem McLaren no campeonato. Ele completou o pódio a apenas 4.1s atrás de Kimi e a apenas 1s de Felipe. No último stint pressionou e diminuiu a diferença de Felipe que teve que “andar” para manter o inglês a uma distância segura (apesar de um não considerar 1s uma distância muito segura e um erro mínimo poderia ser o suficiente para perder a segunda posição)

Havia a sensação geral de que a McLaren poderia estar alguns décimos atrás das BMWs. Eu, particularmente, acho que a diferença básica é qual piloto oferece inputs mais competitivos ao carro prateado.

Se fizermos um breve histórico, vamos observar que:

– Na Austrália Lewis fez a pole e Kubica simplesmente não acompanhou o ritmo que ele impôs durante todo o primeiro stint da corrida, mesmo o Robert estando alguns quilos de combustível mais leve.

– Em Sepang, a quantidade de infortúnios vividas por Lews (desequilíbrio+penalty sofrido por atrapalhar Heildfeld e Alonso+o péssimo trabalho da equipe em sua parada nos boxes) o pôs fora da briga com as BMWs. Restou a Heikki e a missão de combater a BMW de Robert e ele acabou não acompanhando o ritmo do polonês, chegando 11s depois da bandeirada final.

– No Bahrein, com a seqüência de erros de Hamilton sobrou novamente para Heikki liderar a equipe na corrida e o que vimos foi a incapacidade do finlandês de acompanhar novamente o ritmo de Nick e Robert, chegando 18s depois.

– Já em Barcelona com Lewis fazendo uma corrida limpa e sem erros foi fácil observar como ele trouxe a McLaren de volta a competitividade perdida nas duas últimas corridas.

É óbvio que é apenas a quarta corrida de Heikki na McLaren e pelos resultados ele demonstra potencial para vencer e desempenhar melhor que Hamilton em algum momento do campeonato, por isso tem que se descontar esse GAP de desempenho entre os dois pilotos, mas até o seu acidente na volta 22, ficou claro que ele ainda não consegue extrair o máximo da equipe com faz o inglês.

ALONSO: EMOÇÃO À TODA PROVA

A segunda posição no grid de Alonso foi para alguns uma ótima peça de teatro, considerando-se que ele está nitidamente com menos combustível que o resto dos ponteiros, mas para outros, principalmente para La afición española, foi motivo o bastante para ir ao delírio.

Kimi estabeleceu a posição perfeita para vencer a corrida, relegando Felipe Massa, o seu mais direto adversário no campeonato, à terceira posição, e tendo o pirotécnico Alonso entre os dois.

Fazer previsões é pedir para sair com a língua queimada, então façamos um pedido aos Deuses do automobilismo pelo seguinte cenário amanhã de manhã:

Alonso, que segundo algumas estimativas parará 5 voltas antes de Nelson Jr, saindo da primeira fila poderia ser extremamente agressivo na largada, indo diretamente para cima de Kimi. Kimi, obviamente, luta por todo o campeonato e a última coisa que deseja é se enrascar com Alonso na primeira curva de Montmeló.

A tendência é que sob a pressão de uma primeira curva agressiva de Alonso Kimi tire o pé e dê espaço para o espanhol passar. Daí em diante o seguiria através de todo o primeiro stint a fim de, na primeira troca e reabastecimento de Alonso, descontar alguns décimos e voltar na tranqüila e folgada liderança da corrida após todos pararem.

Agora imaginem o que seria uma corrida com Alonso a bordo de uma Renault 3 ou 4 décimos mais lenta que as Ferraris em ritmo de corrida. Teríamos um interessante trenzinho durante umas quinze voltas com Alonso segurando o ritmo de todos já que mesmo com uma chicane nova antes da grande reta, ultrapassar em Montmeló com carros de Formula 1 ainda é quase impossível.

Por isso nunca fomos tão dependente de Alonso para termos emoções na Formula 1.

PRIMEIROS MOVIMENTOS EM BARCELONA

A PISTA

Os testes de sexta feira quase sempre são inconclusivos. Há uma aclimatação natural dos carros à pista, mesmo que seja a já manjada pista de Barcelona. Ventos, temperatura ambiente, temperatura da pista, emborrachamento do asfalto, humildade, tudo isso somado, tem-se sempre a sensação de que a realidade competitiva das equipes só será revelada mesmo no qualifying de sábado, que mesmo assim tem lá as suas variáveis também.

Algumas equipes reclamaram de falta de tração e algo que explica-se pelo mistura de borracha na pista. Entre os testes da semana passada e as primeiras sessões livres de hoje houve uma corrida de carros esporte que andaram algo em torno de 1000 kms nessa corrida. A mistura das borrachas pode então ter afetado a tração mecânica dos carros.

FERRARI

Óbvio que o domínio das Ferraris nessa sexta é sintomático de que a equipe caminha para o famoso “one two”, ou a dobradinha no domingo, assim como ocorreu no Bahrein. Kimi dominou os dois treinos livres, mas com Felipe ali em seus calcanhares a 0,050 décimos de segundo na primeira sessão e na segunda pegando tráfego pela frente. O prognóstico é de uma duríssima batalha entre os dois na sessão classificatória de amanhã.

A incontestável vitória de Felipe no Bahrein deve ter deixado Kimi um pouco mais sensível à capacidade que tem o brasileiro de ser rápido nos treinos.

RENAULT

A surpresa, como não haveria de ser outra, foi a Renault andar na frente uma boa parte do segundo treino livre, apesar de a Ferrari em seu press report informar que estava com os carros bem pesados, Montmeló veio abaixo com a liderança mesmo que provisória de Alonso durante a segunda sessão. Desconfio que o espanhol e a equipe francesa jogaram para a torcida.

Nelsinho, ao que parece, vai pouco a pouco se aclimatando ao carro e aos finais de semana de muita pressão e pela primeira vez pôs tempo em Alonso.

Apesar de Alonso afirmar que o novo pacote de mudanças do carro, incluindo aí o tal J-DAMPER, ter trazido algo em torno de três décimos para a equipe, ainda não é claro se a Renault deu um passo adiante realmente. Apenas amanhã saberemos de verdade como estará a Renault.

McLAREN

Lewis reclamou do equilíbrio do carro e Heikki teve o câmbio substituído. A McLaren parece estar em uma acentuada curva descendente de performance, incluído aí os seus pilotos. Heikki, como ficou claro no Bahrein, não é o homem da McLaren que traz o extra para casa, e se Lewis for mal, o finlandês fará apenas um bom trabalho. Num campeonato em que as Ferraris parecem ter um carro meio segundo mais rápido e as BMWs em uam curva de performance contrária a da McLaren, ascendente, os ingleses de Wokin precisam de um bom resultado em Montmeló. Falhando na Espanha, fatalmente o campeonato estará nas mãos de Kimi e Felipe.

O RESTO

O maior destaque do “resto” para mim é o francês Sebastien Bourdais. A calma e a capacidade de se ver fora de confusões em corrida, vão lentamente pondo o outro Sebastião, o Vettel, sob pressão. Vettel sempre pareceu para mim over hyped, ou em outras palavras, absolutamente sobrevalorizado.

Apesar de não ser de todo um novato, Bourdais já é o destaque do ano.

BARCELONA, MEIO PASSO PARA O TÍTULO

Esse título aí em cima é alarmante no melhor estilo folha de São Paulo, perfeito para chamar a atenção do leitor (espero que funcione!). Mas achei alguns dados sobre o GP de Barcelona que são bem interessantes a ponto de o título ter lá alguma razão de ser.

Entramos na semana que iniciará a temporada européia da Formula 1, que para alguns é quando a temporada realmente começa.

Essa interessante estatística aqui abaixo aponta o GP de Barcelona como um forte indicador do carro vencedor da temporada.

Obviamente há exceções à regra, mas em poucas situações a escrita foi quebrada. Nessas situações vale lembrar que ou um gênio estava no outro carro, como Ayrton Senna em 91 (o primeiro GP na pista atual de Barcelona!), Schumacher em 2000 e Alonso em 2005, ou um carro de outro planeta (a Williams de 1996 nas palavras do Ayrton) era superior o bastante a ponto de ser uma exceção à regra.

A Estatística:

MARK WEBBER FALA SOBRE MAX

Enquanto a maioria dos pilotos se omite-se de externar juízo de valor a respeito do caso Max Mosley, o bravo Mark Webber põe a boca no mundo:

“Gostemos ou não, todos nós na Formula 1 somos modelos e a categoria simplesmente não pode ter escândalos dessa natureza.

“Ele [Max Mosley] está numa posição muito, muito, influente e é muito importante o papel que ele exerce.

“E quando esses escândalos tornam-se públicos, a sua posição [de presidente da FIA] é posta em extrema dificuldade. Ele agora terá muito mais desafios para exercer seu papel [de presidente da FIA].”

Nico Rosbergo e Lewis Hamilton na entrevista para o GP do Bahrein manifestaram-se de maneira muito tênue a respeito do escândalo. Coube então a Mark Webber, hoje presidente da GPDA, associação dos pilotos de Formula 1 e nessa posição líder natural dos pilotos, externar um posicionamento a respeito do caso.

A opinião de Webber tem peso hoje e deve ser interpretada como a opinião da GPDA também e conseqüentemente dos pilotos de uma maneira geral, mesmo que por algumas vezes Mosley tenha ignorado o papel da GPDA em questões que envolviam segurança, um de seus principais papéis hoje.

SERÁ QUE FELIPE MASSA ESTÁ CERTO

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(MASSA recolhe no Canadá em 2007 – FOTO: Sutton imagens)

Peneirando notícias eu acabei lendo no excelente Blog F-1, de Felipe Maciel, uma interessante declaração de Felipe Massa:

“Barrichello enfrentou dificuldades, já que todo mundo esperava que ele fosse o sucessor do Ayrton. Eu também sinto algo assim, mas acredito que meus compatriotas entendem que eu teria sido campeão no ano passado se meu carro fosse mais confiável.”

Será?

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MICHAEL “ACONSELHA” À FIA

Quando Michael Schumacher opina de forma tão veemente sobre algo, é bom dar atenção ao homem. Ontem, após testar o pacote técnico da Ferrari para 2009, a opinião de Michael foi incisivamente contra uma das novas regras que a FIA implementará para 2009, o banimento dos aquecedores dos pneus:

“Eu acho que eles precisam repensar esse enfoque porque todos já tem os seus aquecedores [de pneus]. Nós não pouparemos nada nem faremos nada mais do que tornar as coisas mais complicadas [ao proibi-los].

O ponto central implícito na frase de Michael é a sua preocupação com a segurança e com a dificuldade que os pilotos teriam logo após saírem das paradas de boxe. A diferença de velocidade entre um carro com pneus aquecidos e outro com pneus extremamente frios e sem a aderência poderia dar margem a acidentes.

É claro que sendo Michael um homem Ferrari há sempre que se desconfiar de sua opinião técnica numa questão tão sensível ao desempenho dos carros como os pneus, mas a FIA deveria aproveitar a consultoria técnica grátis do alemão e ao mínimo repensar a sua decisão.

REDESIGN

Eu tenho uma tendência particular a achar que beleza estética na Formula 1 é na maioria das vezes sinal de eficiência. A última inovação da RBR, uma agressiva asa dorsal parecida com a encontrada em tubarões, agrada sensivelmente ao meu senso estético.

Um exemplo é que apenas agora, depois do redesenho que Adrian Newey fez na RBR, eu descobri que aquela depressão em cima do motor, que na maioria dos carros desce da cabeça do piloto até a asa traseira, é profundamente antiestética. Algo que prova, pelo menos para o meu senso estético, de que a inovação pode ser adotada por todas as equipes. A Renault, por exemplo, já tem a sua e a nova Toro Rosso também.

Haverá, como sempre há, um caminhão de gente que falará mal do redesenho, mas não há como descordar que ao mínimo há elegância na nova forma, contrariamente, por exemplo, às novas e horríveis orelhas da Honda.

Não resisti e fiz eu mesmo uma opção para a McLaren de Lewis, seguindo o movimento do traço da Red Bull de Adrian Newey, que acho mais elegante.

A PEDRA NO CAMINHO DE MAX

Durante o fim de semana, por obra de uma feliz coincidência, me vi nas mãos com a edição de julho de 2007 da nova revista da Editora Globo, a Época Negócios.

Há nessa edição um perfil de Rupert Murdoch, o magnata das comunicações australiano, e mais duas importantes informações que ajudam a corroborar os boatos de que Murdoch é o principal responsável pela derrocada de Max Mosley.

A primeira informação é que dentre as suas várias empresas, há também a ITV, a responsável até aqui pelas transmissões da Formula 1 para a Inglaterra. Martin Brundle, a quem Max Mosley processa por difamá-lo em um artigo do TIMES, outra empresa da News Corp, também comenta para a iTV.

A iTV anunciou nesse início de ano que não mais transmitirá a Formula 1 a partir de 2009. A razão expressa pelo canal inglês era de caráter “estritamente comercial.” A BBC assumirá as transmissões a partir de 2009.

A opinião geral é de que a iTV fez um ótimo trabalho em 14 anos de transmissão, inclusive criando novos parâmetros e conceitos na transmissão que a BBC faltamente deverá dar continuidade.

Fazendo a continha simples de dois mais dois, não é difícil entender que a Bernie Ecclestone, cabeça da FOM, a entidade responsável pela comercialização dos direitos da Formula 1, ouviu Max Mosley e resolveu intervir na relação comercial da iTV com a Formula 1, por conta de Martin Brundle ter o devido suporte do NEWS CORP.

A segunda e mais importante informação é que atacar inimigos através de seus jornais é prática comum de Rupert Murdoch. Ele já tomou tal ação usando o New York Post há alguns anos atrás.

Ao verificar o tamanho do grupo de mídia de Murdoch, percebe-se que Max Mosley mexeu num vespeiro gigante. A NEWS CORP tem um faturamento anual de mais de 25 bilhões de dólares, mais de 44 mil funcionários ao redor do mundo ao dispor de Murdoch, e sua atuação estende-se da Austrália, passa pela Ásia, Estados Unidos e aporta no Brasil. É um império de mídia onde o sol nunca se põe.

A REALIDADE DA RENAULT

Bob Bell, diretor técnico da Renault, anunciou ontem que um dos componentes aerodinâmicos que estará no novo pacote aerodinâmico da equipe para Barcelona será o famoso J-DAMPER, artefato que BMR, RBR, Ferrari e McLaren já possuem em seus carros.

Não sei se minha inúmera audiência recorda-se, mas o J-DAMPER foi um dos projetos que estavam nos BLUE PRINTS (desenhos de projetos) que o ex-engenheiro da McLaren, Phil Mackereth, levou para Renault quando mudou de emprego.

A pergunta é: por que a Renault, uma equipe supostamente de média para grande, não desenvolveu o seu J-DAMPER no mesmo ritmo que as grandes, McLaren e Ferrari? Teria a FIA imposto alguma restrição no desenvolvimento técnico desse projeto por conta dos engenheiros da Renault terem dado aquela “espiadela profissional” no projeto da McLaren?

Se houver algum fundo de verdade em meu questionamento, a solução para a Renault então foi desenvolver sua própria solução para o problema do J-DAMPER e a demora então estaria explicada.

No entanto, ao observamos a agilidade com que as grandes equipes se adaptam às mudanças e desenvolvem novos componentes aerodinâmicos num curto espaço de tempo, a sensação de incompetência do departamento técnico da Renault é flagrante.

Como resposta a sua dispensa, Giancarlo Fisichella abriu a boca hoje e pôs o dedo na ferida de Flávio Briatore:

“Todo mundo achava que Fernando salvaria a Renault e gastaram um monte de tempo e dinheiro para lhe dar um bom carro.

Na verdade, nas três primeiras provas de 2007 eu tive uma performance melhor que ele até aqui neste ano.”

Giancarlo tem lá alguma razão, é só observar a tabela de pontos:

RENAULT COM INPUT DE FISICHELA EM TRES PROVAS DE 2007:

9 pontos

RENAULT COM INPUT DE ALONSO EM TRES PROVAS DE 2007:

6 pontos (aqui poderiaM ser descontados mais alguns pontinhoS de Fernando ao observamos que apenas 7 carros finalizaram a prova.

Agora o mais interessante: Fernando Alonso tem o melhor salário da Formula 1 hoje, algo em torno de 28 milhões de dólares. Não resisto em pensar que se a Renault tivesse investido grande parte desse dinheiro no desenvolvimento de algo tão fundamental quanto o seu J-DAMPER e tendo um piloto experiente como Fisichella para desenvolvê-lo, a Renault poderia estar bem melhor, talvez lutando pela terceira fila do grid.

E o pior, dia sim, dia não, Fernando Alonso faz uma declaração à imprensa como parte de sua campanha pessoal para ir pilotar um dos carros vermelhos de Maranello, sinalizando que deixará Briatore com um carro menos competitivo que o de 2007 e pior, com menos dinheiro também.

Para quem acha que Ron Dennis, hoje inimigo de Flávio, administra mal a sua equipe, Briatore parece um singelo aprendiz.

A CAMPANHA “FORA MAX” CONTINUA

O F1around está preparando-se para ser a qualquer momento processado por Max Mosley. Martin Brundle e o TIMES foram, porque não o F1around?

Mas se o processo nunca bater à minha porta, algo que daria enorme credibilidade e publicidade, ao menos tenho o orgulho de ser dos poucos que declararam bravamente estar absolutamente a favor da deposição de Max Mosley, por vias retas ou tortas (confesso um prazeroso sadismo ao perceber que a saída de Max se dará pelas vias tortas mesmo).

Tenho que admitir certa decepção com a cobertura que os ditos “jornalistas especializados” tem feito de todo o processo envolvendo Mosley no Brasil.

A decepção não se restringe apenas a falta de posicionamento dos jornalistas. O mais triste é perceber como uma história tão saborosa, um fato jornalístico tão interessante e cheio de pormenores e detalhes, vai escapando pelo ralo da cobertura jornalística da Formula 1 brasileira.

Há na história todos os ingredientes de um livro de suspense de Grahamm Greene, inclusive os dilema morais, o cinismo, a sordidez e misérias humanas. E claro, há a intriga e a conspiração como o fio condutor que sustenta a história até o fim.

Por isso tenho obtido mais prazer ao ler e entender sobre conspiração armada para depor Mosley do que até mesmo ao ver as corridas, que vem repetindo nessa temporada as já costumeiras, desinteressantes e soníferas procissões dos últimos três ou quatro anos. Depois das duas primeiras curvas a corrida já está mais ou menos decidida, com uma variação ou outra após as paradas de Box.

Nunca em todos esses anos acompanhando a Formula 1 busquei tanto entender os bastidores e cenário político da Formula 1 quanto nos últimos dois anos. As conspirações e entourages políticos envolvendo Ron Dennis, Max Mosley, Ferrari, Mclaren, Renault e mais alguns outros, foram fundamentais para o background e quantidade de informação que adquiri de bastidores nos últimos meses.

É uma pena que a imprensa especializada brasileira que cobre a Formula 1 não perceba o potencial jornalístico dessas tantas história e restrinja-se, mal a mal, à cobertura apenas dos pilotos brasileiros.

Para alguns o que acontece na pista é o mais importante. Eu até poderia concordar, mas o triste é saber que cada vez mais os bastidores da Formula 1 determinam quem vence ou quem perde no esporte.

Quem sabe se com Max Mosley fora definitivamente, a Formula 1 não torne-se novamente tão imprevisível quanto era a 15 ou 20anos atrás? Eu assim espero…

PÓS BAHREIN – LEWIS

Lewis atrás de Alonso

Para quem como eu a acompanha a carreira de Lewis desde a GP2 até aqui, o seu fim de semana no GP do Bahrein foi, como bem definiu o próprio Lewis, um desastre.

Os erros e vacilos então vieram em cascata, um em conseqüência do outro.

Primeiro Lewis errou nos treinos livres, causando sérios danos ao seu carro titular; depois, na sua tomada de tempo no Q3, poderia ter arriscado mais e salvado mais alguns milésimos, preferiu ser conservador; errou no procedimento de largada e como conseqüência afobou-se na tentativa de recuperar as posições perdidas, atingindo na primeira curva a traseira da Renault de Alonso. O erro mais grave, na tentativa de ultrapassagem sobre Alonso, foi conseqüência então desse primeiro toque. Sem o segmento de asa dianteira, Lewis perdeu tanto arrasto aerodinâmico quanto downforce, como resultado o inglês quase fez uma ultrapassagem pouco usual, por cima de Alonso.

Há quem diga que Lewis está sofrendo da famosa síndrome da segunda temporada, síndrome da qual Robert Kubitza também foi vítima. Em outras palavras, o piloto novato tem uma primeira temporada devastadora e na segunda a realidade vai determinando os limites e pontos onde sua pilotagem ainda é deficiente.

Como crédito, fica a certeza de que Lewis errou simplesmente por que arriscou mais que o devido. A corrida de Heikki foi certinha, redondinha, mas dentro das possibilidades razoáveis que a McLaren poderia lhe oferecer. Ponha Lewis em sua melhor forma, na mesma posição de Heikki, sem errar, e a McLaren surgiria mais competitiva que as duas BMWs.

Além dessa certeza, fica o exemplo de que Lewis quando perde, sabe como fazê-lo. Não houve desculpas, acusações ou reclamações. O inglês assumiu cada pedacinho da culpa pelo péssimo fim de semana de sua equipe.

Em contraste, muitos ainda esperam que Felipe Massa e David Coulthard, pilotos mais experientes, assumam a responsabilidade pelos incidentes e erros que cometeram nas primeiras corridas do ano.

Lewis pode estar atravessando o pior momento na sua curta carreira na Formula 1, mas são atitudes como essa que dão a certeza de que ele ainda é um real candidato ao título.

PÓS BAHREIN – BMW

Eles vieram, viram, mas ainda não venceram. Talvez seja apenas questão de tempo. A pole de Kubitza, já pré anunciada na Austrália, foi a prova definitiva de que as BMWs aproximaram-se de McLaren e Ferrari.

Uma das suspeitas que ainda resta analisar é o fato de a BMW sempre ter ido ao pódio quando uma das grandes falhou com um de seus pilotos, ou até com os dois, como a Ferrari na Austrália.

A F08 é rápido e adaptável à diferentes traçados; em termos de performance seus dois pilotos estrategicamente complementaram-se nessas primeiras provas, Kubitza no qualifying e Heidfeld constante em corrida; além de um carro extremamente confiável ao longo das últimas provas.

A outra questão a se analisar é se diante da temporada européia que começa na próxima corrida, quando em geral os dados obtidos nessas três primeiras provas do ano são analisados e usados na evolução dos modelos de 2008, a BMW terá a capacidade de manter-se no mesmo nível desse início, e o mais desafiador: dar uma passo maior que as equipes grandes para finalmente vencer a sua primeira corrida.

Esse talvez seja o grande desafio de Mario Theyssen e de sua equipe.

NEWS OF THE WORLD 1 x 0 MAX MOSLEY

Eu estou numa cruzada pessoal para derrubar max Mosley. Huuuummm… ok, concordo, é ambição demais para um blogueiro verde e perdido pela web, mas não deixa de ser nobre, alguns hão de concordar.

Hoje o NEWS OF THE WORLD ganhou a primeira batalha no confronto jurídico contra Mr Mosley. Uma injunção contra a permanência do vídeo de Mosley em seu dia de folga no site do NEWS OF THE WORLD foi negada hoje na Alta Corte de Londres. Traduzinho do juridiquês, o tablóide pode voltar a mostrar Mr. Mosley divertindo-se com suas meninas novamente. O vídeo estava fora do ar.

Obviamente a redação do jornal não perdeu tempo e já publicou a segunda parte da “nazy party” de Max. Se você tem criança em casa deixe-a longe de seu PC:

http://www.newsoftheworld.co.uk/0904_mosley_new_audio_clips.shtml

EXPLICANDO…

A EXPLICAÇÃO

O blogger é ótimo, mas o wordpress é muito melhor, tenho de reconhecer.

Das possibilidades de interface gráfica até as ferramentas disponíveis, (como a busca por palavra dentro dos posts), incluindo aí a maneira como os comentários dos leitores são expostos, o WordPress dá um banho no blogger.

Além das vantagens, contribuiu os vários problemas que tive com o servidor do blog: fotos que não carregam, que carregam com defeitos e tamanhos errados e o pior, a inoperância do editor de texto do blogger. Não vi outra possibilidade a não ser mudar de casa.

SOBRE O BLOG

Como houve uma mudança de casa, não custa então estabelecer o papel definitivo desse blog.

1. Não sou jornalista, comentarista ou ex-piloto. Sou, na escala de valores dos que dão suporte ao esporte, o sujeito menos preparado para escrever a respeito: sou um telespectador, às vezes torcedor ou simples apreciador do esporte que o assiste já alguns anos.

2. Encare esse BLOG então como um diário pessoal de alguém que adora refletir escrevendo sobre o esporte que adora, a Formula 1.

3. Portanto, se algum leitor sentir que algum ponto de vista é tendencioso, esse raro leitor fatalmente estará correto na observação, eu reconheço. Algo que obviamente não invalida o que se escreve ou se discute, talvez até apimente de vez o tema porque no fundo não existe hoje coisinha mais chata que esse suposto jornalismo imparcial que cobre a Formula 1 no Brasil. Apenas educação é bem vinda quando a discordância for clara.

4. Nunca estará por aqui as últimas notícias da Formula 1. Há blogs mais bem preparados para prover qualquer leitor de informação pela internet. Para quem acompanha diariamente a formula na web, há a leitura obrigatória e diária do site dos extremamente competentes e profissionais jornalistas da AUTOSPORT. Portanto, esses raros três leitores que comparecerão aqui lerão apenas pontos de vista, tortos ou não, imparciais ou não, mas apenas pontos de vista.

5. Ok, eu sei que existe coisa no mundo mais importante que Formula 1, no meu caso por exemplo, minha família, meu filho, minha mulher. Por isso, de vez em quando, tomarei a liberdade de meter o meu despreparado e ignorante bedelho em temas que necessariamente não são sobre Formula 1, mas de interesse universal e comum.

6. Sou extremamente desajeitado na procura de novos leitores e se eles chegarem até aqui, será pelo mais puro e cristalino acaso. E esses serão os mais bem vindos, os que descobrem esse espaço no ilimitado universo da web. Se não, permanecerei só e escrevendo para mim ou para esses três amigos.

Dito isso, vou me acomodando na minha nova casa e esperando, se vierem, visitas…

Abraços!

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