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Quem é Alan Donnelly

(ALAN DONNELLY – vistoriando a pista de Interlagos no ano passado)

A controvérsia ao redor da comunidade de Formula 1 mundial envolvendo a branda punição de Felipe Massa deixa no ar algumas certezas. A primeira: a discussão a respeito dos meandros, detalhes e tecnicalidades da Formula 1 estão longe, muito longe, de serem discutidas de maneira séria e profunda no Brasil. Toda a imprensa, inclusive os BLOGs, ignorou a questão. Quando teremos uma imprensa especializada de verdade é algo para se discutir no futuro.

A segunda, e mais séria, é que a Formula continua sendo regida, dos comissários de pista à sua presidência, pela gang mafiosa de Max Mosley. O homem não parece minimamente interessado em parecer isento na forma como gerencia a categoria.

Na enxurrada de notícias da pré –temporada desse ano, talvez uma tenha passado despercebida para a comunidade da Formula 1. O Grand Prix.com publicou uma nota no dia 14 de janeiro na qual abordava o processo de substituição de Tony Scott Andrews, comissário permanente da FIA. Scott foi nomeado comissário permanente havia apenas dois anos e sua continuidade no posto deixava a certeza de independência e sensatez nas decisões tomadas no calor do momento de uma competição.

Com a saída de Scott Andrews, Max Mosley nomeou como consultor em decisões que “demandem rapidez e agilidade”, Alan Donnelly, conhecido e bem sucedido “economista” que durante alguns anos foi líder do Grupo de Trabalho do parlamento europeu.

Donnelly mantém uma amizade e parceria de anos com Max Mosley e o estreitamente dessa parceria nos últimos anos parece ter se convertido em uma cooperação mútua a ponto da própria companhia de relações públicas de Donnelly, a Sovereign Strategy, ter como clientes a FOM e a FIA.

Como você deve estar percebendo, a rede de ligações e interesses começa a fazer sentido e o parágrafo final do pequeno, mas valioso artigo do Grand Prix.com, é surpreendente:

“Ele [Donnelly] desistiu da política em 2000 e fundou a sua própria empresa de Relações Públicas, que é chamada Sovereign Strategy, com sede no prédio pertencente à FIA em Trafalgar Square, Londres

De Acordo com o website da Sovereign Strategy, seus clientes incluem a FIA, a FOM [Formula One Management Ltd] e FERRARI.”

Nesse momento, a lista de clientes presente no site da Sovereign Strategy não inclui mais a Ferrari, mas pesquisando em arquivos da internet, o SIDEPODCAST descobriu que a Sovereign Strategy retirou o nome da Ferrari de sua lista no intervalo entre o fim da temporada passada e a nomeação de Donnelly feita por Max Mosley no início desse ano. O rastro deixado por Donnely pode ser encontrado e comprovado nesse link: clique aqui.

Se toda essa rede intricada de clientes e parcerias estabelecida por Max Mosley, Alan Donnelly (hoje o homem que julga o mérito em questões de pista) e a Ferrari não são um belo e brabo conflito de interesses eu simplesmente não sei mais o que deveria ser.

Alguém em sã consciência achar que há isenção real e verdadeira em decisões de pista quando se tem um “fornecedor” da Ferrari tomando as decisões, é algo que está além da minha pobre capacidade de raciocínio.

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MONZA DIA 3: LEWIS EM FORMA

Demonstrando devida recuperação depois do seu difícil fim de semana em Valência, Lewis Hamilton estabeleceu o melhor tempo nos testes livres hoje em Monza. O piloto inglês foi mais de meio segundo mais rápido que Kimi Raikkonen e o seu tempo e boa forma já antecipam a dura batalha que será Monza daqui a duas semanas.

PHILL HILL: 1927 – 2008

(IMAGEM: Cahier Archive)

Phill Hill, o único americano a ganhar um campeonato de Formula 1, morreu ontem em Santa Monica/California, aos 81 anos, em decorrência do Mal de Parkinson.

Phill Hill nasceu em Miami, estudou Administração na University of Southern California mas abandonou seus estudos para seguir carreira no automobilismo, trabalhando como mecânico em carros de outros pilotos. O trabalho o levou à Inglaterra já para ser piloto de testes da Jaguar em 1949. Em 1956 assina com Enzo Ferrari e sua estréia como piloto acontece no GP da França em 1958, pilotando uma Maserati. No mesmo ano Phill ganha as 24 Horas de Le Mans pela equipe da Bélgica, pilotando à noite sob chuva intensa, um feito de extrema coragem.

É em1961 que Hill tem o seu ano de consagração, vencendo as 24 Horas de Le Mans novamente junto com o seu valioso, e até aqui histórico, campeonato de Formula 1.

Em 1962 Phill Hill deixa a Ferrari e funda, junto com Giancarlo Baghetti, uma nova equipe de Formula 1, a ATS e daí em diante continua sua carreira na Formula 1 por mais cinco anos. Logo após se retirar das pistas, o piloto americano cria uma empresa restauradora de carros clássicoa, chamada Hill & Vaughn, com o seu sócio Ken Vaughn. Phill também trabalha como comentarista para a rede de televisão americana ABC na época.

Como homem de comunicação, Phill Hill escreveu vários artigos para a revista especializada em Automobilismo, Road & Track.

Nos seus últimos anos, Phill dedicava-se à sua coleção de carros antigos e usava desse know-how para ser julgador em concursos.

Foi casado com Alma, teve três filhos: Vanessa, Jeniffer e Derek, que chegou competir na Formula 3000 de 2001 a 2003. Derek se aposentou logo depois do anùncio da doença de seu pai.

Ter apenas um título, ou apenas uma vitória, já garantiria o nome de Phill Hill impresso no livro dos vencedores da Formula 1. Mas o seu único título como representante de uma das nações mais apaixonadas por automobilismo, o garante na memória eterna do automobilismo mundial.

MONTEZEMOLO CONFIRMA RAIKKONEN E MASSA NA FERRARI EM 2009

Fernando Alonso terá que esperar um pouco mais para vestir um macacão vermelho e pilotar um dos carros da Casa de Maranello.

Luca de Montezemolo confirmou hoje, durante o último dia de testes em Monza, através do La Gazzeta de lo Sport, que Felipe Massa e Kimi Raikkonen continuam na equipe no ano que vem, afastando em definitivo os rumores em torno da prematura aposentadoria de Kimi Raikkonen.

 

HOJE EM MONZA: NICK HEIDFELD LIDERA

Nos comunicados pós-corrida da BMW, Mario Theissen, Diretor Esportivo da equipe, e Willy Rampf, Diretor Técnico, fizeram as primeiras críticas públicas e oficiais a Nick Heidfeld:

Esperávamos que ele (Nick) conseguisse ganhar um ou dois lugares na largada, mas no calor do momento ele infelizmente perdeu a posição e a corrida basicamente acabou para ele.

(Mario Theissen)

Nick iniciou em oitavo, ainda assim esperávamos que ele marcasse alguns pontos para o campeonato. Como sempre, o seu ritmo de corrida foi simplesmente lento. Obviamente estamos felizes com o pódio de Robert, mas esperávamos marcar mais pontos hoje.

(Willy Rampf)

 

A AUTOSPORT investigou a questão mais de perto e Theissen garantiu ao site inglês que ainda restam dúvidas a respeito da capacidade do piloto alemão em resolver os seus problemas nas voltas de classificação, parte preponderante para se ter um bom resultado nos fins de semana de corrida. A inoperância de Heidlfeld na classificação deixa em sérias dúvidas a sua permanência na equipe 2009.

 

Ao contrário de Heidfeld, a Autosport garante que Robert Kubitza já renovou o seu contrato com a equipe, mas apenas por um ano, opção contrária ao desejo da BMW de retê-lo por três anos. Ao que parece não é apenas Fernando Alonso quem parece interessado na aposentadoria de Kimi Raikkonen em 2010.

 

Hoje, como que reagindo à pressão imposta pela direção da equipe, Heidfeld liderou os treinos livre em Monza.

 

FELIPE MASSA LIDERA TESTES EM MONZA

Confirmando a sua boa forma desde a Hungria, Felipe Massa liderou os tempos nos testes livre de Monza hoje. Os testes visam a preparação para o grande Prêmio de Monza daqui a pouco mais de três semanas.

Apesar de desconhecermos a quantidade de combustível ou quais componentes cada equipe está testando, Felipe pôde estabelecer um tempo melhor que Heikky Kovalainen por uma diferença ínfima na casa dos centésimos, algo indicativo de que a batalha em Monza será apertada e duríssima.

KIMI: FIM DE SEMANA PARA ESQUECER

É em Spa Francorchamps, na Bélgica, aonde o motorista do ônibus aí em cima é capaz de extrair o máximo de seu potencial. Ele já venceu por lá em 4 ocasiões. Talvez seja o lugar exato para ele se recuperar das suas últimas e medíocres atuações. Em Valência, ele se superou:

  • Sua classificação foi pobre, como vem sendo ultimamente. (Os boatos é que Kimi é incapaz de fazer os seus pneus funcionarem adequadamente para uma volta lançada. A solução do finlandês é carregar o seu carro pouco mais que o de Felipe Massa e então ir gradualmente evoluindo o seu ritmo de corrida ao longo da corrida.)
  • Já na largada ele perdeu uma posição para Heikky Kovalainen e por ali ficou durante boa parte de sua corrida.
  • Em seu segundo pit stop atropelou o seu mecânico, que segundo Stefano Domenicalli apenas quebrou um dedo do pé e está bem.
  • No mesmo pit stop desastroso, Kimi danificou um dos pequenos aerofólios laterais que são responsáveis pelo fluxo de ar que  resfria o motor, algo que acabou elevando o risco e à conseqüente ruptura.

O ponto crucial para Kimi é: em que momento ele poderá elevar novamente o seu jogo? Ele deverá se superar em Spa pois Felipe Massa está a cada dia mais próximo de ser a única aposta da Ferrari. A pergunta então é: Kimi Raikkonen seria capaz de beneficiar Felipe Massa da mesma maneira como o brasileiro fez no Brasil em 2007?

CULPEM O MAX, NÃO O HERMANN TILKE

(HEIKKY KOVALAINEN na Malásia)

No excelente post de cobertura pós GP de Felipe Maciel, dois de seus leitores comentaram da seguinte maneira a corrida:

 

“Exato, foi uma corrida normal. Tirando o acidente com o mecânico.
Teve tudo que um GP nas pistas Tilke podem ter (…)

(…) Ah e teve também a falta de disputas e ultrapassagens como também é normal nos Tilkes…”

(RON GROO)

“Acho que o Tilke não devia fazer nem mais um Circuito, deve parar já antes que a situação piore, nós queremos ver corrida animadas, não corridas monotonas,”

(Kimi Cris)

 

Sim, talvez essa tenha sido até aqui a corrida mais chata e sem emoção da temporada, restando pingos de emoção aqui e ali, com o desastrado pit stop de Raikkonen ou o suspense no aguardo de qual seria a penalização de Felipe Massa. Corrida sem safety car, sem qualquer disputa e, principalmente, sem ultrapassagens.

Hermann Tilke, sobre quem recaiu a culpa pela falta de emoção na corrida tem um currículo invejável e impressionante:

 

1999 Sepang International Circuit, Malaysia

2004 Bahrain International Circuit, Bahrain

2004 Shanghai International Circuit, China

2005 Istanbul Racing Circuit, Turquia

2008 Singapore Grand Prix, Cingapura (daqui há mais ou menos um mês)

2007 Bucharest Ring, Romênia

2008 Valencia Street Circuit, Espanha

 

Ao contrário do que Kimi Cris deseja, Herman já tem em cima de sua prancheta mais meia dúzia de projetos para os próximas anos e pelo menos quatros desses têm possibilidades reais de receber a Formula 1 no futuro:

 

2009 Abu Dhabi Grand Prix, UAE

2009 Cape Town Grand Prix, África do Sul

2010 Korean International Circuit, Coréia do Sul

2010 Volokolamsk, Russia

International Circuit Simon Bolivar, Venezuela (Hugo Chaves armando contra o Brasil?)

2010 Indian Grand Prix, India

 

Contrariamente ao que pensa os leitores do BLOGF-1, eu acredito que Herman Tilke foi um bem e um achado para a Formula 1 e foi o seu trabalho, com consultoria de Michael Schumacher, que realmente sofreu com o estado da Formula 1 atual, cheia de regras restritivas (altura dos aerofólios, pneus com ranhuras, por exemplo) que têm como objetivo garantir a segurança dos pilotos e que foram criadas especificamente para diminuir a velocidade dos carros em curva.

Tilke foi obrigado a tentar achar uma solução para a falta de competitividade e entretenimento que uma categoria como a Formula 1 deveria ter e isso resultou na forma geral dos circuitos que vemos.

A questão sobre a culpabilidade de Hermann Tilke é tão delicada e ás vezes enganosa, que horas antes da prova de Formula 1, na GP2, os carros foram capazes de combater uns aos outros oferecendo ótimas brigas por posição.

Houve mais três provas esse ano em que os carros da Formula 1 foram capazes de acompanhar uns aos outros ao longo do circuito e fazer ultrapassagens decisivas para o resultado da prova: Malásia, Turquia e Alemanha.

E sim, todos esses circuitos passaram pela prancheta do alemão Hermann Tilke. A conclusão é: não culpem Hermann Tilke, culpem a aerodinâmica suja da Formula 1 moderna, devidamente banida no ano que vem.

Resumindo, culpem Max Mosley, afinal, ele é sempre culpado.

 

 

MASSA: A MELHOR APOSTA DA FERRARI

MASSA DEIXA OS BOXES EM VALÊNCIA – o único momento na corrida em que Kimi pôde ver o brasileiro bem de perto)

Durante a era Schumacher, a Ferrari estabeleceu uma política de unilateralidade no direcionamento dos recursos técnicos e estratégicos da equipe em benefício de apenas um piloto. Essa política de gerenciamento de seus pilotos acabou não apenas rendendo os frutos que culminaram com os cinco títulos seguidos de Michael Schumacher, mas também com um dos maiores escândalos na história do esporte, o GP da Áustria em 2002 em que Rubens Barrichello foi obrigado a entregar uma vitória tranqüila e bem construída no colo de Schumacher, tudo em “favor do campeonato”. A Ferrari manchou a sua imagem desportiva naquele ano e Michael Schumacher acrescentou à sua já manchada reputação a constrangedora e patética cerimônia do pódio em que ele pôs Barrichello no lugar mais alto de vencedor.

Tal foi a dimensão do escândalo que a FIA foi obrigada a intervir na questão, estabelecendo regras punitivas a jogos de equipe que pareçam ações explicitas para o fã de Formula 1.

Com a saída de Michael Schumacher em 2006, a Ferrari estabeleceu um novo padrão no gerenciamento de seus pilotos: a equipe só focará recursos e benesses estratégicas em um piloto quando o seu companheiro/oponente estiver matematicamente fora da disputa do campeonato. Foi assim no ano passado quando Felipe Massa abandonou em Monza e ao que parece está próximo de ser assim esse ano.

Enquanto Felipe Massa parece numa curva ascendente de desempenho, Kimi Raikkonen parece a cada corrida mais longe de se estabelecer como a melhor aposta da Ferrari na luta com Lewis Hamilton pelo campeonato de pilotos. A sua última vitória foi em abril, no GP de Barcelona, daí em diante ele acumulou um punhado de falhas mecânicas (França), má sorte (Canadá) e desempenhos abaixo da média para um campeão do mundo que pilota o carro mais rápido do grid esse ano e que ganha 40 milhões de dólares, 30 milhões a mais do que o seu companheiro. Além da questão interna dentro da equipe, há sempre o rumor circulando pelo paddock sobre a falta de comprometimento e motivação de Kimi. O finlandês nunca deixa claro se cumprirá ou não o seu contrato com a Ferrari que vai até o final de 2009.

Enquanto isso, entre inconstâncias (Alemanha) e provas quase vexatórias (Inglaterra) Massa ainda assim pôde acumular pontos e vitórias cruciais, 4, empatando com Hamilton, e momentos que levantaram e fizerem vibrar todos os membros do seu boxe, como a sua largada no GP da Hungria em que deixou Lewis Hamilton para trás. Em espírito, a Ferrari parece estar visivelmente do lado de Massa, mas mentalmente ainda parece acreditar que Kimi possa ressurgir da sua apatia.

Há ainda 6 provas para o final da temporada e o tempo hábil para dar suporte a um de seus pilotos expira a cada corrida para a Ferrari, com Lewis ponto a ponto aumentando a sua liderança.

Quando a Ferrari tomará a decisão? A questão deverá ser definitivamente resolvida em Monza. Até lá Lewis Hamilton parece disposto a aproveitar a indecisão da Ferrari e deve torce como nunca para que os dois pilotos da equipe italiana se digladiem até a última prova no Brasil. Se assim acontecer, ele estará bem próximo de comemorar o seu primeiro título mundial.

CONFIABILIDADE: PESADELO FERRARISTA

Livio Oricchio, repórter de O Estado de São Paulo, apontou em seu blog a causa dos problemas nos motores de Felipe Massa na Hungria e de Kimi Raikkonen em Valência, ontem:

No início da noite a assessoria de imprensa da Ferrari divulgou a causa da explosão do motor de Kimi Raikkonen: a quebra de uma biela, produzida pela empresa austríaca Pankl. A peça fazia parte do lote que gerou o abandono de Felipe Massa no GP da Hungria, dia 3.

O próprio site oficial da Formula 1 publicou ontem uma pequena análise técnica da configuração dos sidepods (laterais) da Ferrari, específica para ajudar na ventilação e atenuar temperaturas altas e úmidas com as de ontem.

O Formula 1.com sustenta que a perda de um dos pequenos aerofólios laterais da Ferrari de Raikkonen durante o seus desastroso pit stop, foi a principal causa do superaquecimento e posterior rompimento do motor do finlandês. Ao menos dessa vez, ao que parece, a culpa foi do piloto.

(Aerofólio quebrado por Raikkonen em seu desastroso pit stop)

Nesse momento a questão da confiabilidade dos carros da Ferrari deve estar deixando o time de Maranello de cabelo em pé, algo que pode, como em 2006 (quebra de Schumacher no Japão), entregar o título para o seu principal oponente. Este ano, apenas nos carros da Ferrari, já foram embora 4 motores, enquanto os carros da McLaren parecem simplesmente indestrutíveis.

Por causa justamente da baixa confiabilidade nas últimas corridas, a diferença no campeonato de construtuores simplesmente evaporou em duas corridas. A suspeita é que a Ferrari pode estar indo ao limite do desempenho de seus carros afim de descontar a pequena mas significativa diferença de desenvolvimento que a McLaren pareceu estabelecer nos testes antes do Gp da Inglaterra. Logo após estes testes a Ferrari teve duas de suas mais fragorosas derrotas no campeonato até aqui.

Não será surpresa se a Ferrari for estratégicamente mais conservadora e tiver um desempenho na Bélgica abaixo dos das duas últimas corridas, como forma de evitar mais um rompimento em um dos motores de seus carros.

LEWIS: “QUASE NÃO CORRI HOJE”

Na pós-conferência logo após a corrida, Lewis Hamilton confessou que teve febre e dores no pescoço, deixando de prontidão o piloto espanhol Pedro de La Rosa:

“Eu realmente tive um terrível final de semana. Eu estava gripado quando acordei, o que me deixou com fortes febres e muito fraco. Além disso, tive muita dificuldade com espasmos no meu pescoço, algo que quase me levou a não correr esse fim de semana.”

Apesar de todos esses problemas, Lewis fez uma corrida consistente e segura, arriscando o máximo apenas na largada contra Robert Kubica, que aproveitou o lado mais limpo da pista para quase ultrapassar o inglês.

Mesmo doente e fraco, ainda assim ele foi capaz de aumentar a sua liderança no campeonato em um ponto, tendo agora como seu perseguidor direto o brasileiro Felipe Massa.

Quem melhor definiu a consistente fase do piloto inglês foi Martin Whitmarsh:

“Lewis é um piloto inteligente, ele é absolutamente comprometido em vencer cada corrida e adora acabar cada sessão como o mais rápido, mas eu acho que ele está ficando mais relaxado em seu enfoque e entendendo que o que realmente importa é vencer o campeonato no fim do ano.”

Sim, Lewis parece finalmente em uma linha estável de performance, muito ajudado também pela incrível confiabilidade mecânica de seu carro.

Olhando para trás e vendo o desempenho de Lewis no ano passado, foi exatamente nesse ponto do campeonato que sua curva de desempenho ficou mais instável e é essa, substancialmente, a diferença que vem fazendo a má experiência do ano passado: na largada da Hungria desse ano Lewis recolheu e deixou Felipe passar, na corrida de ontem não se arriscou tentando ir ao limite em um circuito em que qualquer deslize poderia ser fatal para as suas pretensões.

A notícia, obviamente, é péssima para Felipe Massa, que terá que ainda que se livrar de seu companheiro de equipe nas próximas provas para ter as atenções de todo o time para si.

MOÇA BONITA DO PÓS CORRIDA

A CONTROVÉRSIA NA VITÓRIA DE MASSA

Após ter bloqueado o caminho de Adrian Sutil logo depois de sua parada nos boxes na volta 37, Felipe Massa esteve sob investigação dos comissários do Grande Prêmio de Valência. O mérito na questão de uma possível penalização a Felipe incidiu sob a segurança.

A FIA, no entanto, apenas multou e advertiu o brasileiro, algo que em face da equilibrada luta pelo campeonato desse ano, pode ser ecarado quase como uma absolvição.

A redação que determina a punição pela FIA foi também bem confusa:

“Saída perigosa do pit stop, porém não foi obtida nenhuma vantagem.”

Se os carros se tocassem naquele ponto poderiam causar um grave acidente e pôr em perigo uma parcela dos profissionais que transitam pelos boxes, ou mesmo quem permanece nos pit walls, colhendo informações e gerenciado pilotos e mecânicos.

A controvérsia toma forma quando observamos que no mesmo fim de semana, Karun Chandhok na prova da GP2, recebeu como penalização um drive-through por ter feito exatamente a mesma manobra.

A FIA tende a usar os mesmos comissários tanto nas provas da GP2 quanto nas provas de Formula 1 e o fato de esses comissários terem estabelecido um precedente regulamentar nos procedimentos de segurança para logo em seguida infringi-lo, não obedecendo assim ao mesmo padrão no gerenciamento da segurança de provas separadas em suas realizações por poucas horas é algo, no mínimo, suspeito.

A Ferrari já tem um caso semelhante a seu favor esse ano, quando Kimi Raikkonen escapou de uma penalização ao andar toda uma perna de corrida com peças de seu carro soltando-se, algo veementemente proibido pelo prórpio regulamento da FIA, pois põe em risco a integridade física dos outros pilotos.

FELIPE MASSA: SUPREMO EM VALÊNCIA

Uma performance dominante de Felipe Massa, estabelecendo a pole, volta mais rápida e soberba vitória no Grande Prêmio da Europa, realizado agora há pouco em Valência.

O grande temor de todo o grid, uma escapada de algum carro, algo que implicasse na entrada do safety Car e que tornasse a corrida uma loteria, acabou não ocorrendo. Sem ultrapassagens ou brigas diretas por posições e com os líderes mantendo ritmos constantes a prova acabou sendo a mais aborrecida do ano.

Para a decepção e frustração dos espanhóis, o seu herói, Fernando Alonso, acabou abandonando na primeira volta ao ser atingido atrás por Kazuki Nakajima. Kimi Raikkonen, que antes do inicio da prova sustentava a vice-liderança do campeonato, foi vítima do mesmo problema que Felipe Massa na Hungria, o rompimento de seu motor e abandonou logo após a sua segunda e desastrosa parada nos boxes: o finlandês saiu antes de ser liberado pelo comando de boxes da Ferrari, atingindo assim um mecânico com a sua roda traseira esquerda.

Lewis Hamilton aumentou em um ponto a sua liderança, agora de seis pontos. Depois de uma largada agressiva para reter sua segunda posição diante de Robert Kubica, o inglês não achou em nenhum momento um ritmo de corrida que fosse capaz de rivalizar com o do brasileiro, contentando-se em fazer uma corrida sólida e livre de erros, demonstrando nessa reta final de campeonato maturidade e tranqüilidade. Ele ainda é o favorito ao título.

A direção da prova ainda tem sob investigação a saída perigosa de Felipe Massa dos boxes na segunda parada. A probabilidade de punição ao piloto é baixa e se vier será administrativa, possivelmente uma multa a equipe ou na pior das hipóteses, Felipe perderia posições no próximo grid de largada.

RESULTADOS

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(ATUALIAÇÃO: Felipe Massa foi advertido pela direção do Grand Prêmio da Europa por sua segunda e perigosa saída dos boxes, quando quase colidiu com Adrian Sutil.

Além da reprimenda dos fiscais de prova, Massa foi multado em 10.000 Euros.)

 

MOÇA BONITA DA CORRIDA

(Quem liga para a vitória de Felipe Massa?)

VOCÊ TEM UM FAVORITO PARA AMANHÃ?

Está aí um palpite que eu não arriscaria.

Em entrevista após a classificação Fernando Alonso pareceu preocupadíssimo com a possibilidade de Safety Car ao longo da prova, “algo que pode catapultar você do meio do grid para a primeira posição ou pode arruinar em definitivo as suas possibilidades de bom resultado na prova”.

Alonso tem absoluta razão: o safety car pode fazer dessa corrida uma bela loteria. Para tranqüilizar o espanhol, a notícia é que a prova da GP2 de hoje a tarde não teve muitos incidentes que levassem à saída do safety car.

Já Felipe Massa pareceu soberano com os seus dois décimos de diferença para Lewis Hamilton na classificação, mas a Ferrari não tem a exata noção de quanto de gasolina o inglês leva em seu tanque. Lewis foi quem menos deu voltas nas duas partes da classificação.

As equipes geralmente fazem um cálculo tendo como base o desempenho dos carros adversários tanto no Q1 quanto no Q2 aonde os tempos são melhores e subtraem do tempo mais alto estabelecido no Q3, aonde eles já estão carregados para a corrida, por isso a incógnita no caso de Lewis. Dois décimos é uma vantagem muito grande entre os dois equilibradíssimos carros e a tendência é que Lewis pare algumas voltas depois de Felipe. Será crucial para o brasileiro manter a primeira posição na largada e Charly Whiting deu uma ajudinha ao brasileiro antes do treino, movendo a posição do pole para o lado direito, o lado com mais aderência na pista.

Heikky, como Ron Dennis declarou, está mais pesado que Lewis, mas ainda assim parece longe do desempenho do inglês. Kimi ainda não achou o seu ritmo na classificação, por isso é quase certeza que fará uma primeira perna de corrida mais longa que Felipe e dependendo de sua largada (ele larga no lado com menos aderência) pode sim ser favorito à vitória também.

Enquanto todos parecem se voltar para a soberba classificação de Vettel, é bom observar que seu companheiro, o francês Sebastien Bourdais, está ali bem pertinho de Vettel na décima posição, o que leva a constatação de que o motor Ferrari que empurra a Toro Rosso fez a irmã mais nova da Red Bull deixá-la definitivamente para trás.

Amanhã cedinho uma corrida emocionante e, principalmente, imprevisível.

 

KIMI – SOB PRESSÃO EM VALÊNCIA

(PAUL HENRY CAHIER registra o exato momento em que Kimi o empurra no GP da Inglaterra)

Kimi Raikkonen sempre parece alheio ao mundo ao seu redor e sua atitude diante do universo geral da Formula é costumeiramente blasé. A impressão que se tem é que Kimi simplesmente senta em seu carro e acelera. Qualquer tema extra-pista não lhe interessa e lhe aborrece profundamente.

Nas últimas corridas, no entanto, Kimi tem tentado explicar que os seus problemas para bater Felipe Massa resumem-se à sua incapacidade de fazer os seus pneus aquecerem o suficiente para uma volta lançada. Mas as atitudes de Kimi diante da imprensa tem sido tão extremas que parecem no momento revelar algo mais.

No último mês ele empurrou Paul-Henri Cahier, filho do recentemente falecido fotógrafo francês Bernard Cahier e suas entrevistas para Jonathan Nobel da Autosport são um festival de grosserias a parte.

Abaixo dois exemplos de como o “Homem de Gelo” parece em franco estado de liquefação:

DIÁLOGO HOJE DEPOIS DA CLASSIFICAÇÃO

“NOBLE: Há alguma razão para o problema no setor 2 da pista, aonde você parece ter tido um problema?

KIMI: Eu fui lento e foi só isso. Eu não preciso começar a lhe dizer o que aconteceu na volta. Não fomos rápidos o suficiente.”

DIÁLOGO EM DOIS DE AGOSTO

“NOBLE: Você acha que a Mclaren evoluiu ou foi apenas a Ferrari que parou de fazer progressos?

KIMI: Por quê você não vai lá e pergunta para eles?”

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Para piorar a situação para o lado de Raikkonen, Felipe Massa tem tido, segundo as más (ou boas!) línguas, ajuda pessoal de Michael Schumacher em estratégia de corrida e no enfoque de seu set up. Schumacher, por sinal, está em Valência nesse final de semana.

Moça bonita da classificação

(Não é só a paisagem que é linda lá por Valência)

VALÊNCIA 2008 – GRID DE LARGADA

Felipe Massa confirma o seu bom momento na temporada e garante a pole no Circuito Urbano de Valência. Alguns poucos pingos de chuva junto com um tempo nublado ao final do Q1 surpreendeu a todos, mas mesmo assim os tempos evoluíram ao longo de toda a sessão.

A surpresa ficou por conta dos Sebastiões, Vettel e Bourdais, que puseram as Toro Rossos entre os dez melhores, e o pequeno erro de Fernando Alonso ao fim do Q2, o que lhe custou a 12ª posição para a largada de amanhã.

As atenções se voltam para a largada quando a possibilidade de safety car durante primeiras voltas da corrida são quase certas.

SEXTA EM VALÊNCIA

(VALÊNCIA – Já é um dos mais lindos cenários da Formula 1)

Nas duas primeiras sessões de hoje os pilotos preferiram, visivelmente, aprender de verdade o circuito e os resultados das duas sessões acabou produzido um resultado inesperado pela manhã, com Sebastain Vettel em primeiro.

A tarde, com os pilotos mais mais íntimos do traçado, Kimi Raikkonen mostrou que a Ferrari parece ter se concentrando nessas curtas férias em resolver a incapacidade que tem o finlandês em fazer os seus pneus aquecerem devidamente para uma volta lançada. Kimi estabeleceu o melhor tempo, seguido de Alonso, Massa e Lewis.

As McLarens parecem ter concentrado o trabalho de hoje na preparação para a corrida, como Ron Dennis deixou bem claro, uma aposta acertada se considerarmos que a probabilidade do safety car ser acionado durante a corridas e enorme.

Kubica, pelo que se percebeu na press conferência de hoje, parece incomodado com a decisão da BMW de concentrar recursos técnicos no carro de 2009, mas mesmo assim parece ser um nome forte para domingo. É em pistas ladeadas por muros que o polonês excede o seu talento e entrega resultados.

Alonso, como em Barcelona, agradou aos seus fãs e compatriotas e desdice qualquer assunto que tocasse em sua renovação com a Renault ou ida para a Honda ou Ferrari.

Pelo tempo que permaneceram nas primeiras posições durante todo esse treino livre, os carros vermelhos parecem favoritos para a pole amanhã, mas Lewis com uma McLaren e guiando entre muros é sempre um piloto desafiador. Será uma batalha imperdível pela pole position.

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