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FELIZ NATAL E FELIZ ANO NOVO

(FOTO: formula1.com)lewis-2

(LEWIS HAMILTON: P1 na mais espetacular temporada da Formula 1 que eu acompanhei)

O F1 Around encerra hoje o ano de 2008, mas não sem antes agradecer aos leitores que por aqui passaram ao longo do ano para ler, informa-se e, principalmente, comentar e fazer desse humilde espaço um lugar mais rico para se saber e discutir a Formula 1.

Um agradecimento especial à comunidade de blogueiros que citaram e linkaram o F1around durante 2008. São estes blogueiros que acabam por zelar pela qualidade da informação que vai ao ar, fiscalizando e apontando erros ou “licenças poéticas” de cada um de nós.

O F1 Around atingiu 31.000 visitas hoje, uma marca que eu jamais pensei que atingiria. O Blog é uma experiência de um fã obsessivamente apaixonado pela Formula 1 e é escrito nas horas vagas de outras atividades. Mesmo sem a dedicação em tempo integral, houve durante o ano momentos para eu me orgulhar dessa experiência.

As citações no respeitável blog do Capelli, ou a citação no F1 Fanatic, na minha opinião o melhor blog de Formula 1 do mundo, deram grande prazer.

Mas foram alguns textos com idéias e insights que se revelaram acertados o que me deu enorme satisfação nesse trabalho amador.

Na pista, o título de pilotos ganho por Lewis Hamilton e pela McLaren, uma equipe pela qual nutro um carinho particular, fez ainda mais especial o primeiro ano do F1 Around. E eu tive o prazer de escrever reportando umas das mais espetaculares temporadas da história da Formula 1, com um título decidido ineditamente na última curva da última corrida. Uma temporada cheia de controvérsias e injustiças, mas também cheia de ultrapassagens e performances espetaculares de alguns pilotos que ficarão para a história da Formula 1, particularmente Lewis Hamilton em Honckenheim, Monza e Silverstone, minhas três corridas preferidas.

Definitivamente não existiria melhor temporada para se começar um blog de Formula 1.

O F1 Around volta então ao ar agora apenas no dia 16 de Janeiro de 2009, no dia de lançamento do MP4/24, o novo carro da McLaren. Até lá, fique atento à página de LINKS do F1 Around, lá há competentes blogueiros que não pararão o seu trabalho durante esse hiato de tempo em que o F1 Around estará de férias.

Feliz Natal e um 2009 cheio de felicidades e realizações para todos. A gente se vê logo mais…

A FOTA APÓIA MONTEZEMOLO

Como era de se esperar, a FOTA explicitou seu apoio a Luca do Montezemolo através de John Howett, vice-presidente da organização. Segundo Howett, o acordo especial que a Ferrari mantém com a FOM não será “uma questão de disputa entre as equipes.”

O acordo é conhecido e ponto pacífico entre os times de Formula 1. Como eu apontei em posts anteriores, Howett fez questão de assinalar qual a real intenção de Bernie Ecclestone ao expor o acordo:

“Ele está tentando [dividir a FOTA,] mas toda a informação dada [por Bernie] é muito transparente e abertamente dividida entre os membros da FOTA. Então isto foi um pouco sem sentido porque todo mundo está ciente do status histórico da Ferrari.

“Eu acho que a posição da FOTA é que as pessoas sentem que as receitas em um esporte moderno são normalmente distribuídas mais em favor dos participantes do que propriamente em favor dos proprietários dos direitos.”

John Howett faz referência a esportes que têm audiência global, como a NFL ou mesmo a Liga de Futebol Inglesa, em que ambas as próprias federações detém os direitos de suas respectivas marcas e conseqüentemente suas receitas. A divisão de receitas da Formula 1, comparada com a destes outros dois esportes, parece quase feudal, com o CVC Partners levando 50% do total e os outros 50% sendo dividido entre todas as equipes.

Mas nesse jogo de mútuas acusações, qual será o papel de Max Mosley? O Vítor, na sessão de comentários sugere que:

“…Mosley diz não ter decidido ainda o seu futuro, mas com sua saída Bernie vai perder uma marionete confiável.”

Na entrevista de hoje para o Formula1.com, Max desconversou a respeito da recente união entre as equipes. Para Mosley, o maior teste para a união das equipes “será quando houver uma significante diferença de opinião, ou quando interesses vitais [de cada equipe] estiverem em perigo.”

O fato é que diante dos estragos que o escândalo sado masoquista fez na reputação de Max, ele provavelmente está entrincheirado em uma missão pessoal para “salvar” o esporte, apoiando maciçamente a posição das equipes.

O maior motivo para manter Max Mosley na Presidência da FIA e a qual ele mesmo nos fez ficar cientes em uma carta em maio desse ano, seria a sua suposta “habilidade para negociar os direitos da Formula 1.” Um dos trechos da carta toca exatamente na questão a que hoje opõe Montezemolo e Ecclestone:

“Em minha opinião, nós apenas deveríamos assinar um Pacto de Concórdia se reforçarmos a autoridade da FIA e lidarmos propriamente com a grande crise que parece iminente na Formula 1. Custos estão fora de controle, lucros são insuficientes e as grande montadoras estão em dificuldade com os negócios que as sustentam [vendas de carros]. Apenas com arranjos justos e acordos financeiramente bem negociados é que nós evitaremos perder mais equipes.”

Ao vermos o sumiço da Honda no último mês, temos que admitir que há um “quê” de profecia na carta de Max. A verdade, felizmente, é que ele dificilmente será uma marionete nas mãos de Bernie Ecclestone como já foi no passado.

Mercedes SLR McLaren STIRLING MOSS

(FOTO: jamd.com)stirling-e-lewis

(STIRLING e LEWIS: duas distantes e diferentes gerações de vencedores)

Sir Starling Moss é considerado um dos maiores pilotos de toda a história da Formula 1. O que torna “cool” essa mística é a ironia de Moss jamais ter vencido um campeonato, fato talvez incompreensível para o DNA do automobilismo moderno.

A falta de um título em seu currículo explica-se por talvez ter pilotado ao lado de lendas como Fangio ou contra Farina; ou talvez por ser tão rápido e ir constantemente ao limite de  seu equipamento; ou simplesmente por talvez ter levado a esportividade e cavalheirismo a um nível que nenhum outro piloto jamais levará na Formula 1.

Stirling acreditava que a maneira como se vencia era tão importante quanto o seu resultado e em 1958 sua ética esportiva o levou a perder o título para outro inglês, Mike Hawthorn, que tornou-se o primeiro campeão britânico da história da Formula 1.

Hawthorn foi penalizado no circuito de rua de Boavista, na Cidade do Porto em Portugal, por correr na contra-mão do circuito depois de rodar em pista. Stirling ficou do lado de Hawthorn como testemunha.

Nos últimos anos, com o surgimento de Lewis Hamilton, Sir Stirling tem estado cada vez mais presente às corridas, atuando como mentor e incentivador do jovem piloto da McLaren, a quem Stirling acredita ser um dos maiores talentos que já viu em toda a sua vida.

A homenagem da McLaren ao ex-piloto da Mercedes, ao nomear o seu novo esportivo, o Mercedes SLR McLaren Stirling Moss, é mais do que justa a um campeão em que a grandeza vai além de qualquer título.

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mercedesslrmclarenstirlingmoss-13-470x219(FOTOS: F1fanatic.co.uk)

NUMERAÇÃO PARA 2009

numbers

McLAREN
1 Lewis Hamilton (ING)
2 Heikki Kovalainen (FIN)

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

FERRARI
3 Kimi Raikkonen (FIN)
4 Felipe Massa (BR)

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BMW SAUBER
5 Robert Kubica (POL)
6 Nick Heidfeld (ALE)

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RENAULT
7 Fernando Alonso (ESP)
8 Nelson Piquet (BR)

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TOYOTA
9 Jarno Trulli (IT)
10 Timo Glock (ALE)

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STR FERRARI
11 Sebastien Buemi (SUI)
12 TBA

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RED BULL RENAULT
14 Mark Webber (AUS)
15 Sebastian Vettel (ALE)

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

WILLIAMS TOYOTA
16 Nico Rosberg (ALE)
17 Kazuki Nakajima (JAP)

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

HONDA*
18 TBA
19 TBA

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FORCE INDIA MERCEDES
20 Adrian Sutil (ALE)
21 Giancarlo Fisichella (ITA

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(*Entendendo que a equipe de Formula 1 da Honda está à venda, a FIA preservou os números de entrada da equipe para a próxima temporada e aguarda, como o resto da comunidade da Formula 1, um desenrronlar final para a situação da equipe.)

BERNIE TENTA DIVIDIR A FOTA

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É uma satisfação quando um insight, uma argumentação desenvolvida em um dos artigos do F1 Around confirma-se na prática, como aconteceu com o post anterior, “FOTA e FOM: BATALHA À VISTA?”.

O que eu não esperava era que a pequena guerra entre FOM e FOTA, que nesse momento parace ser apenas bravata verbal, eclodisse em tão pouco tempo, em apenas dois dias.

Em sua ácida resposta a Luca di Montezemolo em entrevista no TIMES Bernie jogou na mesa o que basicamente todo o bem informado fã da Formula 1 já sabe há muito tempo: que a Ferrari de Montezemolo leva uma fatia maior que o restante das equipes na divisão dos lucros do negócio Formula 1.

O problema é que Ecclestone, mais uma vez, expõe uma das maiores entraves políticos da categoria, a impressão geral de que a Ferrari, por conta do seu prestígio e apelo de marketing global, é amplamente beneficiada em detrimento do restante das equipes

Um dos trechos da entrevista de Ecclestone dá margem a uma leitura ambígua:

“A única coisa que Montezemolo não mencionou é o dinheiro extra que a Ferrari ganha a mais que todas as outras equipes e TODA AS COISAS EXTRAS QUE A FERRARI TEVE POR MUITOS ANOS.”

O que Ecclestone deseja efetivamente dizer com “TODA AS COISAS EXTRAS QUE A FERRARI TEVE POR MUITOS ANOS”?

Ao longo desse ano eu expressei o meu desgosto particular com as arbitrariedades da FIA em favor da Ferrari e punições contra Lewis Hamilton em forma de quatro artigos:

Portanto, o direcionamento do campeonato em favor da Ferrari por parte da FIA não é tema novo aqui no F1 Around, pelo contrário, a matéria é tema recorrente.

No caso da briga pública entre Ecclestone e Montezemolo há que se enxergar de forma diversa a questão. A estratégia de Bernie Ecclestone não é nova na história política da categoria, e também é bem clara: dividir uma vez mais as equipes, hoje unidas em torno da FOTA, atacando diretamente o seu presidente, Luca di Montezemolo, chairman da Ferrari.

Já para a parcela anti-ferrari de torcedores e fãs da Formula 1, a entrevista de Ecclestone ao TIMES apenas oficializa em cartório o que eles já sabiam: a Ferrari recebeu no passado e recebe hoje auxílio tácito tanto da FIA (político) quanto da FOTA (financeiro).

O bate-boca público também  expõe o pior: que diante de prejuízos, políticos ou financeiros, Max Mosley, Bernie Ecclestone e a Ferrari, aliados históricos, não vacilarão um segundo para entrar em um confronto fratricida, mesmo que para isso toda Formula 1 sofras as conseqüências.

FOTA e FOM: BATALHA À VISTA?

(Foto: wenny118 no flickr)

bernie

ECCLESTONE: na mira de Montezemolo e da FOTA

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A mais recente e ruidosa entrevista do Presidente da FOTA, Luca di Montezemolo, não é apenas uma nota no amontoado de notícias da pré-temporada. A entrevista é uma sutil, mas aguda, ameaça ao poder estabelecido de Bernie Ecclestone e de seus empregadores, o CVC Holdings, detentor de parte dos direitos comerciais da Formula 1.

Em poucas linhas, Montezemolo resume o que pode ser a inviabilidade do esporte como evento em um futuro próximo, apontando as grandes faltas de Ecclestone ao longo dos últimos anos.

50% do total dos proventos parece insuficiente paras as equipes em tempos de crise econômica e a FOTA pressionará por até 80% na divisão final do bolo.

Montezemolo também reflete que não é apenas em termos financeiros que as equipes escudadas pela FOTA deverão estender a sua influência. As equipes devem, também, ditar a maneira como a Formula 1 deve ser percebida pelo público, a logística, o formato e também a promoção das corridas.

Historicamente, Max e Bernie sempre usaram a divisão natural entre as equipes como ferramenta para enfiar goela abaixo decisões unilaterais tanto comerciais quanto regulatórias. O primeiro passo no que parece uma re-união das equipes em torno de seus próprios interesses foi a criação da FOTA. O segundo, e talvez mais importante, foi nomear o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, como o Presidente e porta voz da entidade. Garantir o prestígio da equipe mais tradicional da Formula 1 na frente de batalha pelos seus interesses, era essencial para a unidade e o fortalecimento da nova entidade.

Ao fim desse ano, vimos que Max tentou impor a padronização de motores à categoria, mas a idéia foi de imediato rechaçada pelas equipes que são propriedade das grandes montadoras. A solução foi um meio termo entre um motor padronizado e de baixo custo e a liberdade de opção entre usá-lo ou não, o que satisfez a Max e também as montadoras.

Muitas das decisões tomadas para se cortar gastos pareceram tímidas, mas foi a solução entre manter o DNA da categoria, desejo das montadoras, e a sua sobrevivência, missão pessoal de Max.

A melhor maneira de se ilustrar o embate entre as duas entidades é ver que Montezemolo sabe o quão é importante para o negócio de quem faz carros uma corrida nos Estados Unidos, o que conflita com a necessidade que tem Ecclestone e seus sócios por lucros imediatos. A corrida em solo americano certamente não será subvencionando pelo governo dos Estados Unidos, como acontece no Brasil e em países do oriente. Lá o grande evento deve ser um negócio auto-sustentável e o lucro em espécie parece sempre minguado aos olhos de Ecclestone e seus sócios.

Há sugestões por parte de cronistas da Formula 1 nesse momento de que o poder da Formula 1 começa a pender para o lado das equipes/FOTA.

O mais importante é que não há nenhum contrato formal que sustente as relações comerciais entre as equipes e o CVC, que detém sob seu poder o nome “Formula 1”.

Ao verificar isso, eu desconfio que o poder sempre esteve nas mãos das equipes e apenas agora, diante de uma crise que ameaça arrastar a todos, é que elas parecem finalmente terem saído da zona de conforto.

 

LEWIS É ELEITO O PILOTO PREFERIDO DOS FÃS DA FORMULA 1 NO MUNDO

ing-e-lewisEm pouco menos de dois anos, Lewis Hamilton conseguiu a façanha de conquistar o título da Formula 1, agora é a vez do piloto britânico conquistar coração dos fãs da Formula 1 ao redor do mundo.

A profunda pesquisa feita pela ING em conjunto com a Revista F1 Racing, mostrou que 27% do total dos fãs que votaram na pesquisa têm o mais jovem campeão da história da Formula 1 como o seu piloto preferido.

Seguido de Lewis vem, muito distante, o finlandês Kimi Raikkonen, com 16% do total de votos, seguido de Fernando Alonso com 12% e do brasileiro Felipe Massa com 9%.

A McLaren seguiu o ritmo de seu campeão e também foi escolhida como a equipe mais querida da Formula 1, com 29%, minimamente a frente da italiana Ferrari, com 28%. Em seqüência vêm Renault e Williams.

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O KERS E A CHORADEIRA DA FERRARI

(Foto: formula1.com)kimi-e-kers

(KIMI RAIKKONEN simula o peso do KERS em testes)

Para finalizar o “KERS´s Day” nada como tentar entender como a mais influente equipe de Formula 1 está encarando o desafio de dominar a tecnologia de recuperação de energia.

Eu venho monitorando há meses as reclamações públicas da Ferrari. Há um claro sinal de que a equipe parece inoperante diante do desafio que é o KERS e hoje veio a confirmação de que o time provavelmente preparará um versão “B” do seu carro para a eventualidade de o seu sistema KERS não estar pronto até o GP da Austrália.

A reclamação começou cedo, e a primeira voz a levantar-se contra a nova tecnologia foi a do próprio dono e vice-presidente da Ferrari, Piero Ferrari, em 23 de abril desse ano. As duas principais queixas do filho de Enzo referem-se aos custos de desenvolvimento e a dificuldade em aliciar mão de obra especializada e alienígena à Formula 1:

“…Eles [a FIA] nos fazem gastar dinheiro para desenvolver o KERS, do qual não podemos avaliar o custo precisamente porque é uma nova tecnologia baseada em um conhecimento fora do alcance dos tradicionais engenheiros [da Formula 1]. Baterias de ata capacidade e motores elétricos de alta performance precisam de engenheiros especializados, de fora do mundo do automobilismo.”

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McLAREN JÁ TINHA KERS EM 1999

(Foto: formula1.com)mp4-141

(MIKA à frente de Michael Schumacher: o MP4-14, mesmo sem KERS em 1999, foi um carro vencedor)

Como eu aponto no post anterior, há muito barulho sendo feito a respeito do sistema de recuperação de energia (KERS) que estará nos carros de Formula 1 no ano que vem. Existem equipes que consideram correr sem o sistema (Toyota, Ferrari), outras que já o testaram em pista (BMW e McLaren).

O KERS, no entanto, não é uma tecnologia que adentrou ao mundo automobilístico hoje, nem tão pouco ao mundo da Formula 1.

Ninguém se recorda, mas a primeira equipe a desenvolver um sistema KERS específico para a Formula 1 foi a McLaren em 1999, usando um sistema criado pela Ilmor, subsidiária fabricante de motores da Mercedes.

Basicamente, a tecnologia desenvolvida pela McLaren recuperava a energia cinética dissipada pelos freios utilizando pressão de fluido hidráulica. O KERS provia o carro de mais 30kw de energia elétrica, permutada em aproximadamente 40hps (O sistema de hoje fornecer ao máximo 80hps) durante 4 segundos e poderia ser usado várias vezes a cada volta.

O resultado do avanço técnico-ambiental feita pela McLaren há dez anos atrás é que Max Mosley baniu o sistema alegando altos custos de desenvolvimento. O temor de Max era que o sucesso do KERS da McLaren em 1999 gerasse uma possível corrida das outras equipes em busca de seus próprios sistemas, o que impactaria os seus orçamentos e poria em risco o equilíbrio econômico da categoria à época.

Ironicamente, Max volta-se hoje para o KERS justificando a sua tardia adoção na Formula 1 como uma resposta da categoria à premente consciência ecológica que cresce na sociedade moderna.

Há quem ache que o banimento há dez anos atrás, quando o lobby ecológico não tinha o mesmo apelo que hoje, foi o caminho certo a se seguir. Mas há também outras vozes que acusam o atual dispêndio de milhões de dólares para o desenvolvimento da tecnologia do KERS um grande erro que poderia ser adiado diante do cenário de crise econômica mundial muito mais grave hoje que em 1999.

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SAIBA MAIS SOBRE O KERS:

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KERS PODE OBRIGAR EQUIPES A CONSTRUIREM DOIS CHASSIS PARA 2009

(Foto: Antonio Acevedo)bmw-and-gloves

(MECÂNICOS CALÇAM LUVAS: BMW foi a primeira equipe a pôr o KERS em pista)

Quando mais nos aproximamos da temporada de 2009 mais surgem tópicos de discussão a respeito do sistema de recuperação de energia cinética, o KERS.

Um dos tópicos mais interessantes é levantado por Keith Collantine no F1Fanatic hoje: seria possível as equipes construírem dois chassis, um com o KERS e outro sem o sistema? A Pergunta de Keith foi instigada pela recente entrevista de Robert Kubica, na qual o polonês sugere que um “carro construído para equipar o KERS é menos rápido que outro que não precise carregar o sistema.”

A questão não é nova e já havia sido considerada há alguns meses atrás pelo diretor técnico da McLaren, Martin Whitmarsh, “que sugeria que a equipe deveria cobrir todas as possibilidades, inclusive a de correr com carro sem o sistema.”

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McLAREN LUCRA COM O TÍTULO DE LEWIS

(FOTO: vodafone.com)vodafone1

O mundial de pilotos conquistado em solo brasileiro por Lewis Hamilton a pouco mais de um mês não poderia ter vindo em melhor hora para a equipe britânica. O título começa, de verdade, a render valiosos dividendos em meio a crescente crise econômica mundial.

A equipe confirmou hoje a parceria com a fabricante mundial de computadores LENOVO, sponsor que tirou da equipe Williams sem fazer muita força.

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BUEMI PÕE TEMPO EM VETTEL

(FOTO: formula1.com)buemi1

Nos treinos de Jerez hoje, Sebastian Buemi talvez tenha conquistado hoje a sua mais confiável credencial para sentar de vez em um dos carros da Toro Rosso no ano que vem. O jovem piloto franco-suíço bateu, por uma diferença considerável (0.3s) o hiper valorizado Sebastian Vettel pilotando agora o carro da Red Bull, na pista de Jerez de La Frontera.

Os testes de hoje fazem parte da impressionante seqüência de bons tempos que Buemi vem alcançando ao longo dessas duas últimas semanas de testes, inclusive batendo os potenciais concorrentes a um lugar na Toro Rosso, Takuma Sato e Sebastien Bourdais.

Há ainda muitas dúvidas a respeito do seu companheiro para o ano que vem. A lista vai de Jenson Button até Bruno Senna, passando por Sebastien Boourdais e Takuma Sato. O japonês, pelo que pode trazer de patrocínio, parece o favorito a dividir a Toro com o já virtual titular Buemi.

Testes de pré-temporada são sempre inconclusivos, mas o relatório do teste em Jerez foi feito pelo onipresente e respeitável Jonathan Noble da Autosport. Nas entrelinhas, Noble sugere que Buemi pode, sim, ter posto tempo em Sebastian Vettel, inclusive com a interessante observação de que “Vettel perdeu o controle do carro algumas vezes ao fim da reta de Jerez.”

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OS TEMPOS DE HOJE:

1. Sebastien Buemi             Red Bull                 1:17.029

2. Sebastian Vettel            Red Bull                 1:17.319

3. Nick Heidfeld                  BMW Sauber        1:19.303

4. Robert Kubica                BMW Sauber        1:20.006

5. Kazuki Nakajima            William                  1:20.332

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Lewis e Ayrton, de novo…

ARTIGO →

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O vídeo editado pela FIA e que foi exibido na festa de gala organizada para a entrega dos troféus de 2008, tem causado aqui e ali algumas controvérsias (o que na Formula 1, afinal, não gera controvérsia?). O vídeo é uma bem intencionada e singela homenagem da FIA a Lewis, revelando as semelhanças entre o jovem piloto e seu grande herói.

Mas há muita gente acusando a FIA de forçar a barra ao estimular comparações entre Ayrton Senna e Lewis Hamilton. No fundo, há um quê de ironia no início do vídeo. A voz de Senna aparece fantasmagórica, professando uma das grande qualidades de Ayrton, a capacidade de “aproveitar todas as chances, correr todos os riscos, para ter o prazer de ser P1 (position one, o número 1, o melhor!).”

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REABASTECIMENTO

(FOTO: formula1.com)jos-verstappen

(JOS VERSTAPPEN e mecânicos quase não sobrevivem ao primeiro ano em o reabastecimento virou regra)

O F1 Around começa a colecionar referências interessantes em importantes blogs que tratam da Formula 1. Primeiro foi no super blog inglês F1fanatic de Keith Collantine. Agora foi no prestigiado Blog do Capelli.

Analisando as mudanças que transformarão a Formula 1 nos próximos anos, Capelli, linkou o F1 Around como fonte primária da tradução do texto publicado pela FIA. Aqui vai o meu agradecimento ao Capelli!

Sobre a análise do Capelli, ele faz interessantes observações sobre a quase nulidade das medidas econômicas feitas pela FIA e FOTA e observa também que:

“A medida mais impactante – e surpreendente – de todas é a proibição do reabastecimento em 2010. Por essa ninguém e esperava e, isso sim, mudará a dinâmica das corridas a partir de então. O que será bom.”

Capelli observou bem. Quando implementado em 1994, o reabastecimento tinha como objetivo acrescentar mais um elemento de excitamento a Formula 1, tentando embaralhar os carros ao longo das provas e, conseqüentemente, adicionando mais imprevisibilidade às corridas.

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UMA OUTRA FORMULA 1

NOTÍCIA →fia-2

Acaba de ser publicada pela Autosport as mudanças que redimensionarão a Formula 1 nos próximos anos. FIA e FOTA esperam que as medidas tenham um significativo impacto no orçamento das equipes em um futuro próximo. Segundo a FIA a economia chegará a 30% do total dos orçamentos de 2008.

Abaixo, as medidas como publicadas pela FIA:

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QUAL FOI A MELHOR ULTRAPASSAGEM NA TEMPORADA DE 2008?

O Blog F1Fanatic de Keith Collantine está elegendo a melhor ultrapassagem do ano. E eu fiz, abertamente, uma forte campanha em favor de Nick Heidfeld no F1Fanatic, como você pode observar clicando AQUI.

A verdade é que pelo conjunto da obra, Heidfeld merece. Esse ano ele fez três maravilhosas ultrapassagens duplas sobre grandes pilotos que guiavam também grandes carros.

Na Malásia ele deixou para trás ao mesmo tempo, no mesmo pacote, “apenas” o bicampeão Fernando Alonso e o perigosíssimo, e agora aposentado, David Coulthard.

Já na caótica corrida de Silverstone, o alemão fez nada mais nada menos que duas ultrapassagens duplas. A primeira em cima de Timo Glock, e de sua vítima favorita, Fernando Alonso. Logo depois, nos dois finlandeses que pilotam carros infinitamente superiores ao dele, Kimi Raikkonen e Heikky Kovalainen.

Em 2008, “Quick Nick” ficou em 6º lugar no total de ultrapassagens feitas em toda a temporada. Kubica, seu reclamão companheiro de equipe, em 14º.

Se você ainda duvida da habilidade do homem, veja os dois vídeos abaixo com as duplas ultrapassagens.

E para você, qual foi a mais incrível ultrapassagem de 2008 em sua opinião? Eleja a sua na sessão de comentários.

ULTRAPASSAGENS NA MALÁSIA

ULTRAPASSAGENS NA INGLATERRA

A SAÍDA DA HONDA: TEORIA DEFINITIVA

NOTÍCIA →

Há muitas teorias a respeito da debandada da Honda da Formula 1 (inclusive a minha) circulando por aí: crise econômica nos Estados Unidos, incompetência gerencial, estratégias de marketing equivocadas, etc, etc, etc… 

No entanto, a mais interessante, e simples, foi encontrada pelo jornalista inglês Brad Spurgeon, na revista anglo/francesa AutoHebdo, especializada em automobilismo.

Após a fatídica entrevista em que anunciava a desistência da sua empresa da Formula 1, Takeo Fukui, presidente da Honda revelou em off, fora dos microfones, para uma meia dúzia de jornalistas o que pensava da “sua” equipe de Formula 1:

[A Honda era] uma equipe inglesa, dirigida por ingleses e nós não éramos nada a não ser apenas os financiadores.

A teoria de que o afastamento de certos engenheiros japoneses em postos chaves da equipe foi um dos principais motivos ganha mais força.

 

O QUE DESEJAM OS FÃS DA FORMULA 1

NOTÍCIA →

f1-racing-ing-pesuisaOs resultados para medir a satisfação do fã de Formula 1 ao redor do mundo, encomendado pela revista F1 Racing e a companhia de seguros ING, revela maciçamente o desejo por mais ultrapassagens.

Para que se aumentem as ultrapassagens, 81% concordam que deva haver mudanças na configuração dos carros e 70% também apóiam a mudança no traçado dos circuitos.

Mais de 70.000 fãs (eu aí incluído!) de mais de 160 países responderam ao questionário. A amostragem é monstruosa e permite que se tenham dados efetivos para se formatar a Formula 1 de acordo com o desejo do telespectador.

Um ponto interessante no resultado da pesquisa é que há uma clara contradição entre o desejo do público pela melhora na qualidade das corridas e a maneira arbitrária com que a FIA gerenciou controversos momentos nessa última temporada, principalmente a penalização de Lewis Hamilton no GP da Bélgica, que gerou protestos raivosos de fãs ao redor do mundo.

Outro resultado interessante é entender que 90% dos fãs de Formula 1 informam-se sobre a categoria através da internet, por meio de sites dedicados exclusivamente ao esporte, como esse modesto blog.

OUTROS RESULTADOS DA PESQUISA:

  • 90% — Acreditam que a Formula 1 deva permanecer em circuitos tradicionais;
  • 88% — Dão mais importância à habilidade do piloto;
  • 83% — Desejam que o esporte continue como o topo do desenvolvimento tecnológico;
  • 35% — Acham que tecnologia é o aspecto mais emocionante da Formula 1;
  • 97% — Assistiram as corridas pela televisão;
  • 93% — Também acompanharam as corridas pela Internet;
  • 44% — Acompanham a categoria através de curtas matérias produzidas pela televisão e…
  • 19% — …É o total dos que ainda se informam através de jornais diários impressos.

COMPARANDO…

NOTÍCIA →

Nem sempre o equilíbrio entre forma e função significa um ganho de performance em pista, mas não há dúvida de que o bico e a asa redesenhados até agora pela McLaren para a temporada de 2009, tem mais elegância do que as soluções apresentadas até agora por BMW e Williams.

As chapas que compõe a asa dianteira foram desenhadas em uma curvatura que filtra o fluxo de ar em direção ao centro do carro, abaixo do bico, ao invés da solução da Williams, que permite que trechos do bico se choquem com o vento. A BMW seguiu solução semelhante a da McLaren, mas o desenho da equipe alemã tem menos organicidade e beleza natural que o da McLaren.

carros-20093(FOTOS: motorsport.com)

PÓS-REUNIÃO FIA/FOTA

NOTÍCIA →

Pelas declarações de Max Mosley, presidente da FIA e Luca de Montezemolo, presidente da FOTA, a entidade que representa as equipes de Formula 1, a reunião de hoje em Monte Carlo foi produtiva.

Em um comunicado conjunto, as duas entidades concordam que “essa foi a mais bem sucedida reunião na opinião de seus participantes.”

Os detalhes e pontos de acordo a que chegaram as duas entidades só serão apresentados na sexta-feira, mas acredita-se que entre as medidas para a diminuição de gastos estarão:

  • A redução do número de testes;
  • Tempo de hora/homem nos túneis de vento;
  • Redução em desenvolvimento aerodinâmico;
  • Além da adoção de mais partes padronizadas nos carros, como caixa de câmbio, motores e freios.

Sexta feira, portanto, o anúncio oficial de uma nova Formula 1.

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