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A confusão criada pela Bridgestone

(FOTO: Bridgestone/divulgação)bridgestone

No fim da última semana a Bridgestone anunciou as especificações de pneus para as primeiras cinco corridas do ano. Diferentemente do ano passado, os dois compostos levados para cada corrida irão variar dois passos em níveis de rigidez. Por exemplo, se em uma corrida em 2008 a fornecedora japonesa levou médios e duros, esse ano levará os macios e médios. Espera-se então uma maior variação de performance entre as equipes por conta dessa diferença entre compostos levados para um fim de semana — o que supostamente evitará reclamações como as de 2008 feitas pela Ferrari (do quê, afinal, a Ferrari não reclama?).

O recente anúncio suscita uma questão: você, por acaso, já se perguntou por que a fornecedora japonesa disponibiliza dois compostos por corrida? Se questionados, os engenheiros japoneses dirão que a Bridgestone tenta otimizar o máximo de performance com o máximo de segurança — além de ser a F1 a principal plataforma para o desenvolvimento de seus produtos.

Para alguns, no entanto, a FIA se rendeu a uma simples jogada de Marketing da Bridgestone.

Em teoria a Formula 1 deveria ser a grande arena para que companhias que dividem segmentos de mercado atrelados à indústria automobilística duelassem: Mercedes  vs  BMW; Toyota   vs  Honda; Bridgestone   vs  Michelin. São esses duelos que fazem com que atenção do público vá além de equipes e pilotos e concentrem-se também nos fornecedores secundários.

Com o abandono da francesa Michelin no final de 2006, encerrou-se a guerra que vinha sendo travada entre as duas gigantes fabricantes de pneus. A Bridgestone viu-se então solitária e esquecida, sem a devida atenção e exposição espontânea de mídia que tinha durante a batalha com a Michelin nos anos anteriores.

Que solução a FIA encontrou para que os pneus fossem responsáveis por algum excitamento e imprevisibilidade e gerasse exposição para a fornecedora? A entidade criou uma regra arbitrária que obriga as equipes a usarem dois compostos de pneus por corrida.

Além de criar mais um complicador para a percepção do público, a regra criou alguns problemas nos últimos dois anos: a McLaren foi obrigada a pôr Lewis Hamilton em uma estratégia de três paradas na Turquia em 2008 porque o MP4/23 configurado para o estilo de pilotagem do inglês pressionava os compostos menos rígidos a uma “força G” que poderiam causar um acidente na curva 8 do circuito. Após as corridas na Alemanha e China, a Ferrari reclamou publicamente da composição mais dura, que em conjunto com temperaturas ambientes amenas, tirou alguns décimos de performance da equipe.

A solução, óbvia até, seria a Bridgestone permitir que cada equipe usasse o composto que melhor se adaptasse as características naturais de cada carro. Pneus mais macios para a Ferrari que tem um carro que privilegia a aerodinâmica e come menos borracha, e mais duros e resistentes para o estilo de pilotagem de Lewis. Tal arranjo talvez gerasse mais discussão do que a atual regra.

Em algum momento a FIA encontrará problemas que lhe fará banir tal regra, mas observando a posição de fornecedora única que a Bridgestone goza no momento, isso pode demorar um pouco.

Discussão

10 comentários sobre “A confusão criada pela Bridgestone

  1. Becken- Você sabe como são escolhidos os compostos pra pista?
    Por exemplo, se acham que o composto ideal pra pista X é macio, eles escolhem extra macio e medio.
    Ou seja, um abaixo e um acima do composto considerado ideal.
    Penso que algo diferente disso tenda a favorecer um tipo de carro (MacDonalds ou Ferrorama), caso se desloque o ponto ideal para pneus mais macios ou mais duros.

    Publicado por Thiago | 04/03/2009, 9:07 am
  2. Quais são as mudanças que a FIA determinou à Bridgestone para 2010? Sei que são por conta do KERS. Seriam nas dimensões dos pneus, ou tem algo a ver também com compostos?

    Abraço.

    Publicado por Iomau | 04/03/2009, 9:24 am
  3. O que eu sei é que a Bridgestone determina os compostos de acordo com as caraterísticas do asfalto.

    Geralmente a companhia tem dados do ano anterior e dependendo da média de desgaste/performance eles tendem a mudar para o próximo ano os compostos.

    Por exemplo, no Brasil em 2007 eles levaram macios e super macios. A intenção era compensar o tradicional asfalto irregular de Interlagos com compostos que teoricamente gerariam mais aderência naque tipo de superfície.

    O problema é que a prefeitura de São Paulo havia recapeado toda pista. Com um novo asfalto, a pista tornou-se mais abrasiva e como consequência algumas equipes enfrentaram sérios desgastes com os compostos mais macios.

    Em 2008 eles tetaram corrigir e levaram médios e macios, mas com a chuva não podemos perceber como esses compostos reagiriam a uma corrida sob o sol e calor.

    Sobre os ´neus de 2009, sim, eles mudaram oa composição da borracha. Não haverá mais as mantas térmicas, por isso foi criado um pneu que aquece e gera aderência mais rapidamente que o atual.

    O Pedro de la Roda falaou deles:

    http://www.autosport.com/news/report.php/id/73525

    Publicado por Becken Lima | 04/03/2009, 9:39 am
  4. Aos poucos estes testes vão tomando cara de F1…
    Esquentando os motores para a temporada!

    Publicado por Ron Groo | 04/03/2009, 9:53 am
  5. Sempre achei essa regra besta. Cria uma variável de performance totalmente aleatória e artificial. É difícil de entender, as corridas funcionaram (e ainda funcionam, em outras categorias) muito bem sem essa lambança.
    Becken, de quem foi essa iniciativa, você sabe? Se foi do Max, era de se esperar…

    Publicado por The Stig | 04/03/2009, 10:10 am
  6. Eu acho que a Bridgestone pressionou o Max nessa!

    Publicado por Becken Lima | 04/03/2009, 10:13 am
  7. Mosleuy levantou a possibilidade de mudança nas dimensões dos pneus. Entre elas as possibilidades, pneus traseiros mais largos ou os dianteiros mais finos.

    Pra quem não se lembra como eram…

    http://www.motortrend.com/auto_news/112_0703_rm_auction_maranello/photo_02.html

    A F1 está saudosista…

    Publicado por Vitor, o de Recife | 04/03/2009, 10:16 am
  8. pois é, seria muito mais bacana se a fábrica disponibilizasse os dois componentes diferentes mas sem a obrigação de usá-los.

    Assim durante a corrida o piloto pudesse avaliar qual seria a melhor estratégia.

    Publicado por Beatle Ed | 04/03/2009, 12:18 pm
  9. Essa é uma das muitas coisas chatas que eu abomino na Fórmula-1. Um monte de regras e mudanças bestas, presas a detalhes que tornam cada vez mais complicado e cansativo acompanhar um GP, forçando todo mundo a observar detalhes desnecessários, que vão além do duelo entre carros e pilotos. Como se já não bastassem as chatíssimas estratégias de pitstops, que levam a cálculos de diferenças de tempo que em outros tempos não existiam (não da forma como acontece hoje).

    É o tipo de coisa na qual eu não faço a menor questão de me aprofundar, porque basta uma reclamação coletiva ou um incidente polêmico para que a FIA estabeleça uma nova mudança.

    Publicado por Alexandre Carvalho | 04/03/2009, 5:50 pm
  10. Pra mim, também não faz sentido essa regra de ter que usar os dois tipos de pneu na corrida, em que isso “melhora” as corridas. É uma regra idiota que a FIA inventou como muitas outras que nunca surtiram efeito. Assim como os pneus sulcados e aquela asneira de não trocar pneus no final de semana dos GPs no campeonato de 2005!
    Becken, com todo o seu conhecimento, gostaria de sugerir para você fazer um post sobre as piores regras feitas pela FIA na história da F-1, aquelas que nunca deram em nada ou quê só piorou as corridas tornando-as perigosas ou chatas por exemplo.
    Valeu!

    Publicado por Jobson | 05/03/2009, 3:44 pm

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