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Assistindo a Formula 1 com os filhos

(FOTO: Acervo pessoal)joao(MEU FILHO: um futuro apaixonado pela F1)

Enquanto grande parte de meus amigos está convertendo os seus filhos em torcedores de seus clubes de futebol do coração, eu estou iniciando o meu na fina arte de apreciar uma corrida de Formula 1. Sim, eu sou daqueles fanáticos que acham que a Formula 1 é superior ao futebol, assim como prosa é superior à poesia (abordarei o tema no futuro).

A tarefa talvez não seja tão dura quanto à de alguns amigos palmeirenses fanáticos que, contam eles, já deixaram os seus rebentos a pão e água, trancafiados em seus quartos a fim de evitar qualquer deslize do pequeno torcedor para o lado do time adversário.

Para iniciar o seu rebento na arte de assistir a uma corrida de Formula 1, você não precisará desses métodos à la Jack Bauer. Existem seriados, longas metragens infantis e jogos eletrônicos que podem contribuir muito para que a sua cria entenda desde cedo os conceitos básicos de uma corrida de F1.

Em termos de cinema, o longa-metragem Carros, da Pixar/Disney, por exemplo, é ótimo para que seu filhote apreenda os conceitos iniciais de ultrapassagens, pit stops e até patrocinadores.  De brinde, o filme é cheio da mais vertiginosa ação sobre rodas — a cena inicial não deixará você piscar de tão emocionante — além de contextualizar aqueles valores típicos dos filmes da Pixar, como a importância de amigos verdadeiros e duradouros em nossas vidas.

Já com relação às séries, Roary, do canal Discovery Kids, que no Reino Unido é narrada por Stirling Moss, é ideal para a educação automobilística dos pimpolhos. Cheia de ação e diversão em alta velocidade, ela transmite também lições e conceitos como segurança de trânsito, solidariedade, preocupação com o meio ambiente, respeito pelos outros indivíduos, superação do escuro e ética esportiva.

Além de séries e longa metragens, há também jogos eletrônicos como Grand Prix 4 que, se jogados em conjunto, oferecem uma interação maior entre a criança e conceitos de pilotagem, além de ajudá-lo a identificar rapidamente equipes e pilotos.

Claro que nada substitui a interação mais simples e objetiva, que é assistir às corridas com seu filhote ao lado, explicando você mesmo o que ocorre em pista.

Nesses quatro anos assistindo às corridas ao lado do João, eu notei interessantes padrões, como o seu gosto por acidentes catastróficos, por corridas com chuva, por paradas nos boxes e pelo circuito de Mônaco, mais especificamente o trecho do túnel.

Ele também adora os carros vermelhos da Ferrari, o que me oferece um “insight” dentro da psicologia do torcedor Ferrarista que, segundo minha sofisticada psicologia de boteco, deve muito do seu amor a esse impulso cromático da infância (metade dos torcedores da Ferrari que conheço não sabe quem foi Enzo Ferrari!).

No fundo, a questão resume-se a divertir-se partilhando uma grande paixão e perpetuando-a através dos filhos. Muitos fãs de Formula 1 vêem às corridas sozinhos, solitários e mudos. Não há, portanto, ninguém melhor do que os filhos para partilhar um esporte tão complexo e fascinante como a F1.

E você, tem filhos? Assiste às corridascom eles? Se sim, conte a sua experiência e dê alguma dica na sessão de comentários.

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Discussão

14 comentários sobre “Assistindo a Formula 1 com os filhos

  1. Não tenho ainda, mas, quando tiver vou contar para ele que o maior de piloto de todos os tempos foi um tal de Nelson Piquet.

    Depois vou dizer que teve um alemão que era quase tão bom quanto o Piquet, um tal de Schumacher, mas que Piquet era um semi-deus automobilístico, portanto, nem os 7 títulos de Schumacher rivalizariam com os 3 do grande mestre.

    Depois vou falar que apesar dele ouvir da maioria dos colegas que um tal de Senna era o maioral, vou falar que Piquet fez a maior ultrapassagem da história do esporte em cima dele, e, ainda, que meteu 1,2 segundos quando testaram com o mesmo equipamento (ganhando uma aposta de U$ 100.000 do Tio Bernie).

    Tá, vou dizer também que esse tal de Senna era também quase um semi-deus, que fez uma das maiores primeiras voltas da história da F1. E que na chuva esse cara (que era um chato de galocha) era o melhor que já existiu.

    Vou dizer que o Brasil já chegou a ter dois tri-campeões de F1 disputando o mesmo campeonato.

    Por fim, vou falar da sorte que o garoto teve de nunca ouvir falar de uma tal de Rubens Barrichello.

    Vou mostrar o vídeo da final mais fantástica da hisória da F1, e dizer que o tal de Massa teve fibra, raça e gana, mas, infelizmente foi derrotado por um máu caráter que era também um excelente piloto.

    E o melhor disso tudo é que ele vai acreditar em tudo que eu disser e vai ser um pé no saco dos amigos dele, igualzinho ao pai.

    Abraços a todos.

    Publicado por Cassius Clay Regazzoni | 14/04/2009, 9:58 pm
  2. Não tenho. Mas foi influenciada pelo meu pai quando era adolescente. Eu tenho quatro irmãs, então são cinco mulheres contando com minha mãe. E todo domingo era assim, meu pai sozinho na sala assistindo a corrida enquanto as mulheres assistiam a outra coisa na TV do quarto.

    Certo dia, não sei o porquê fiz compania ao meu pai torcedor de Senna e passei a me interessar pela coisa, sem pressão alguma do meu pai, apenas movida pela minha própria curiosidade. Meu pai não era um poço de informação, já que ele não era um fanático por F1, ele se (des)informava pela Globo mesmo. :) Porém já era o suficiente para prender minha atenção.

    Após a morte de Senna, meu pai como muitos torcedores pararam de ligar a TV no domingo de manhã. Mas eu já estava viciada, acordava cedinho e lá eu ficava até a última gota de champanhe ser derramada no pódio. Aí a coisa foi piorando (ou melhorando) passei a acordar de madrugada também, muito a contragosto de minha mãe.

    Eu não moro mais com meu pai, mas sempre quando nos encontramos, é ele agora que me pede explicações sobre os pilotos, equipes e regras.

    Publicado por Larissa Oliveira | 14/04/2009, 10:37 pm
  3. Excelente post, na verdade nunca vi nada parecido com isso.
    Tenho um filho de 3 anos e tento ao máximo compartilhar com ele minha paixão pela Fórmula 1, e creio que estou conseguindo…
    Bom, pelo menos em alguns dos pontos citados estamos indo bem, por exemplo: O filme Carros, meu filho adora, tem mais de 40 miniaturas…
    Ele também gosta muito dos carros vermelhos, mas seu interesse mesmo é pelos nomes “diferentes” dos pilotos, e é nisso que consigo prender a atenção e obter mais alguns minutos de sua companhia. Toda hora eu fico: olha o Fisichella, aquele é o Alonso… qual a cor do carro do Rubinho ? Olha só o que o Nakajima aprontou (sim, ele adora o nome Kazuki Nakajima e também a história do papai Satoru).
    Ele também se diverte muito quando torço, grito e vibro nos momentos da corrida, enfim, é meu grande companheiro.

    Publicado por Gustavo Perim | 14/04/2009, 11:08 pm
  4. Bonito Post.

    Lembrei de um certo garoto, que começou a gostar dessas coisas, assistindo a corridas com o Pai, talvez para que no fundo as pessoas achassem que ele estava ficando “hominho”

    O tempo passou,o virus do negócio contaminou o garoto, ele cresceu, hoje é pai de um garoto e duas garotas, mais continua vidrado em tudo que corra e dispute posição fazendo barulho, a ponto de passada a meia noite, ainda estar aqui comentando um post nesse blog.

    Publicado por Sirlan Pedrosa | 15/04/2009, 12:14 am
  5. Não tenho filhos nem quero tê-los, mas seria bacana conhecer o João. Assim como ele, também sou fã dos acidentes catastróficos, especialmente aqueles envolvendo vários carros numa tacada só, como aconteceu na Bélgica em 1998 e na Inglaterra em 1973. :-P

    Publicado por Alexandre Carvalho | 15/04/2009, 2:12 am
  6. Achei que fiquei presa no Akismet, e acho que escrevi tenho quatro irmãs quando na verdade queria dizer somos em quatro. Estava morrendo de sono, releve qualquer erro sem noção. :)

    Publicado por Larissa Oliveira | 15/04/2009, 8:36 am
  7. Mais um interessante post Becken!

    Curioso, nunca tive nenhuma influência aqui em casa. Quando pirralho, costumava jogar aquele bom e velho “Super Monaco GP”, o primeirão que tinha um cara idêntico ao Piquet numa “Bestwall” (era esse o nome da Benetton?) e outro pareecido com o Senna que começava na “Bullets”.

    Gostei do negócio e fui ver como era “de verdade” e aí me viciei. Peguei o começo dos anos 90.

    Acho que agora é uma época legal para iniciar os “pimpolhos”, pois na pista a categoria está mais disputada e criança não liga para a politicalha que é o que estraga a brincadeira. Ruim seria iniciar os rebentos em 2002 ou 2004. me lembro de estar assistindo uma corrida nessa época e minha mãe perguntar “qual a graça de ver isso? Todo mundo sabe que o Schumacher vai ganhar”, HAHAHAHAHAHAHA!!!!

    Publicado por Vitor, o de Recife | 15/04/2009, 9:38 am
  8. “Nesses quatro anos assistindo ás corridas ao lado do João, eu notei interessantes padrões, como o seu gosto por acidentes catastróficos, por corridas com chuva, por paradas nos boxes e pelo circuito de Mônaco, mais especificamente o trecho do túnel”.

    Hahahaha…

    Tenho uma filha de 09 anos que, assim como a mãe, não conseque entender meu “duvidoso” prazer em ficar assistindo aqueles carrinhos barulhentos dando voltas e mais voltas no mesmo lugar.

    Mas meu filho de 02 anos pelo menos é doido-alucinado-doente-obcecado por carros (que ele chama de “bi-bi”), não necessariamente por corridas, ainda.

    Volta e meia coloco ele no colo para “jogar” GP4, F1 Challenge da EA, e RFactor (sim, tenho os principais simuladores comerciais de f1, com diversos mods das temporadas de 1986, 1988, 1991, 1999 a 2000, 2007 e 2008!)

    Outro dia comprei um volante para mim e um mais baratinho para ele, que gostou.

    Engraçado é quando vou passear na casa de meu pai e levo o volante comigo. Meu pai olha para mim, com 33 anos, casado, com dois filhos, advogado, e diz “ô meu filho, tá ficando abestalhado, é? bricando de carrindo igual a menino?”

    O jeito é rir, porque não adiante tentar explicar…

    Publicado por Luiz Carlos | 15/04/2009, 10:28 am
  9. O filme “Carros” é bom mesmo para as novas gerações. Mas o que marcou minha infância foi outro da Disney, “Se Meu Fusca Falasse”.

    Publicado por Hamilton | 15/04/2009, 11:45 am
  10. Hamilton – vc não vai acreditar, mas o meu filho está completamente viciado na nova versão do Herbie feita pela disney chamada, Herbie, meu Fusca turbinado”.

    Eu já nem sei quantas vezes eu vi o filme, mas a trilha sonora já me dá náuseas…srsrsrsrs

    Luiz Carlos – Eu desconfio que haja uma propensão genética para meninos gostarem de carros tão cedo, alguém precisa ir a campo para levantar algum dado a respeito…

    Sobre o seu pai, é interessante notar como há um grande gap entre gerações no passado mas os hábitos de entretenimento seja agora tão semelhantes e aproximem tanto os que estão na casa dos trinta para baixo. Todo os meus amigos, na casa dos trinta, jogam videogame…

    Publicado por Becken Lima | 15/04/2009, 12:05 pm
  11. When the son becomes the father,
    and the father becomes the son.

    Publicado por leof1 | 15/04/2009, 1:45 pm
  12. Quando minha filha (8 anos) começou a me acompanhar no sofá Alonsito e sua Renault estavam no auge. Ela perdeu um pouco do interesse quando Alonso foi para a McLaren, mas até hoje ela quer saber como ele (e a Renault, ainda bem que ele voltou) estão. Ela também me pergunta sobre os pilotos da Williams. Acho que quando ela começar a perceber sozinha o que está acontecendo na tela nunca mais vai se livrar do vício. Houve uma época em que ela quis se aproximar de um time adversário e eu adotei técnicas (in)dignas de torcedor de futebol, com muito choro, muitas ameaças e muita chantagem emocional para não permitir, por enquanto está funcionando.

    Publicado por Aline Rodrigues | 15/04/2009, 5:15 pm
  13. http://vidadowill.blogspot.com/2008/09/domingos-de-velocidade.html

    Já escrevi sobre isso…F1 ao lado do velho…sem igual!

    Publicado por Will | 08/02/2010, 10:42 am
  14. Muito bom o post Becken, deveria fazer mais destes. Meu filho tem só 2 anos e oito meses e é viciado em carros, q antes ele chamava de “bu-bu” e agora já chama de carrinho. Como a maioria dos relatos, eu tb comecei a assistir F-1 por influência do meu pai q acordava cedo aos domingos para acompanhar. Ainda não despertei o interesse em F-1 no moleque, mas vou adotar algumas das dicas acima.

    Abração

    Publicado por Alex-Ctba | 08/02/2010, 12:51 pm

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