//
você está lendo...
ARTIGOS

Flávio Briatore e o valor das marcas na F1

(IMAGEM: Renault/Divulgação)renault(RENAULT: a companhia francesa junta-se em coro a Ferrari contra a FIA e Flávio revela o maior medo das grandes fabricantes)

A Renault juntou-se ontem à Ferrari na tentativa de fazer a FIA reconsiderar a sua decisão unilateral em impor um teto orçamentário e criar uma categoria que “opere sob dois escopos diferentes de regras.” O anúncio não foi surpresa. Era um movimento dado como certo nos bastidores, mas o que mais me impressionou foi a entrevista de Flavio Briatore hoje, no Gazzeta dello Sport.

Para Briatore:

…o surgimento de novas equipes que não tem as características para serem admitidas no campeonato mundial [de F1] também não pode ser aceitável.

Talvez ele [Max Mosley] tenha o apoio de alguns equipes pequenas, daí a sua excitação. De qualquer maneira, o que acontecerá com o campeonato será produto do que o Conselho mundial votar, o que significará que as equipes que competirão sob o teto orçamentário, estarão à frente daquelas que não aceitarem esses limites, graças a liberdade técnica e de design.

Isto é inconcebível. Desta maneira você estará manchando não apenas a imagem, mas também o valor daqueles que investem dinheiro na F1.

— Flavio Briatore

O que Flávio quer dizer, na inculta e bela língua de Olavo Bilac, é que o cenário visto hoje, em que a Brawn está fazendo McLaren, Renault e Ferrari engolirem o seu orgulho e orçamentos estratosféricos, afeta o valor que suas marcas projetam para o mercado.

Ser derrotado pelas consagradas Mercedes ou Ferrari está dentro do jogo, mas ser humilhada pela inexpressiva e recém nascida Brawn GP, ou por uma LOLA empurrada por um motor Cosworth, é outra história bem diferente.

O grande apelo da F1, ser uma arena para que essas grandes marcas duelem e assim desenvolvam seus produtos e exponham o valor de suas marcas, estaria acabado.

James Allen faz uma interessante observação em seu blog, pontuando que a Ferrari tem investindo montanhas de dinheiro em “branding” — com atividades paralelas ao seu negócio principal, como licenciamento de produtos e merchandising — e desafiar o poder da FIA é um calculado e inteligente exercício de fortalecimento de sua marca e revalorização de seu papel mítico no mundo automobilístico.

Se Max Mosley recuar um milímetro de sua imposição, a Ferrari prova por A mais B que é infinitamente mais importante que a F1.

Nos últimos anos a F1 e Max Mosley atiraram no próprio pé continuamente: escândalos sexuais, punição a pilotos que revoltaram fãs ao redor do mundo, regras mal elaboradas, desconhecimento de seu próprio regulamento e assim em diante…

Pode-se discutir infindavelmente se a Ferrari é mais importante que a F1, mas o que não se discute é que os italianos cuidam muito bem do que é deles.

Discussão

Um comentário sobre “Flávio Briatore e o valor das marcas na F1

  1. Esqueceu de dizer que outro tiro no pé da própria categoria foi o modo como lidou com o escândalo de espionagem.

    A McLaren manchou irremediavelmente sua reputação, isso não se pode negar. Mas a FIA conduziu o caso erroneamente. Na época parecia que era uma questão pessoal Max x Dennis.

    Esses velhos tem que sair!

    Publicado por Lucas | 15/05/2009, 12:41 pm

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: