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Indianápolis vs. GP de Mônaco

(IMAGEM: jpmontoya.com/Divulgaçãomontoya(MONTOYA: igualando Graham Hill, este homem teve a honra de vencer os dois grandes eventos do automobilismo mundial)

Nós estamos nos aproximando do final de semana que todo maníaco por automobilismo espera durante todo o ano, com as duas mais tradicionais provas da história do automobilismo realizando-se no mesmo dia, separadas por poucas horas.

Existem grandes e óbvias diferenças entre esses dois monumentais eventos e você pode concentrar-se nas diferenças básicas, como a estrutura das corridas em si, a tecnologia dos carros, a qualidade dos pilotos etc. Mas outras — como o perfil social do público e do ambiente — podem revelar por que o automobilismo tomou rumos diferentes nos Estados Unidos e na Europa.

Olhado de perto, o contraste é divertido, mas chocante. Enquanto Mônaco é um principado encravado às bordas do mediterrâneo, governado por um Príncipe que descende de uma tradicional hierarquia européia desde 1297, Indianápolis é, basicamente, mais uma daquelas típicas cidades médias americanas. Industrial e fincada no meio-leste do país.

Olhe para o público e a diferença alarga-se um pouco mais, com aquela endinheirada elite européia, que desfila os seus iates e frivolidades pela marina de Mônaco, tornado-se alienígenas perto daqueles típicos americanos “rednecks” — o estereótipo do cidadão da classe média baixa americana — em suma, o povão!

Não é preciso, então, ser nenhum Joseph Campbell para inferir que haja um forte simbolismo nesses contrastes entre as duas provas.

Mesmo que o automobilismo tenha surgido em partes diferentes do mundo como uma brincadeira de meninos ricos — inclusive nos USA — não há como negar que ele parece muito mais popular nos ovais americanos, muito mais acessível às massas que a esnobe F1 — com um Príncipe entregando o troféu ao vencedor.

Mas mesmo com tantas mudanças ao longo dos anos, que tentam popularizá-la à moda americana, a Formula 1 continua como a essência do mais puro automobilismo para mim — e Mônaco é a essência dessa minha perspectiva pessoal do automobilismo.

Tudo isso, obviamente, não me impedirá de ficar grudado nas 500 milhas de Indianápolis até o fim.

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Discussão

9 comentários sobre “Indianápolis vs. GP de Mônaco

  1. ai Monaco, Monaco…
    eu mal consigo me expressar sobre esse circuito, as palavras simplesmente fogem, escapam, vai ser dificil comentar a corrida domingo.
    É mítico demais pra mim, quase intocável.
    Indianápolis é outra Meca, fim de semana simplesmente perfeito.
    Ma concordo que as diferenças existem e são grotescas, mas isso só me apetece ainda mais sobre ambos, os milionários, vestindo lacoste, e lencinho Hérmes em seus iates, brindando com o melhor vinho da melhor safra, tem seu charme, eu mesmo, nao posso mentir que nunca sonhei em essitir tal etapa com essa prespectiva um dia. È o que faz Mônaco ser o que é, pura e simplesmente, essa é a essencia deste GP. Lindo. Enquanto que os barrigudos alcoolizados de cerveja também se divertem, e nos divertem, são opostos que se repelem, mas nos atraem. Simplesmente pq a paixão pelos bólidos, independe de quanto seus espectadores gastam para acompanhar.
    Eu estarei aqui, sonhando com o vinho, e bebendo minha Stella em um Pub ingles, que é o melhor que eu faço!

    bjooos

    Publicado por Ingryd Lamas | 21/05/2009, 5:17 pm
  2. Becken,

    Sempre tive curiosidade em saber se os pilotos de F1 tem o sonho de correr na INDY500 e se essa prove tem realmente um valor enorme para eles assim como as 24hs de Le Mans.

    Saindo um pouco do tema do seu post, vc acredita que sem a BMW, Toyota, Renault e Ferrari, as novas candidatas a equipes ( ditas pelo Mosley ) realmente teriam a estrutura e a capacidade de entrar em um campeonato de F1 en 2010 para vencer ?

    O campeonato 2010 seria disputado por no maximo 6 carros ( Mclaren, Brawn,FIndia ) e o restante seria apenas figurante, acho que seria uma vergonha , mas vamos la.

    Li que muito dessa briga toda vem da necesside dos grandes fabricantes reverem sua participacao na F1 e esperaram essa chance ( mudanca de regulametno e teto orcamentario ) para pular fora como a Honda o fez.

    Becken o qto dessa novela toda temos de verdade ?
    sera que tudo esta sendo feito para mantermos os niveis de audiencia, para termos a F1 como noticia, tudo para mim me parece sem sentido.

    Mas , beleza eu nao deixaria de ver as corridas se a Ferrari saisse na verdade queria ver se os caras tem peito pra bancar o que disseram que iam fazer.

    Hj para mim a F1 eh a categoria maxima do automobilismo e tem os melhores pilotos dentro dela, soh deixaria de ver se virasse algo como uma F Indy que nao tem tanta gente boa assim e nao me convence com suas regras de bandeiras e corridas em ovais. ( o que pode ocorrer em 2010 nao ?)

    Abraco

    Publicado por Fernando Piccione | 21/05/2009, 5:18 pm
  3. Muito bonito o post Becken. Você ressaltou uma visão humana das duas corridas. Parabéns !

    Como esporte minha predileção sempre foi o alto nível técnico da F 1. Embora toda competição que queime combustível e tente andar rápido me atraia.

    Uma coisa que observo em muitos comentários, e não concordo, é uma supervalorização do piloto em Mônaco, acredito que muito em função das vitórias do Senna nas ruas de Montecarlo.

    É nas pistas de alta velocidade, nas curvas como a “11” da Turquia ou a padoock de Brands Hatch, a parabólica em Monza ou a tão comentada Eua Rouge de Spa, que o talento e a sensibilidade do piloto superdotado afloram. Nas com curvas de alta velocidade temos a demonstração da mais pura arte na condução de uma carro de corrida.

    Em minha opinião as pistas de rua por serem muito lentas nivelam muito os pilotos por baixo. Acredito que nessas pistas muitas vezes a coragem prevalece sobre o talento.

    Publicado por Sirlan Pedrosa | 21/05/2009, 6:03 pm
  4. Uma coisa que observo em muitos comentários, e não concordo, é uma supervalorização do piloto em Mônaco, acredito que muito em função das vitórias do Senna nas ruas de Montecarlo.

    É nas pistas de alta velocidade, nas curvas como a “11″ da Turquia ou a padoock de Brands Hatch, a parabólica em Monza ou a tão comentada Eua Rouge de Spa, que o talento e a sensibilidade do piloto superdotado afloram. Nas com curvas de alta velocidade temos a demonstração da mais pura arte na condução de uma carro de corrida.

    Em minha opinião as pistas de rua por serem muito lentas nivelam muito os pilotos por baixo. Acredito que nessas pistas muitas vezes a coragem prevalece sobre o talento.

    Engraçado que EU tenho um conceito inverso. É preciso ter coragem para manter o pé em baixo na Parabólica ou na Eau Rouge (técnica também, claro!) por que um erro e vc se estrepa, mas acho que é nas ruas apertadas de Monte Carlo onde o equilíbrio entre agressividade e técnica tem que ser perfeito.

    Publicado por Becken Lima | 21/05/2009, 7:39 pm
  5. Sempre gostei das duas categorias, embora a atual Indy (essencialmente ainda está mais para IRL do que aquela boa Indy dos tempos de Emmerson) não empolgue tanto. Mas acho que ainda volta a crescer.

    Também acho curiosa essa velha tese de que “F1 tem ílotos de alto nível” e Indy “só tem braço duro que só sabe virar pra esquerda”. Acho que ainda persiste essa visão por causa da passagem fulminante do Mansell em 1993. Mas se vocês olharem bem, o nosso grande desbravador Emmerson Fittipaldi, piloto de talento inquestionável (e por favor, mais piloto que o piloto espetáculo – categoria que admiro, por sinal – Mansell), foi campeão em 1989, teve duas vitórias em Indianápolis (1989 e 1993) e não teve moleza, mesmo correndo em boas equipes (invclusive a tradicional Penske).

    E a despeito de apenas Jacques Villeneuve (bom piloto, por sinal) ter sido o único campeão na F1 (me corrijam se estiver errado) oriundo da Indy, nem todas as participações foram desastrosas como a do Michael Andretti ou a volta apagada do Zanardi. Montoya, apesar de prometer mais do que cumprir, não fez feio (enquanto esteve na Williams); Cristiano da Matta fez uma boa participação, mas convenhamos que foi bem prejudicado pela zona que era a Toyota (por sinal, na era Gascoyne… que foi chutado da equipe de maneira, digamos, não muito amistosa).

    Caminho inverso: Mansell, Emmerson, Zanardi se deram bem, mas outros oriundos da categoria “top” não deram o “banho” esperado: Mika Salo fez umas corridas e não se destacou; Mark Blundell correu várias temporadas e foi regular; Christian Fittipaldi, Roberto Pupo Moreno, Raul Boesel, Maurício Gulgelmim, Tarso Marques (e tome brasileiros) tiveram boas participações. Mas nenhum “banho”.

    A recente trajetória F1/Indy mais curiosa foi a do Timo Glock. Teve algumas boas participações na Jordan e foi participar da já decadente Champcar. Nada excepcional. Voltou para a F1 e aos poucos se firma na Toyota.

    Bourdais, um piloto talentoso, vem tendo um desempenho sofrível na Toro Rosso. Fez miséria nos EUA.

    O que dá pra concluir com isso? Que o mundo do automobilismo é muito amplo, e cada categoria tem sua cultura. Não quer dizer que a F1 “é o máximo em precisão de pilotagem”. Muita gente aposta que os pilotos de Rally podem detonar em qualquer categoria. Sinceramente não sei.

    Pra encerrar (sim acabo hoje) Bernd Shneider teve uma participação discreta na F1. Foi “o cara” na DTM. Todos os pilotos recentes que tentaram fazer a mesma migração até hoje fracassaram. O mlehorzinho foi o Hakkinen, bicampeão, que teve algumas boas participações pelo time oficial da Mercedes mas mesmo assim nunca chegou a disputar o título. O último ex-F1 é o Ralf, que antes de entrar na categoria recebeu um conselho do irmão multicampeão: “cuidado, lá é muito diferente da F1”. Se o próprio Michael diz isso, é bom a gente rever esse conceito de que a F1 é a categoria máxima em pilotagem…

    Publicado por Vitor, o de Recife | 22/05/2009, 9:10 am
  6. Não é muito correto usar a expressão redneck para o publico de Indianapolis que é o tipico público classe media de um centro urbano decadente do norte dos EUA, bm diferente do público da Nascar.

    Publicado por Filipe Furtado | 22/05/2009, 9:36 am
  7. Vitor, muito bom o seu post. Uma curiosidade o Ryan Briscoe, companheiro do Helinho na Penske e que muitos (incluindo eu) adoram pegar no pé por conta das suas panes cerebrais dignas de Lewis Hamilton (hehe) foi campeão da F3 européia em 2003. O companheiro de equipe dele que somou cerca de metade dos seus pontos era um tal Robert Kubica. No grid também estavam Christian Klien (que foi vice), Timo Glock e Nico Rosberg.

    Publicado por Filipe Furtado | 22/05/2009, 9:48 am
  8. Boa lembrança de Juan Pablo Montoya, o colombiano na F-1 foi um desperdício.

    Publicado por Jobson | 22/05/2009, 10:30 am
  9. Juan Montoya foi o melhor piloto sulamericano pós-Senna.
    Tambem o maior ídolo latino nas pistas, nesta década.

    Eu vejo Montoya como um crianção.
    Sabe a criança que ganha um carrinho de pedal, anda com ele um mes inteiro sem parar, aí esquece o carrinho de pedal e vai para a bicicleta, aí ele domina a bicicleta, enjoa e vai pra outro brinquedo como o quadriciclo, skate, qualquer coisa.

    Todas as categorias que passou, Montoya teve seu ápice. Na F1 chegou perto de ganhar o título no unico ano de sua carreira que o carro ajudou,2003, ganhou o titulo da CART quando este ainda valia alguma coisa, ganhou Indy 500, ganhou Monaco, ganhou corrida de Nascar e ganharia corrida de qualquer coisa que disputasse.

    Montoya é um pilotaço. O cara prova isso quando ganha corrida de tanta coisa diferente. Nao é um campeão. Mas é um vencedor, um piloto como poucos na história, que domina o carro como seletos.

    Publicado por Lucas | 22/05/2009, 1:10 pm

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