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Especulando sobre Alonso na Ferrari e sobre Kimi no mundial de Ralis

FOTO: Vittorio Alfieri alonsotoferrari(ALONSO DE VERMELHOR: feitos um para o outro)

Em se tratando da imprensa espanhola — e mais especificamente do colunista de F1 Carlos Miguel — é sempre bom manter-se cauteloso.  Mas segundo Miguel, o suposto e apoteótico anúncio do “mais conhecido” segredo da história da F1 seria feito durante o final de semana do tradicional GP de Monza, evento onde a Ferrari costumeiramente faz anúncios importantes como a aposentadoria de Michael Schumacher em 2006.

Especulações deixaram no caminho bons indícios de que Alonso vem preparando-se já há algum tempo para essa transferência, como a já bem conhecida compra de uma casa na região de Lugano, porção “italiana” da Suíça que fica a 265 Km de Maranello, sede da Ferrari. A chegada do banco espanhol Santander com patrocinador da Ferrari no ano que vem é outra pista.

Para Alonso faz todo o sentido estar na poderosa Ferrari, mas a parceria faz ainda mais sentido para a Ferrari agora em que novas forças e novos pilotos — como Lewis Hamilton na McLaren e Sebastian Vettel na Red Bull — parecem destinados a dominar a F1 a longo prazo.

Talvez o fracasso do F60 nessa temporada seja outro fator a estimular a Ferrari a apressar uma decisão que estava programada para 2011.

No fundo, a notícia não é novidade, já que Pino Alevi, um dos mais respeitados “insiders” italianos já havia contado essa história no fim de 2008. É a antecipação para 2010 feita pelo AS o verdadeiro fato novo.

Mas afinal, quem daria espaço para Fernando na Ferrari ?

Diferentemente de Felipe Massa, Kimi Raikkonen sempre manteve boas reservas quanto ao seu futuro, deixando a imprensa especular à vontade, mas a sua participação no Rali na Finlândia no fim de julho soma-se a mais outros dois esse ano, com o atrativo de que esse será válido pelo WRC, o Mundial de Ralis.

Estaria Kimi se preparando para uma nova fase de sua carreira em outra categoria? Ou a FIAT — por quem ele disputará o Rali na Finlândia — está apenas dando um presente ao Campeão de 2007?

Alonso na Ferrari durante cinco anos — 2010 até 2014 — é o sonho de todo Tifosi e de cada espanhol, mas uma disputa entre ele e Felipe Massa dentro da equipe seria uma virtual luta de titãs. Depois de desvalorizar Raikkonen na bolsa de pilotos nos últimos dois anos, eu não seria tolo a ponto de apostar contra o brasileiro em uma eventual briga.

‘Maurão Negão’, um dos pais do automobilismo brasileiro

FOTO: F1 Racing.uknegãolow(‘MAURÃO NEGÃO: com os capacetes de Ayrton Senna e Luciano Burti, dois pilotos que conheceu bem de perto, muito perto)

Luciano Burti fez ontem em seu Twitter uma breve referência a Attamir Mauro de Oliveira Dias, mais conhecido com “Maurão” ou, simplesmente, o“Negão.”

Mauro é um desses personagens anônimos que vivem na periferia da história do automobilismo brasileiro, um homem simples, mas tão importante a ponto de a prestigiosa F1 Racing inglesa aterrissar no Brasil no fim de outubro decidida a preencher quatro de suas páginas com a história de Mauro contada por ele mesmo.

Mauro foi, simplesmente, o primeiro mecânico de Ayrton Senna no Kart e primeiro professor de parte da elite do automobilismo nacional, como Tony Kanaan, Lucas di Grassi e Rubens Barrichello — além do próprio Luciano Burti.

É irônico — para não dizer trágico — que seja a F1 Racing inglesa o veículo pelo qual eu conheça Mauro que, pela importância no Kart há tantas gerações, deveria ter um belo perfil feito por um desses bons jornalistas especializados.

A F1 Racing inglesa veio aqui e fez uma bela e emocionante matéria e o gancho para fechá-la é uma boa lição:

“Mauro representa o lado da F1 que você não vê: um mundo longe da hospitalidade do Paddock Clube e das conferências de imprensa — ainda que todos procurem pela próxima estrela a estar ali, exatamente no meio dos jornalistas para dar aquela entrevista.”

Blogueiros de F1 em língua portuguesa já têm o seu Mário Andrade

speeder76

Se alguém disser que esse título é um a hipérbole, eu dificilmente irei discordar, mas a verdade é que não acho outra analogia imediata para classificar o trabalho inestimável e precioso feito por Paulo Teixeira (AKA Speeder76), editor do excelente Continental-Circus.

Ninguém tem a obrigação de saber quem foi Mário de Andrade, mas para você entender o meu exagerado paralelo, saiba que Mário foi um dos mais importantes intelectuais na história da cultura brasileira. O Paulista Mário foi escritor, pesquisador multicultural, fomentador de todas as artes e rico interlocutor de toda a “inteligentsia” cultural do começo do século 20 — principalmente de jovens escritores, como Fernando Sabino, Hélio Pelegrino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende.

Reconheço, é uma hipérbole o título, mas é exatamente esse trabalho de fomentar a comunidade de blogueiros de F1 em língua portuguesa feito com louvor por Paulo hoje.

Através de longas e interessantes entrevistas, Paulo tem trocado figurinhas e nos dado a oportunidade de conhecer mais a fundo gente como o jornalista e blogueiro Alexandre Carvalho, editor do Almanaque da Formula 1, ou mesmo quem começa a escrever seus primeiros posts, como o jovem, muito jovem Cristiano Chamorra, editor do Galaxia F-1.

Se as entrevistas não são o bastante, Paulo também dá uma mão para quem deseja começar o seu blog, como fez com a Ingryd Lamas — o que resultou no Athena Grand Prix.

Além de todo esse incansável trabalho de fomentador, Paulo ainda consegue escrever análises de um bom leque de várias categorias e excelentes — senão as melhores — análises do mundo político da F1, com uma visão européia da F1, só que escrita e expressa em nossa inculta e bela língua portuguesa, algo absolutamente raro.

O título pode ser uma hipérbole, mas CLIQUE AQUI e vá até lá ver o grande trabalho feito por Paulo Teixeira e volte aqui para comentar o quanto eu tenho razão.

Será Valentino Rossi o maior herói moderno do esporte a motor?

FOTO: motogp.com/Divulgação valentino(VALENTINO: com números inalcançáveis e carisma insuperável, ele é a personificação moderna do herói do esporte a motor)

Meu grande herói no motociclismo é o velho australiano Michael Doohan. Era Michael quem eu assistia, embasbacado, quebrar recordes no início de minha adolescência. Desde a aposentadoria de “Mick” por uma série interminável de contusões sofridas em múltiplos acidentes, eu perdi o interesse em motociclismo. Continuar lendo

Circuito de Abu Dhabi em vídeo

Eu falava de coisas insípidas no post anterior e eis que vejo a simulação em rFactor do Circuito Yas Island Marina — palco do GP a realizar-se em Abu Dhabi — que foi projetado pelo colaborador oficial da FIA e da FOM, o arquiteto alemão Hermann Tilke.

Os planos de construir uma pista híbrida — metade rua metade pista de corrida — foram abandonados e se você observar o vídeo em conjunto com as fotos, terá a impressão de que a topografia do circuito é completamente plana, o que difere um pouco das pistas da China e da Turquia, também obras de Tilke.

Um ponto da pista que eu gosto é o final da segunda grande reta que é seguida de um “S”e depois de outra reta — configuração muito parecida com o conjunto RETA, ‘S’ DO SENNA e RETA OPOSTA do nosso Interlagos.

Se a pista em si não parece algo muito inspirador, o mesmo não pode ser dito da estrutura luxuosa que circunda a pista, talvez o grande apelo de Hermann Tilke como arquiteto. Os Vips terão uma vista panorâmica privilegiada em quase todos os pontos do circuito, impossível em outros eventos no ano.

Além do luxo, o apelo de Abu Dhabi também estará na expectativa sobre a capacidade de reação da Red Bull em impedir que Jenson Button decida esse campeonato no Japão ou no Brasil.

Se você tem o rFactor, pode baixar a pista ao clicar AQUI. Jogue e depois venha aqui nos dar a sua impressão pessoal.

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Galeria com fotos em alta resolução (clique para aumentá-las)

Coisas que não se vê mais nessa insípida Formula 1

Há quanto tempo você não vê pilotos fazendo “zerinhos” depois de uma corrida de Formula 1? Ou carregando a bandeira de seu país em triunfo após uma vitória?

Caso você não saiba, por medidas de segurança, estas são ações “terminantemente proibidas” na atual Formula 1. Algo que, me desculpem, beira o ridículo e reforça esta sensação de que estão estirilizando a categoria, distanciando-a cada vez mais de seus fãs.

Dizem que os comissários se irritaram com Lewis Hamilton em Silverstone domingo e Martin Whitmarsh “fez delicadas observações” quanto ao stress a que Lewis submeteu o motor nesse momento aí acima.

Mas ao observarmos os desapontamentos tanto da torcida inglesa — que depois da vitória de Lewis em 2008 esperava um bom resultado de Button esse ano — quanto de Lewis Hamilton que hoje pilota um tijolo aerodinâmico, é um prazer ver a reação da sua torcida após o show particular lhes oferecido pelo inglês.

Ah, sobre o motor, eu duvido que faça alguma diferença com esse carro…

Jornal inglês também levanta suspeitas sobre conflito de interesses na escolha da Manor Grand Prix

FOTO: F1 Racing Magazinedonnelly (O CONTROVERSO ALLAN DONNELY [o 3º da esquerda para a direita] liderando os comissários)

Como fez este humilde blog há semas atrás, o The Guardian também levanta suspeitas sobre escolha da Manor Grand Prix para competir com equipe de F1 na próxima temporada. Clique AQUI e saiba mais sobre a matéria no jornal inglês.

__________________________________________________________________________ Continuar lendo

Ferrari focará esforços em desenvolver carro de 2010 sem KERS

FOTO: McLaren /Divulgação lucaspeaks(LUCA: deixou Mosley falando sozinho e foi cuidar de sua equipe)

Ao que parece, Luca di Montezemolo deixou Max Mosley falando sozinho e foi cuidar de sua equipe, tomando uma decisão que já era esperada por todos os tifosi: a Ferrari finalmente concentrará recursos técnicos no carro da próxima temporada.

Luca não deixou que o F60 caisse para o fim do grid — a Ferrari ainda levará atualizações para o GP da Alemanha —, mas finalmente admitiu pelo site da Ferrari “a dificuldade, senão a impossibilidade, de mudar dramaticamente a performance do carro de uma corrida para outra em uma temporada sem testes.”

O importante ao se ler essa declaração do Presidente da Ferrari e da FOTA é que há também a confissão — muito nas entrelinhas, admito — de que em 2010 voltem ao menos parte dos testes que foram banidos esse ano como uma das medidas de contenção de gastos. A medida confirmaria rumores de que os ajustes nas regras que a FOTA faz nesse momento contenham a inclusão de testes.

Outro ponto importante é que ao admitir que o desenvolvimento do novo carro se dará sem o KERS (Sistema de Recuperação de Energia) embarcado, Montezemolo e a FOTA sepultam de vez uma experiência que se tornou um dos maiores fracassos em termos políticos, financeiros e tecnológicos na categoria (veja discussão no post anterior).

Suspeito que ao disputar o Grande Prêmio da Inglaterra sem o KERS, a McLaren já mudou o seu foco para 2010 há muito tempo.

Sobre o reabastecimento em 2010

FOTO: McLaren /Divulgação refuelling(REABASTECIMENTO: fontes dentro da FOTA apontam como certo o banimento em 2010)

A Autsport confirma hoje o que eu já desconfiava: o reabastecimento será mesmo banido em 2010 — algo que ficou confuso após o comunicado da FIA de que todas as regras para 2010 haviam sido revogadas permanecendo as mesmas de 2009.

O comunicado oficial da FIA após o acordo entre Max Mosley e FOTA dizia que:

“Não haverá campeonato alternativo e as regras de 2010 em diante serão as de 2009 acrescidas das regras em comum acordo de 29 de Abril de 2009.”

Eu esperei um anúncio oficial da FIA que ainda não veio, mas segundo a Autosport fontes dentro da própria FOTA confirmam que “haverá alguns ajustes que precisam ser aceitos de forma unânime. Estes ajustes referem-se ao reabastecimento e alguns outros poucos itens e estarão completos nas próximas semanas.”

Sobre Mosley

As declarações públicas de Max Mosley nos últimos dois dias são sinais claros de um explosivo coquetel que envolve uma avançada senilidade  e uma monstruosa ego mania.

Max não aceita o tom triunfal da FOTA após a resolução do impasse que deixou em suspense o mundo da Formula 1 por meses. E, ao invés de como aqueles grandes mastodontes à beira do fim, recolher-se digna e solenemente ao esquecimento, insiste em assombrar a F1 com cartas públicas contra a FOTA, especialmente direcionadas a Luca di Montezemolo, presidente da entidade e hoje um herói celebrado na Itália.

O que me surpreende é que conhecendo muito bem Max, talvez os membros da FOTA devessem ter mantido um certo low-profile após o anúncio do acordo. A declaração de Montezemolo de que “não haverá mais ditadura na F1”, dado o passado fascista da família de Max, pode realmente ser interpretado como afronta a um homem orgulhoso como ele, muito longe de deixar as picuinhas na imprensa de lado em nome de qualquer atitude mais magnânima.

Max pode estar senil, mas a FOTA deveria comemorar apenas depois da eleição para Presidente da FIA em Outubro próximo.

Engenheiro da Brawn assediado pelas grandes equipes?

FOTO: Brawngp.com /Divulgaçãozander (ZANDER: pulando de uma equipe a outra, ele pode parar em uma das grande equipes)

Será irônico que, depois de a Formula 1 (quase) entrar nos eixos novamente, parte dos fãs da Formula 1 voltarem sua atenção exclusivamente para as negociações entre pilotos e equipes quando 2009 mostrou que foram os homens nas fábricas as grandes estrelas dessa temporada.

A saída sorrateira da Brawn do Chefe do departamento de Design, Jorg Zander — sem qualquer sinal ainda de destino certo —, pode ser um sinal de que as grandes  equipes estão ávidas pelos recursos humanos e intelectuais que criaram o foguete BGP 001 — até aqui o carro conceito melhor projetado sob essas novas regras. A temporada no ano que vem estará sob as mesmas regras técnicas de 2009 e profissionais com os segredos do BGP 011 na cabeça estarão muito valorizados no mercado.

De 2006 para cá Jorg passou pela antiga Honda, foi para a Williams, depois para a BMW e voltou à Honda, hoje Brawn — o que em um primeiro instante revela um pouco de instabilidade.

Mas para onde deverá ir Zander agora? Joe Saward, no Grand Prix.com, revela que é praxe após a saída de uma equipe que um profissional desse calibre seja obrigado a permanecer sob quarentena — o que evitaria o fluxo imediato e livre de informações técnicas de uma equipe para outra.

Zander não parece ter tido problemas com isso, mas se considerada a relação íntima entre Brawn GP e McLaren — intermediada pela Mercedes-Benz — não será surpresa se Zander for anunciado brevemente como novo colaborador da equipe de Lewis Hamilton.

Em seu lugar na Brawn, apontam discussões e rumores em blogs italianos, pode surgir Luca Baldisserri, engenheiro assistente de Ross Brawn nos áureos tempos de Ferrari e hoje rebaixado a posições mais burocráticas em Maranello.

Este homem pode ser o novo presidente da FIA

FOTO: fia.com novorpsidentedaFIA(NICK CRAW: o americano tem credeciais suficientes para substituir Max Mosley com sucesso)

A cadeira do presidente da FIA sequer esfriou e já há especulações em torno de quem será o homem a substituir o impopular Max Mosley.

Ao menos as equipes de Formula 1 sabem quem elas definitivamente não querem. Agora a pouco, via Autosport, os chefes dessas equipes deram um claro e duro recado de que: “quem quer que seja o próximo a substituir Mosley em outubro não pode ter ligações históricas com as equipes de Formula 1.”

Como a própria Autosport aponta, isso é um recado direcionado ao ex-chefe da Ferrari, Jean Todt, que vem sendo indicado como favorito para concorrer ao cargo. Sua indicação seria um retrocesso e mais da mesma polêmica que envolveu toda a presidência de Mosley, seguidamente acusado de favorecer o time de Maranello em decisões políticas e de pista.

Mas quem é o homem mais indicado, com suficiente independência e competência? Rumores na internet — vindos principalmente do site Pit Pass —indicam que o favorito a assumir a missão de substituir Max é Nick Craw, o homem que obrigou Bernie Ecclestone, Max Mosley e Luca di Montezemolo a entrarem em uma sala na madrugada de ontem e só sairem de lá com o problema que ameaçava destruir a F1 devidamente resolvido.

Craw é o delegado reeleito por unanimidade do ACCUS (Comitê de competição e Automóvel dos Estados Unidos) e hoje é o vice-presidente da FIA para assuntos esportivos, cargo imediatamente abaixo do de Max Mosley. Tem um MBA na Harvard Business School e é também diretor de outras organizações nos Estados Unidos, como a US Peace Corps e o US Sailing, o que indica uma bem-vinda e variada atuação em outras organizações.

Além das credenciais e também da posição privilegiada no organograma da FIA, Craw tem outra grande vantagem: é um americano com formação econômica capaz de vislumbrar com clareza que os Estados Unidos são o ponto chave no negócio das grandes montadoras, principalmente BMW, Mercedes e Ferrari.

O Fato de esse importante mercado automobilístico ter sido sumariamente ignorado na gestão anterior por Mosley e Bernie Ecclestone — e ser algo o qual Luca di Montezemolo, presidente da FOTA, indicou como uma das maiores falhas de sua presidência — posiciona Craw na pole-position pelo cargo.

A vitória é da FOTA, mas Max Mosley deixa o seu legado na história da Formula 1

FOTO: JAMD.commaxmosleylegacy(MAX e sua ditadura vão embora: mas ele deixa um legado na história de todos os presidentes da entidade )

Hoje teve a fim a arrastada batalha de meses entre Max Mosley e as equipes de Formula 1. Max Mosley capitulou e acolheu a inscrição das equipes aceitando suas condições — a Renovação do Pacto de Concórdia e a permanência dos regulamentos técnico e esportivo de 2009. Como Prêmio, a entidade liderada por Luca di Montezemolo conseguiu a promessa de afastamento do próprio Max Mosley em definitivo do comando da FIA e de qualquer envolvimento nas futuras decisões da entidade.

Em reciprocidade, as equipes de Formula 1 estarão obrigadas a oferecer suporte técnico às novas entrantes e reduzir drasticamente o atual orçamento em comum acordo.

Em comunicado a FOTA proclamou vitória. Max Mosley também. Se refletirmos é possível enxergar que Max conseguiu parte de seu intento inicial ao levar as equipes ao limite: reduzir custos e dar oportunidade a novas equipes no clube fechado da F1.

Mas se observamos que como reação as imposições de Max as equipes se uniram e criaram a FOTA, é possível declarar que, ao fim, as equipes venceram essa que foi a mais dura batalha pelo comando da Formula 1 em toda a sua história.

As equipes permaneceram atadas a um grande objetivo, mesmo tendo duros percalços — como a crise dos difusores — no caminho.

Mas grandes vitórias — como a que fez a FIA rever o sistema de pontuação de medalhas para pontos novamente — foi a real prova de que Max, no seu intento em ditar regras ao invés de negociá-las, criou um monstro que foi crescendo, vencendo batalhas menores e que culminou com a total capitulação do Presidente da FIA hoje.

Max tem o seu prêmio: a sensação e mérito de que deixou o grande legado na história de todos os presidentes da FIA — as medidas de segurança e a redução de custos —, mas deixou no rastro de caminhos tortos as equipes mais poderosas e aglutinadas sob a sigla da FOTA, capazes de agora lutar indefinidamente por sua própria liberdade e identidade da própria Formula 1.

Bernie Ecclestone — que certamente teve papel fundamental nesse novo pacto — é o próximo alvo.

Paz em curso na Formula 1?

É o que reporta a Autosport em seu site nesse momento. Segundo o site as equipes de Formula 1, Bernie Ecclestone — detentor dos direitos da marca F1 — e a Federação Internacional de Automobilismo, FIA, chegaram a um acordo depois de uma reunião entre essa madrugada e manhã da Europa que tinha como objetivo solucionar a crise atual.

Como parte da barganha, Max Mosley não estenderá a sua reeleição — fato já dado como certo por ele mesmo no início dessa semana — e as equipes assinarão um novo Pacto de Concórdia com validade até 2012.

Falando para a Autosport, Max afirmou que houve um comum acordo entre a FIA e as equipes na redução de custos e, como resultado, não haverá cisão entre a entidade e a FOTA, entidade representativa das equipes:

Concordamos em reduzir custos. Haverá um campeonato de Formula 1, mas o objetivo é atingir os níveis de orçamentos do início da década de 90.

— Max Mosley

De acordo com a Autosport, a FIA anunciará a lista das equipes para o campeonato de 2010 ainda esta tarde.

No decorrer do dia, mas detalhes certamente emergirão desse acordo que põe paz em um confronto que quase levou ao fim da Formula 1 como a conhecemos. Com os detalhes, poderemos, afinal, ter uma melhor perspectiva de quem ganhou ou perdeu nessa barganha que ditará também os rumos da Formula 1 pelo menos nos próximos quatro anos.

Barrichello no Twitter e Button na Autosport, explicam a surra que a Brawn tomou em Silverstone

FOTO: Red Bull/Divulgação vettelleadsrubens (A RECEITA da Red Bull para vencer em Silverstone: temperaturas baixas, um belo upgrade e um circuito de alta velocidade)

O Twitter vem se mostrando a cada dia uma ferramenta de comunicação altamente explosiva e prática. Está ajudando a fazer uma revolução política e social no Irã, mas está servindo também a frivolidades, como estabelecer um canal direto entre os fãs da Formula 1 e seus pilotos preferidos, sem que haja intermediários filtrando a informação.

Em apenas um dia de uso, Rubens Barrichello já respondeu a inúmeras perguntas de seus fãs e iluminou um pouco do fraco desempenho da Brawn em Silverstone. No melhor estilo Twittero, com poucos torpedinhos, descobrimos que: o problemas nas costas foi por conta do golfe, que o GP da Alemanha — no verão europeu — pode ser favorável à Brawn, que teve sérios problemas para aquecer seus pneus em Silverstone.

Já na Autosport, Jenson Button — não tão sintético quanto Barrichello — citou o mesmo problema com a temperatura do freios e foi além, citando qual é um dos pontos fortes do BGP 001:

“Sim, Nurburgring [Circuito que receberá o próximo GP da Alemanha] é um dos circuitos que mais exigem dos freios assim como na Hungria. Lá estará quente, então eles não terão a vantagem que tiveram aqui.

[Silverstone] é um circuito de alta velocidade, o que provavelmente não é a característica mais forte do carro [da Brawn]. Também é bem frio, e não tive os pneus na temperatura ideal. E quando você vai para circuitos quentes, não apenas temos os nosso funcionando, assim como também a Red Bull tem dificuldades com os seus pneus, o que também acaba nos ajudando. E também não há muitas áreas com freadas fortes aqui.

[..] Os freios do nosso carro são o ponto mais forte no momento. Somos mais fortes que a Red Bull nos freios e não há freadas aqui. Você nunca aperta muito o pedal do freio aqui e esta é outra razão pela qual não conseguimos gerar calor nos pneus.”

— Jenson Button

Jenson apenas esqueceu de dizer que o enorme ‘upgrade’ feito pela Red Bull no RB5 foi outro ponto forte que ajudou em muito a equipe e Vettel a massacrar a Brawn em Silverstone.

A tendência, assim como no ano passado entre McLaren e Ferrari, é que haja alternâncias de vantagens de Red Bull e Brawn relacionadas com a temperatura ambiente e com a característica particular de cada circuito — o que explica o domínio da Red Bull na chuva da China e da Brawn no calor do Bahrein.

Portanto, assim como no ano passado, será importante ficarmos de olho na previsão do tempo de cada local de corrida nos finais de semana

Vídeo com o GP da Inglaterra na íntegra

Aqui em baixo seguem as três partes do massacre de Silverstone do último domingo em três partes — exatamente como a Globo dispõe no globo.com, mas que infelizmente expira em uma semana. Aqui, espero, ficará arquivado com a vantagem de que você pode comentar. Boa corrida!

[Para assistir a corrida, clique AQUI]

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Reuniões da FIA…

O sujeito que editou as legendas desse vídeo é um gênio que conhece muito bem os meandros políticos da F1.

O vídeo é hilário e é uma pena que, por estar em inglês, não seja acessível a todos. É uma bela maneira de se relaxar à espera do resultado da reunião do Conselho Munial de Automobilismo que ocorrerá amanhã. O resultado, espera-se será previsíve,l com mais um comunicado de apoio a Max lindamente redigido pelo Conselho…

ATUALIZAÇÃO: aparentemente, a FIA e as equipes de Formula 1 entraram em acordo. Mais detalhes AQUI.

(Observação: o vídeo foi uma dica preciosa do Leandro Magno)

Marca Ferrari mais valiosa que Formula 1 e o envolvimento de Ron Dennis na nova categoria

FOTO: McLaren/Divulgação rondennis(RON DE VOLTA? Sem Max Mosley a azucriná-lo, Ron estaria de volta para dar uma mão na nova categoria)

Estará Ron Dennis envolvido na estruturação da nova categoria? Pelo menos é uma interessante conjectura feita hoje por James Allen em seu blog. Segundo James, “um dos diretores da Ferrari lamentou o afastamento de Dennis da FOTA pela contribuição do ex-chefe da McLaren na causa da entidade”. Segundo muitos “insiders”, Dennis era a real força estratégica por trás dos passos da FOTA. O movimento de Max, então, em pressionar por um afastamento definitivo de Ron da F1, objetivava também enfraquecer as operações da FOTA.

Se essa cisão tiver potencial para realmente cristalizar-se, é muito provável o ressurgimento da figura de Dennis nesse novo cenário. Ninguém conhece mais o negócio F1 entre os dirigentes de equipes que lideram essa recente revolução que Dennis, e sua ajuda seria vital para formatar essa nova categoria.

A situação nesse momento é de expectativa quanto ao que decidirá a reunião do Conselho Mundial de Automobilismo na próxima quarta-feira. Um dia depois, já ciente do que decidiu a FIA, a FOTA se reunirá com o planejamento da nova categoria pré-agendado como pauta principal. Se confirmados os rumores de que Max desistiu de acionar as equipes legalmente, é provável um forte recuo da entidade na mesa de negociações, mesmo que isso não seja o suficiente para fazer a FOTA recuar do seu intento em pular do barco da FIA.

Marca Ferrari mais valiosa que marca F1

Para quem ainda duvida do poder da FOTA e da Ferrari — o seu principal membro — o Lucas postou um link muito interessante que ilustra o real prestígio e valor das duas marcas no universo comercial esportivo mundial. Segundo a revista inglesa SportsPro — especializada em Marketing Esportivo — a Ferrari ocupa a 7ª posição como a marca mais valiosa no mundo em termos esportivos, valendo US$1.55 bilhão. A Formula 1 sequer aparece entre as dez primeiras colocadas.

A equipe italiana, óbvio, já fez alarde da matéria da SportsPro em seu site. Mosley, afinal, precisa saber disso…

Sebastian vs Michael

FOTO: Race of Champions/Divulgação SebastianvsMichael(Michael e Sebastian: nunca pilotos tão opostos foram submetidos a tantas comparações como os dois alemães)

A acachapante vitória de Sebastian Vettel ontem no GP da Inglaterra reascendeu nos fãs da F1 parcas esperanças de que a Red Bull postergue o final do campeonato e o estenda além da prova do Japão — onde alguns supunham que Jenson Button decidiria o título.

Mas a reação mais interessante no pós-GP da Inglaterra veio de um grupo especial de torcedores: os do aposentado heptacampeão Michael Schumacher. É curioso que apesar de haver um natural sentimento anti-Schumacher no Brasil — muito por conta de Michael ter duelado com Senna e pela Ferrari ter seguidamente sabotado Rubens Barrichello em nome do alemão — esse grupo permaneça vivo, mesmo que afetivamente órfão.

Mas o que fazer com esse afeto? A solução foi transferir a adoração dedicada a Michael para o jovem Sebastian, inclusive alimentando comparações que, simplesmente, não existem.

Em termos esportivos não há ainda uma centelha que ligue um e outro, mas pode se fazer como a Larissa Oliveira — que edita o melhor blog dedicado a Michael Schumacher em português —, enumerando coincidências folclóricas. Mas no que realmente define o caráter de um e de outro, não existe ninguém mais diferente de Michael no atual grid que Sebastian.

Enquanto Michael foi um homem silencioso e compenetrado, um árduo trabalhador que sempre se esquivou da imprensa e nunca foi especialmente interessante ao expressar-se, Sebastian é efusivo, até explícito na alegria e no temperamento descolado.

A fome de Schumacher por vencer, vencer, vencer — que mais de uma vez comprometeu a ética do esporte — sempre deu a impressão de que não havia nada além da Formula 1 em sua vida. Michael genuinamente amava a Formula 1 e ele sempre viveu e respirou a categoria com cada fibra de seu ser. Já a alegria e o temperamento descolado de Vettel dão a impressão de que, afinal, ele tem uma vida além F1 e que dificilmente irá às fronteiras da ética esportiva para vencer um campeonato.

Se você gostava de Michael Schumacher e hoje devota carinho ao jovem alemão, ao menos faça isso pelo que ele tem de original, pois é isso o que hoje faz Vettel fascinante.

O interessante é que essa transferência não acontece só com Schumacher e Vettel, mas também com Lewis Hamilton e Ayrton Senna, o que é um equívoco. Se há um homem hoje no grid que carregue algo de Senna em seu semblante, esse homem definitivamente é o taciturno e mal-humorado Fernando Alonso.

Top Gear revela que o misterioso Stig é… Michael Schumacher?

Talvez você não saiba o que seja o Top Gear e muito menos quem seja Stig. Mas o Top Gear — — uma espécie de revista motorizada televisiva — é largamente reconhecida na Europa e no resto do mundo. Já o Stig é um piloto misterioso que desafia os convidados do programa a bater o seu recorde com um carro ordinário e em uma pista improvisada em um aeroporto abandonado na Inglaterra.

A identidade de Stig é um mistério muito bem explorado pelo programa e já se especulou que ele fosse de Jason Kay — vocalista do Jamiroquai — a Fernando Alonso.

Como forma de promover a nova temporada do programa, a esperta produção do show convidou um certo piloto, que esteve profundamente envolvido no desenvolvimento da nova Ferrari FXX, para, além de promover o novo carro da casa de Maranello, fazer as vezes do misterioso Stig — que segundo o Daily Telegraph, é o veterano piloto de Formula 3 e NASCAR, Ben Collins.

Interessante que no post acima eu faça um paralelo entre Schumacher e Vettel e ele hoje, aposentado, comece a abrir-se e mostrar algum bom humor para os fãs da Formula 1, algo que — explicavelmente — ele sempre fez questão de evitar.

A entrevista após a revelação

Dobradinha esmagadora da Red Bull na Inglaterra

FOTO: Red Bull/Divulgação vettelandnewey(ADRIAN e SEBASTIAN no pódio: Esforço da equipe na sua sede foi compensado pela pilotagem perfeita de Sebastian hoje)

A Red Bull e Sebastian Vettel dominaram por completo o GP da Inglaterra que acabou agora a pouco em Silverstone. Desde os primeiros treinos livres da sexta-feira, Red Bull e Vettel já prenunciavam que a corrida no domingo seria um passeio pelas históricas curvas do circuito de Silverstone.

O alemão venceu no seu melhor estilo, largando na pole e liderando a prova praticamente de ponta a ponta. O único momento crítico e arriscado para sua vitória foi mesmo a largada — momento em que ele foi muito agressivo, jogando o carro para cima de Rubens Barrichello — o que lhe assegurou pista livre para explorar todo o potencial do revisado RB5.

As médias dos tempos estabelecidas por Vettel para Rubens Barrichello nas primeiras voltas de corrida variavam entre 0.9s e 1 segundo a favor do alemão. Ao considerarmos tal vantagem em conjunto com a quantidade a mais de combustível que levava Vettel em seu tanque (10 kg), pode-se até prever que a Red Bull estenderá tal vantagem pelas próximas corridas.

A única grande ameaça a Vettel era mesmo Mark Webber com a outra Red Bull, que permaneceu estagnado atrás de Rubens Barrichello durante toda a primeira perna de corrida.

Com as temperaturas amenas pelos lados de Silverstone, nem os pneus macios — o que tem sido um problema para o RB5, faminto por borracha — foram ameaça ao domínio do alemão, que tratou de administrar seu equipamento na última fase da corrida.

A vitória não foi o suficiente para diminuir consideravelmente a liderança da Brawn e do hoje apagado Jenson Button no campeonato, mas foi encorajadora e bem vinda para a sobrevida do resto dessa temporada.

Leia o resto do ‘report’  AQUI.

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