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ARTIGOS, POLÍTICA NA F1

Círculos históricos e a Formula 1

(Imagem: Sidepodcast.com via Flickr) place de concorde placa(PLACE DE LA CONCORDE: Max deveria observar a história e entender até onde a sua própria redenção pode arruinar a Formula 1)

Clique AQUI e leia como a repetição de fatos históricos podem delinear um curso para a história da Formula 1.

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É interessante como uma idéia pode se propagar (Richard Dawkins chama isso de MEME) na internet. Keith Collantine no F1 Fanatic e outros “talking heads” citam nesse momento o colapso da CART em 1997 — que findou em duas fracas categorias, a IRL e a CART — como um possível e trágico destino para a Formula 1.

Para mim, no entanto, é o primeiro colapso do automobilismo americano em 1979 que pode muito bem ser o cenário de uma categoria separada em Formula FOTA e Formula 1.

A história conta que em 1978 a briga no cenário automobilístico dos Estados Unidos restringia-se basicamente ao que ocorre hoje na F1: uma disputa sobre direitos de televisão mal negociados pela USAC (Clube de Automobilismo Americano que sancionava a categoria) e por imposição de regras técnicas: como a incapacidade das equipes empurradas pelos Offenhauser serem páreas para os novos e mais caros Cosworth.

Veio então o colapso em 1979, e as equipes debandaram em massa para os braços da independente e reluzente CART, que era inspirada, adivinhem, na FOCA , que fora criada por Bernie Ecclestone — entidade da qual hoje descende a nossa amada FOTA.

O que se segue talvez seja o real temor das equipes na F1 hoje.

No alto da popularidade, uma briga fratricida pelo maior evento da categoria, as 500 milhas de Indianapolis, e pela própria identidade da categoria (apinhada de pilotos não americanos) destruiu a CART.

Moral da história…

A moral da história é que: sim, é possível que uma categoria gerida, regulamentada e sustentada pelas próprias equipes sobreviva. Mas até quando?

Existem boas lições de como clubes de futebol (Premier League) ou de Futebol Americano (NFL) configuraram os seus próprios campeonatos e hoje colham o sucesso em forma de prestígio e proventos, mas a dependência do automobilismo de um negócio que pode a qualquer momento ir à bancarrota — para onde foi a GM essa semana — é o grande problema.

A luta pelo prestígio da FIA

O que não podemos negar é que a FIA tem poder e representatividade institucionais que podem, em menor escala, rivalizar em prestígio com o COI e a FIFA. É esse prestígio que teoricamente regulamentaria a saúde e a sobrevivência futura do esporte, que o mantém em contato com outras instituições mais mundanas de nossa sociedade — como as que regulamentam a segurança de nossas estradas.

Os homens que encabeçam as equipes de F1 hoje sabem disso. O que no fundo eles desejam é, na marra, tomar o poder da FIA que hoje está nas mãos de Max Mosley, que busca auto-redenção histórica no esporte. É em mosley que realmente jaz o problema — nele e em sua ingerência que ainda por cima é conflitava, autoritária e marcial.

A história, como você notou ali acima é circular e nada ilustra melhor esse axioma do que saber que o prédio onde se localiza a sede da FIA hoje está na “Place de la Concorde, antiga Place de la Révolution, local onde o Rei francês Luis XV, tombou vítima da Revolução Francesa.

Discussão

3 comentários sobre “Círculos históricos e a Formula 1

  1. Pois é, mas em termos praticos o litigio da USAC se arrastou por 16 anos até estourar.

    Publicado por Filipe Furtado | 04/06/2009, 9:50 pm
  2. http://historiasevelocidade.blogspot.com/2009/06/mosley-o-monarca-enxaqueca-e.html

    eu fiz um post tb ligando com um fato histórico, esse momento da F1. Só que foi com a Independência do Brasil, puxando p/ meu viés historiador.
    Acho que a Fota pode acabar rachando sim, mas o que ela vai conseguir com isso em termos de longa duração?
    O que a Fia vai conseguir com isso em termos de longa duração?
    Brasil e Portugal romperam o Reino Unido e ambos cambalearam depois disso, mas principalmente Portugal…ou seja, a Fia vai ficar enfraquecida, uncle Mosley uma hora ou outra sai e depois…eles reatam, com a Fia nas mãos de outro presidente.

    Publicado por Ridson | 05/06/2009, 7:00 am
  3. Becken ->

    Fiz alguns apanhandos de dados sobre a Briga da FIA com a Ferrari, e achei alguns dados interessantes, entre varios comentarios de outros sites.

    “a Porsche, lamborghini e outras tantas marcas de carros de luxo não estão na F1 e existem sem nenhum problema.”

    “Acho que o Bernie não vai gostar de perder Monza por falta de platéia”

    “Estima-se também que cerca de 30% da venda de ingressos dos GPs é estimulada pela presença dos outros fabricantes (Renault, Toyota, BMW, Mercedes, etc).

    Esse ano, onde a Ferrari vai mal das pernas, o público em alguns autódromos recuou 40% em relação aos dois anos anteriores.

    Ainda sobre isso, a RAI, RTL e BBC, que são as 3 emissoras que pagam mais caro pelos direitos de transmissão da categoria (40 milhões de euros cada) já fizeram saber que caso a Ferrari e outros times saiam da F1, eles entrarão com uma ação contra Bernie Ecclestone para cancelar o contrato de transmissão vigente.

    E, os promotores do GP de Mônaco já avisaram que sem Ferrari não há GP por lá. Nunca é demais lembrar que a turma que organiza o Rali de Monte Carlo cancelou sem mais nem menos o contrato com a FIA para a realização de uma etapa do WRC e passou a sediar uma etapa do IRC.

    Não devemos ainda esquecer que muito provavelmente a saída da Ferrari acarretará na saída também do GP de Monza do calendário, pois o público que lá vai é em imensa maioria de torcedores da Ferrari.

    E também não devemos nos esquecer que alguns pilotos podem sair também. Alonso, Massa e Raikkonen já avisaram que se houver necessidade, eles saem junto com os times. Nesse ano o GP da Espanha já teve uma queda drástica de público só por Alonso ter poucas chances. Imagine o que seria se ele não corresse na F1.

    Idem, idem para o GP do Brasil. Não que Massa seja um show de popularidade, mas seguramente o apelo de ver vários estrangeiros correndo por equipes do porte da Épsilon Euskadi jamais seria o mesmo que o atual. Haja vista os fiascos de público que foram etapas do BPR, WTCC ou do FIA GT aqui.”

    “Nos EUA nunguém sabe o que é F1.

    Se a Ferrari sair da F1 e for para a Indy ou voltar para Le Mans, suas vendas nos EUA podem até aumentar”

    imaginando realmente essas coisas, que nao imagino serem fantasia de ninguem, quanto valerá a F1 para os patrocinadores que colocam milhoes ???

    O pessoal aqui que é de propaganda e marketing pode falar muito melhor do que eu, sobre o que é vc fazer um planejamento de investimento em imagem, em algo que esta incerto, e turbulento. Acredito que no momento uma empresa séria com um cenario totalmente incerto desses, e que ninguem ainda sabe o que é será realmente da F1 ano que vem, va colocar milhoes e milhoes de euros numa equipe nova, e mais ainda em algo que nao se sabe como será ano que vem.

    Ai vem outra pergunta, como essas equipes todas vao arrumar os milhoes para correr ??? acredito que ninguem vai por essa fortuna ate que o cenario seja realmente claro do que será ano que vem. E se o cenario for um cenario novo com varias equipes novas, sem a maior parte de seus grandes e famosos pilotos, com as emissoras pedindo rescisao de contrato, com alguns autodromos pedindo reducao nos valores, será que os patrocinadores vao querer bancar essa brincadeira nesse nivel de valor ?? aos que querem dizer que tradicinao nao importa, é so ver a situacao da Brawn que ainda nao tem patrocinador principal mesmo apos vencer quase todas as corridas.

    Basta vermos que é facil voce conseguir vender 1000 bolsas Loui Vitton por R$ 8.000,00 que vender 10 bolsas na C&A por 800,00.

    O que quero dizer com isso ? que é muito mais facil voce arrumar patrocinio alto para o formato da formula 1 hoje que é um club exclusivista do que arrumar um patrocinio 10 vezes menor para a GP2 ou uma corrida similar.

    Publicado por claudio cardoso | 05/06/2009, 8:06 am

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