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A única solução é derrubar Max

(Imagem: Getty Image) maxfora(FORA: Para um bem comum e futuro do esporte, Max precisa deixar a FIA)

A FIA enviou à imprensa hoje um extenso comunicado detalhando o vai-e-vem de suas negociações com a Associação das Equipes de F1, a FOTA. Para ser bem sintético — pois eu já não agüento mais essa luta política sem fim — Max Mosley acusou a FOTA de obstruir quaisquer negociações entre as duas entidades com o objetivo de tomar para si o comando regulatório e financeiro da categoria.

Em outras palavras: bullshit!

A FOTA deseja — o que não é segredo para ninguém — é finalmente ver-se livre, especificamente, de Max Mosley e de seu estilo de gerenciamento confrontador, marcial e autoritário.

Já toquei no tema, mas não custa relembrar que a FOTA precisa do prestígio da FIA, mas dispensa Max. A entidade deseja, como já comunicou inúmeras vezes, uma governança mais estável e cooperativa do esporte e, óbvio, mais lucrativa para quem nele investe rios e mais rios de dinheiro.

Para o veterano jornalista Joe Saward, a derrocada da McLaren foi um laboratório perfeito para que as companhias, donas das equipes, entendessem o que significa confrontar Max Mosley. Do prazer em ver a poderosa equipe de Ron Dennis de joelhos, sobreveio o medo de abrir a sua contabilidade, finanças e balancetes e cair no mesmo abismo, arriscando o pescoço e seu prestígio por apenas investir e competir na F1.

De plataforma para desenvolvimento de seus produtos e exposição do valor de suas marcas, as equipes se vêem temerosas em serem vítimas da onipotência de Mosley, que pode jogar o prestígio construído em décadas na lata do lixo em dias — exatamente como foi o caso da McLaren.

A cada dia parece que só há uma saída para toda essa confusão e ela depende, essencialmente, da saída de Max Mosley da presidência da FIA.

Discussão

13 comentários sobre “A única solução é derrubar Max

  1. Max agora que perdeu o filho, o bicho ta enfesado mesmo!!!

    eita cabra macho da poha …… a escuderia Ferrari que aguente o que ela plantou .

    Publicado por Juão | 16/06/2009, 8:03 pm
  2. Eu digo isto desde o dia 1. E a FOTA basicamente mudou o discurso já faz uns 10 dias, fala muito menos do teto e mais da forma com que o campeonato é gerenciado. Infelimente tenho a impressão que as opções da FOTA não são das mais eficazes para derruba-lo.

    Publicado por Filipe Furtado | 16/06/2009, 8:50 pm
  3. Concordo com você. A melhor solução para esse empasse é a saída do presidente autoritário que está já há algum tempo tentando de todas as formas acabar com o prestígio das grandes equipes da F-1.
    As idéias dele têm lá sua coerência. Quando a Honda saiu ano passado, realmente percebemos que as montadoras não são compromissadas com o esporte da mesma forma que as equipes independentes. Diminuiu os custos de se manter na F-1 deve mesmo ser a prioridade. Só que mexer nas regras do regulamento todos os anos, de forma cada vez mais radical e com guinadas agressivas como a redução de um orçamento de 400 milhões para 40 é algo inaceitável! Nenhum outro esporte tem tamanha instabilidade de gerenciamento como a F-1. Alguém já parou pra contabilizar as ínumeras mudanças de tivemos na categoria desde 2004 pra cá por exemplo? Lembram-se de 2005, com a regra ridícula dos pneus, o fiasco da corrida de 6 carros, as mudanças atordoantes do qualifying?E as idas e vindas de slicks, controles de tração, idéias de motor padrão para todos, medalhas, América do Norte rifada do circo… Para a FOTA está cada vez mais claro que a F-1 está definando devido a gestão horrorosa que Mosley e Ecclestone vêm realizando nesta década.
    Motores congelados já há anos, a interessante guerra dos pneus Michelin versus Bridgestone substituída pela palhaçada da regra atual de compostos extremos, pole-position que não é o mais rápido… A F-1 está indo ladeira abaixo e esse regulamento de 2010 é o fundo do poço, a gota d’água da insatisfação das equipes e pilotos que fizem esse esporte ser bem sucedido.
    Estou realmente preocupado com a situação. Se houver o racha, será uma catástrofe em cadeia, Ecclestone processando Ferrari e cia pela quebra de contrato, Mônaco saindo da F-1, patrocinadores pulando fora, emissoras de tv como a Rede Globo com um impasse de transmitir uma categoria sem seus atrativos maiores ou quebrar contrato e transmitir uma outra categoria sem a segurança de que irá ser um sucesso como a antiga, GP do Brasil sem pilotos brasileiros e sem Ferrari com fiasco de público.
    Assisto outras categorias de automobilismo mas me fazer acordar 3 da manhã pra ver corrida, só a F-1.
    Sem ela perco uma das grandes paixões da minha vida.
    E isso será muito mas muito doloroso.

    Publicado por Carlos T. | 16/06/2009, 10:37 pm
  4. A questão é justamente essa… ficou bem claro que o problema da Fota é o Mosley, o regulamento e o teto orçamentário são apenas pretextos.

    É justamente por isso que agora eu acredito na séria possibilidade de uma separação, porque o velho Max não vai largar o osso tão cedo, disso não tenho dúvida. Então ou as equipes enfiam a viola no saco e abaixam a cabeça, ou partem definitivamente para a cisão.

    Ou todas se inscrevem, e só a Ferrari sai, que é o que eu acho que pode acabar acontecendo.

    Publicado por Hugo Becker | 17/06/2009, 12:29 am
  5. A situação está muito complicada mesmo, pois o Mosley não vai sair logo dado seu apego ao poder.

    Talvez a melhor opção fosse a FOTA entrar num acordo com ele agora para o campeonato de 2010 e mobilizar-se mais adiante com todas as outras associações que também discordam dessa gestão atual (na época da eleição do novo presidente da FIA) para eleger uma pessoa mais sensata e menos autoritária.

    Dessa forma, essa intensa troca de ameaças acabaria e a imagem da F1 deixaria de ser continuamente manchada como está sendo atualmente.

    Publicado por Flavio | 17/06/2009, 11:01 am
  6. Estou com o Hugo Becker.
    Se o cara faz o que faz é porque tem poderes legítimos para isso, dados por quem podia. Se as equipes armaram uma armadilha e dela se tornaram reféns, o negócio é desfazer tal armadilha ou partir para a cisão, dentro da legalidade. E, a meu ver, uma cisão não é ilegal.
    A vida é assim – perde-se e ganha-se.

    Publicado por A. Coyote | 17/06/2009, 11:01 am
  7. Se o cara faz o que faz é porque tem poderes legítimos para isso, dados por quem podia.

    É verdade… O único problema é que a FIA é uma entidade supra-nacional, uma Federação composta de mais de duzentos países membros e que representa os interesses de organizações automobilísticas e usuários de carros — e e você — ao redor do mundo.

    Os presidentes da maioria dessas associações não entendem picas de F1 e não distinguém o que é bom ou ruim para a Formula 1. Os seus interesses estão atados a outras benesses e é aí que Max manobra a seu favor nas eleições…

    O barulho feito pela FOTA, acho, tenta chamar a atenção dessa gente aliada de Max, mas alienada da razão de ser da F1 e das equipes…

    Observe como a Federação de Automobilismo Brasileira foi gerenciada nas últimas décadas e vc entenderá o problema e a cabeça dos aliados de Max…

    Publicado por Becken Lima | 17/06/2009, 11:16 am
  8. Olha, eu não quero aqui tomar o nickname de nosso grande comentarista “Polêmico”, mas, não vou deixar de criticar essa sua posição Becken.

    Primeiro ponto: “derrubar Max”.

    Como disse o Coyote, Max tem poderes legítimos para isso, portanto, derrubar Max seria ilegal e não condizente com as regras do jogo. Seria, no mínimo, anti-democrático, para não dizer atestado de que as equipes são tão ou mais autoritárias que ele.

    Segundo ponto: “Para a FOTA está cada vez mais claro que a F-1 está definhando devido a gestão horrorosa que Mosley e Ecclestone vêm realizando nesta década.”

    Existem erros cometidos pela dupla citada, mas, os principais, na minha opinião, não tem a ver com o regulamento em si e sim com o fechamento às novas tecnologias de informação (you tube, internet e afins) e a sede de Bernie pelo dinheiro das novas praças, dando as costas para os circuitos tradicionais (quando não os mutila) em favor de lugares onde sequer o povo tem interesse na F1 e onde as corridas são chatas e previsíveis.

    Quanto às regras, no meu entender, elas foram mudando na tentativa de que o espetáculo na F1 fosse restaurado. O interesse pela F1 ao meu ver está diminuindo principalmente pelas eternas filas indianas formadas nas corridas, pelo fato de que as equipes estão cada vez mais distantes umas das outras e pela contribuição cada vez menor do piloto para o resultado final (coloquem o Fisichella e o Nakagima na Brawn que é bem capaz dos dois disputarem o título do campeonato).

    Analisando friamente, não acho loucura a idéia de teto orçamentário com possibilidades técnicas de desenvolvimento livres. Muitos dizem que isso irá acabar com o espírito da F1, mas se esquecem que, no mundo atual, não há mais sentido em uma categoria cujos orçamentos anuais estão na faixa de U$ 500 milhões para as equipes de ponta.

    O problema é que essa gastança está sendo aplicada principalmente em conceitos que não geram nada para os carros de rua, em aerodinâmica que jamais será utilizada em veículos comuns (vide os carros de 2008 que mais pareciam aviões). Cadê a tecnologia para diminuir a poluição, carros que possam fazer 40, 50 km com um litro de gasolina e tenham potência de por exemplo 100 cavalos, carros que tenham a maioria de seus componentes de material reciclado? Nada disso está sendo desenvolvido na F1.

    Nesse sentido, Max tem razão, a F1 se transformou em uma disputa de egos entre grandes montadoras de carros, que não está trazendo grandes benefícios para os usuários de automóveis (principal motivo da FIA existir).

    Além disso, já perdeu há muito tempo o romantismo dos garageiros e se tornou um negócio. Equipes pequenas não conseguem mais peitar o poder econômico das grandes e faz mais de 15 anos que são apenas coadjuvantes no aspecto esportivo (a Brawn não vale pois é Honda, o maior orçamento da F1 em 2008). O grid reduzido e pouco competitivo (com apenas 2 equipes disputando efetivamente o título) é espelho dessa hegemonia de gigantes e é um fator de desinteresse dos espectadores muito maior que as mudanças de regulamento.

    Acho que a limitação de grana poderá trazer a inventividade dos engenheiros para a realidade do mundo, além de trazer várias equipes menores de volta a F1. É muito fácil criar um carro vencedor com U$ 500 milhões anuais, quero ver é com U$ 70 milhões, sabendo que uma Campos poderá fazer você passar vergonha. A idéia é essa, fazer mais com cada vez menos, consumindo poucos recursos naturais.

    Lógico que não se trata somente deste nobre fim e há muita sujeira nessa disputa entre FIA e montadoras, mas, se pensarmos bem, vamos dar um crédito ao Mosley, pois está utilizando argumentos interessantes para ganhar sua guerra suja.

    Terceiro ponto: “as equipes se vêem temerosas em serem vítimas da onipotência de Mosley, que pode jogar o prestígio construído em décadas na lata do lixo em dias — exatamente como foi o caso da McLaren”

    Ôpa, quer dizer que foi o Max que jogou o prestígio da McLiar no lixo.

    Sinceramente Becken, você quando vai falar de McLaren e Hamilton parece que fica cego.

    Quem jogou a reputação da McLiar no lixo foi a própria ao fazer espionagem industrial com a Ferrari e ser flagrada com a mão na massa, além de sua direção dar ordem para seu piloto principal, campeão do mundo, mentir para comissários da FIA em transmissão ao vivo para todo mundo.

    Max, ao contrário do que você levanta, passou a mão na cabeça da McLiar em troca da cabeça de Dennis, por duas vezes a punição da equipe foi aquém do que seria esperado se o critério de punição fosse apenas esportivo e não político. A McLiar teria de ser excluída do campeonato de 2008 e suspensa pelo menos por 2 corridas no de 2009 e Max deixou barato exigindo somente o afastamento do seu desafeto (que aliás e suspeitíssimo de ter armado contra Max no escândalo das orgias) e dando multas pecuniárias e nos pontos da equipe nos construtores (campeonato que só interessa às equipes).

    Em síntese, sei que não tem santo nessa história, mas o vilão está longe de ser apenas Max Mosley e sua idéias não são tão loucas como querem pintar (o Flávio Gomes fez um post bom sobre o assunto). Como alguém já disse, essas equipes/montadoras de bobas não tem nada e ajudaram a cavar a própria cova.

    São minhas humildes considerações sobre o assunto, abraços a todos.

    Publicado por Cassius Clay Regazzoni | 17/06/2009, 12:56 pm
  9. Cassius concordo com você, eu compartilho da mesma opinião de que as ideias do Max são boas, ainda mais depois que a Honda deu tchau para F1 . Contudo, o grande problema do Max é tentar impor isso de um ano para outro! As equipes teriam que demitir funcionarios e modificar completamente o seu funcionamento em menos de 6 meses. Sem contar que elas ainda teriam um campeonato regido pelas antigas regras em andamento e sem a certeza de que em 2011 tudo não mudaria novamente :(.

    Publicado por Filho do vento | 17/06/2009, 2:34 pm
  10. Eu ja começo a desconfiar de que não é a FIA que está sabotando o entendimento.

    O documento que foi publicado ontem trazia a palavra “desonesto”, que convenhamos. Não é usada a toa por ninguem. Em posição nenhuma.

    Publicado por Ron Groo | 17/06/2009, 3:12 pm
  11. Cassius, eu não discordo de ti. As ideias em si do Max não são ruins(apesar de eu preferir uma solução como a da última temporada da Champ Car em que se definiu limites para gastos em determinadas areas a um teto geral) o problema é no método usado. Max raramente consulta as equipes sobre estas mudanças, simplesmente as anuncia e isto por vezes custa muito dinheiro. Agora quando o Becken diz que a solução é derrubar o Max acho que não fala em golpe na fIA ou algo do tipo, existe uma eleição lá em outubro, do ponto de vista da FOTA a questão é encontrar um candidato capaz de derrota-lo.

    Publicado por Filipe Furtado | 17/06/2009, 4:48 pm
  12. Amigo Becken e Cassius,

    Eu estou com vocês, mesmo que estejam em campos opostos, porque os vejos discutir respeitosa e democraticamente. Dessa escuridão há de surgir uma luz que iluminará a todos.

    Eu defendo que golpes sejam evitados, principalmente porque abrem precedentes perigosíssimos. De golpe em golpe o esfacelamento da categoria virá como um raio. Faz-se necessário trilhar na legalidade, alterando ou criando novas leis se a situação o exigir, mas sempre pelas instâncias adequadas.

    O poder sem legitimidade é frágil. Vem e vai com o vento.

    Não posso entrar em detalhes porque não conheço os meandros e os verdadeiros interesses subjacentes à disputa.

    Só espero que ao final tenhamos belos campeonato regidos por uma organização democrática e, por isso mesmo, forte como uma rocha.

    Odeio (credo) filas indianas.

    Abs.

    Publicado por Anselmo Coyote | 17/06/2009, 9:04 pm
  13. Becken deve postar sobre o assunto em breve, mas já adiantando: especula-se queToyota e Renault usarão a desculpa dos desentendimentos entre FIA e FOTA para saírem da F1. Falava-se da saída das duas desde o dia em que a Honda caiu fora, logo, não é nenhuma surpresa.

    Numa situação dessas, as idéias de corte de custos de Mosley mostram-se plausíveis. O que não dá para entender é como alguém propõe um teto orçamentário ao mesmo tempo que impõe algo caríssimo como o desenvolvimento do KERS… é aí que se vê que as preocupações do Mad Max não são exatamente com o futuro da categoria…

    Falta diálogo nas atuas relações políticas da F1. Aliás, a própria política se faz com diálogo. Esse é o problema atual.

    Publicado por Vitor, o de Recife | 18/06/2009, 9:05 am

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