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David Stern da NBA salvaria a Formula 1 comercialmente

IMAGEM: jamd.com davidstern(DAVID STERN recepeciona Brandon Jenning no draft de 2009, uma das possíveis estrelas futuras da NBA)

No último post eu sugeri que Bernie Ecclestone está velho demais — 78 anos — e senil para o seu trabalho, Além de desconectado da dinâmica e velocidade do mundo moderno. A questão que fica no ar é quem poderia substituir Bernie Ecclestone?

Nesse momento eu não sei exatamente quem — eu imagino que a FOTA deva ter alguém no gatilho — mas ao menos eu sei o perfil desse homem. Se houvesse a possibilidade de escolher, eu faria como um dos leitores de Joe Saward e escolheria David Stern, o homem que transformou a NBA no esporte de exposição global que ele é hoje.

Coincidentemente, eu li há alguns anos atrás a biografia de Michael Jordan escrita magistralmente pelo jornalista e colunista esportivo americano, ganhador do pulitzer, David Halberstam. O livro é uma obra prima que relata a saga de Michael Jordan, e por tabela, a de personagens que gravitaram em torno de Jordan e ajudaram-no a estabelecer uma era na história de todos os esportes.

A capítulo 9 — Nova York; Bristol, Connecticut, 1979-84 — conta exatamente a história de como uma educado e afável judeu (oh, doce coincidência!) transformou uma liga mal vista por potenciais patrocinadores, agência de publicidade e redes de televisões, em um dos maiores e mais rentáveis espetáculos da terra.

David Halberstam — o autor do livro — narra que no começo da década de 80, “para a esquizofrênica sociedade americana, o basquete profissional era considerado um jogo marginal. Era visto como uma coisa para negros, no qual a maioria dos jogadores estavam envolvidos com drogas e dispostos a jogar apenas nos minutos finais das partidas. Os americanos preferiam a pureza do basquete universitário que — talvez inconscientemente— funcionava dentro de uma hierarquia branca, sob forte supervisão branca, um mundo de soldados negros, cujos generais continuavam brancos.”

O desafio de David Stern, portanto, era de formatar um novo conceito de esporte dentro da cabeça de um público preconceituoso — uma tarefa, você há de convir, para o Hércules do marketing.

A saída de Stern foi recriar uma nova imagem para a percepção e consumo desse público. Exames antidopings começaram a ser obrigatórios e os salários dos jogadores foram limitados por um teto.

Stern também era esperto e aproveitou o surgimento da ESPN em 1979 para expandir o culto ao esporte através do vasto território continental americano — algo que tem paralelo talvez com a internet nos tempos de hoje.

Além disso, Stern aproveitou a tremenda sorte de iniciar como diretor da NBA exatamente quando surgia três de seus mega ídolos: Magic Johnson e Larry Bird, e mais tarde o maior de todos, Michael Jordan — algo que tem paralelo hoje com Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Fernando Alonso.

Quando David assumiu de vez a NBA em 1984, Michael Jordan explodia na liga, trazendo a Nike e o Mcdonalds em seu vácuo.

O interessante é que não apenas o talento comercial de Stern foi preponderante para elevar a NBA e seu status de esporte globalizado, mas também a sua personalidade — cordial e amistosa — tenha sido uma ferramenta útil e perfeita para a missão.

David era filho de um confeiteiro nova-iorquino e trabalhou durante muito tempo com o seu pai. Essa relação com o varejo talvez tenha lhe forjado a rara habilidade para lidar com qualquer pessoa nos mesmos termos — algo em extremo contraste com o arrogante Bernie Ecclestone. Além disso, Stern jamais foi visto envolvido em polêmicas fúteis ou visões políticas bizarras.

Foi com esse perfil, trabalho duro e raro senso de oportunidade, que Stern transformou a NBA em uma febre mundial, que é hoje talvez o esporte mais popular na impenetrável China — aquele mesmo lugar que tinham as arquibancadas vazias na última corrida — e um dos mais populares no mundo.

Discussão

2 comentários sobre “David Stern da NBA salvaria a Formula 1 comercialmente

  1. Concordo com voce Becken. O Sucesso do Bernie se deu muito por ser extremamente facil vender a Formula 1.

    O ponto forte que realmente ele fez, ou ja nem sei se foi ele que fez, mas sim um processo pela qual o mundo passou, foi o da profissionalizacao.

    Quando vemos fotos da formula 1 antiga, vemos mecanicos de shorts, cada um com uma cor, vemos os boxes mal organizados e sujos. Hoje isso é até impensavel para equipes de ponta de kart.

    Com A limpeza, com a Organizacao das equipes, que começou na realidade com as flexas de prata (me corrijam se eu estiver errado), foi muito mais facil trazes os grandes patrocinadores, e mais que isso trazes o Glamour para a formula 1, e claro com isso veio o dinheiro, e ai o famoso, dinheiro atrai dinheiro.

    Eu traço um forte paralelo com o que o Becken escreveu no post, sobre o que fez no post falando como organizaram o basket, e com isso começou a atrais os patrocinios, na verdade foio o mesmo que aconteceu com o Futebol, Basktball. Hoje vemos um futebol tb rico, e profissional, cooisa que nao viamos nos anos 70 e ate os 80.

    Agora reparem um fato interessante, com os patrocinios, com o Glamour, veio o que ? A Escalada dos custos. Eles estao batendo tanto nesse tecla, mas isso aconteceu com todos os esportes que se profissionalizaram ao extremo.

    Hoje o futebol gasta muiiito mais que nos anos 70, 80, 90, o mesmo podemos dizer com o basketball, com o Volei, e por entao nao iria acontecer com a Formula 1 ?

    Lembremos que a Formula 1, sempre mas sempre foi um esporte para RICOS. se logo esse esporte que era muito caro, seria natural que a escalada de custos tb fosse subir ao absurdo que temos hoje.

    Publicado por claudio cardoso | 05/07/2009, 11:30 am
  2. O ponto forte que realmente ele fez, ou ja nem sei se foi ele que fez, mas sim um processo pela qual o mundo passou, foi o da profissionalizacao.

    Excelente observação, Claudio, eu concordo!

    Mas eu também acho que toda essa profissionalização, toda essa estrutura e estratégias de marketing, todo o know-how empresarial, também chegou quando as grandes montadoras assumiram o negócio.

    Tudo isso que hoje é mega, ultra, hiper profissionalizado, é total mérito dessas empresas que trouxeram também outros padrões de qualidade para a categoria — outras .

    E o grande mérito dele — como vc bem aponta — foi ter influenciado Max a permitir que essas grande empresas adentrassem ao mundo da F1.

    Publicado por Becken Lima | 05/07/2009, 12:24 pm

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