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Por que Jean Todt jamais deveria ser Presidente da FIA

FOTO: Ferrari/Divulgação todtpresident(TODT: em qualquer entidade séria, sua conflituosa candidatura jamais seria levada a sério)

Eu tendo a encarar com muito ceticismo os comunicados e manifestações públicas da FIA. São peças de pseudo-sofisticação burocrática, cheias de presunção, mas que carregam um mar de cinismo em suas linhas.

Vejam, por exemplo, o último comunicado que condena às acusações feitas por Ari Vatanen quanto ao uso da máquina da FIA por Jean Todt em sua campanha: a Fundação da FIA — que não deve ser nada mais que outro braço de poder Max Mosley dentro da entidade — rebate as acusações de Vatanen e alega que as acusações do ex-piloto são falsas.

As acusações de Vatanen, no entanto, são baseadas em um artigo da Revista Autosport, algo pelo qual o site da revista justifica como “não verdade” no pé dessa página AQUI.

Mas o que a FIA — ou Max Mosley — deveriam explicar é como Jean Todt, que jamais será modelo moral para liderar uma entidade com penetração e papel Global da FIA, foi permitido concorrer à presidência e  ter o apoio público do atual presidente quando há uma série de conflitos de interesses ligados à sua candidatura.

Todt já decidiu através do “cara ou coroa” qual dos seus dois pilotos seria permitido vencer; levou o termo “jogo de equipe” às últimas conseqüências na Ferrari (o que obrigou a entidade a banir tal ação em seu regulamento); levou a mesma FIA à corte por discordar do banimento de uma perigosa categoria de Rali na qual a Peugeot havia investido alto; E desligou-se de uma equipe que foi continuamente acusada de ser favorecida pela FIA ao longo dos anos.

Todt não tem os valores morais e integridade os quais a FIA finge resguardar quando pune um piloto por mentir frente aos comissários. Ele é apenas um executivo ultra-competente sem qualquer consciência ou entendimento dos valores e ética contidos em um esporte.

Durante anos, equipes, organizadores e fãs de Formula 1 agüentam a arrogância, a beligerância e os desmandos autocráticos de Mosley. A única plataforma na campanha de Jean Todt até agora foi a pr0messa de continuar o “maravilhoso” trabalho de Max. Talvez não ocorra a Todt que a comunidade em volta da F1 está cansada exatamente disso.

Ari Vatanen é a mudança e o meu insignificante apoio vai para ele.

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Discussão

8 comentários sobre “Por que Jean Todt jamais deveria ser Presidente da FIA

  1. Caro Becken,

    “Todt não tem os valores morais e integridade os quais a FIA finge resguardar quando pune um piloto por mentir frente aos comissários. Ele é apenas um executivo ultra-competente sem qualquer consciência ou entendimento dos valores e ética contidos em um esporte.”

    Perdoe-me a franqueza, mais dizer que Jean Todt “não tem valores morais e integridade” eu não concordo e acho muito forte, meu amigo. Ninguém é capaz de julgar outro a ponto de falar isso de forma tão catégorica, quanto mais baseado em informações dá imprensa e análises superficiais, distante do centro e das pessoas ligadas aos fatos analisados.

    Você lista alguns atos do Francês para embasar sua interpretação de seu caráter, mais não acho que esses exemplos possam ser suficientes para definir a integridade de alguém, mais ainda acho que o que você mencionou contra na minha opinião sequer depõe contra Told.

    Vejamos :

    * “Todt já decidiu através do “cara ou coroa” qual dos seus dois pilotos seria permitido vencer;”
    Concordo que em tese fere o que chamamos de disputa justa, mais analisando o quanto foi investido pela equipe, o total domínio que exerciam no ralie, a ferocidade da disputa entre Vatanen e Ickix até aquele momento no Paris Dacar, tomar aquela decisão na fase final da competição para preservar a vitória total da equipe não foi uma decisão errada. Talver tornar pública a história da moedinha tenha sido o erro maior. Em última instância uma certa ingenuidade com exesso de sinceridade.

    – “levou o termo “jogo de equipe” às últimas conseqüências na Ferrari (o que obrigou a entidade a banir tal ação em seu regulamento);”
    Ele não fez nada diferente de Colin Chapmam em 78, ou a própria Ferrari em 85, ou a Mercedes Benz nos anos 50, ou a Tyrrel com Stewart e Cevert. Nada que não seja comum na F 1. Hoje vemos isso na Renault e na Maclarem, por exemplo.

    – “levou a mesma FIA à corte por discordar do banimento de uma perigosa categoria de Rali na qual a Peugeot havia investido alto;”
    Defendeu os interesses da empresa da qual trabalhava diante de uma mudança de regras. Devemos considerar que naquela época a preocupação com a segurança era menor em todas as categorias, e as mortes eram muito mais frequentes e aceitas, vide Villeneuve e Palleti, mortos na F 1 naquela época. Além do mais até hoje existem saudosistas dos potentes carros de Ralie Grupo B.

    – “E desligou-se de uma equipe que foi continuamente acusada de ser favorecida pela FIA ao longo dos anos.”
    Não consigo sequer ver uma acusação aqui. Ele trabalhou na Ferrari, na maior e mais prestigiada equipe da F 1, numa fase que a equipe foi supercampeã tendo o melhor carro e o melhor piloto. Em que isso pode ser usado contra ele ?

    O automobilimos é um esporte de competição extremamente profissional e disputado, onde TODOS os envolvidos possuem um, digamos, amplo conceito do que é legal. Na minha opinião, nos últimos vinte anos tivemos apenas dois casos que até para os padrões da F 1 são claramente anti-esportivos : As atitudes de Shumacher com Hill em 94 e Villeneuve em 97, e a espionagem da Mclarem em 2007. Esses são, em meu ponto de vista, difíceis de serem explicados e justificados independente de qualquer ângulo de visão.

    Jean Todt é uma pessoa com a vida ligada ao automobilismo. Foi navegador de rali, e depois como dirigente teve sucesso nos campeonatos de rali, no Paris Dakar, em Le Mans e finalmente resgatou a Ferrari de tornar-se uma piada no grid, quando assumiu a equipe em 1993.

    Dessa experência na Ferrari podemos elencar três qualidades essenciais em líder que tem que enfrentar situações de crise :

    1. Ele mantém o grupo estável, sem sobressaltos, ainda que os resultados demorem a aparecer. Na Ferrari a primeira vitória veio em
    1994 e a disputa pelo título apenas em 1997. Na sua quinta temporada na equipe.

    2. Sabe montar a melhor equipe disponível. Told reuniu na Ferrari ao longo dos anos 90 um supertime que foi o responsável pelos anos de ouro a partir de 2000.

    3. Ele sabe dividir as atenções. Durante todo o período vitorioso da equipe Ferrari o Francês nunca demonstrou problemas em dividir as atenções com Shumacher, Brawn e Rory Byrne, nem mediu forças com Montezemolo.

    Para finalizar, é sempre bom ter em mente que se não temos condições de fazermos uma análise precisa sobre Jean Todt, que acompanhamos a distância nos últimos 15 anos dentro da Formula 1, quanto mais de Ari Vatanen ? Quem é ele ? O que pensa ? Tem experiência em gestão ?

    Quando Max Mosley foi eleito para a presidência da FIA, ele era a encarnação dos anseios das equipes, era a renovação e os ares de modernidade que a instituição precisava depois de anos sob o jugo do autoritário e com passado colaboracionista Jean Marie Ballestre.

    Ninguém é totalmente bom, nem totalmente mau, a não ser que estejamos falando dos filmes de Star Wars…

    Publicado por Sirlan Pedrosa | 22/07/2009, 3:03 pm
  2. Becken,
    Isto já é um pouco demais. É partir para a ofensa pessoal sem bases para tal, apenas porque se quer que ganhe Ari Vatanen. Aqueles que realmente interessam ganham pelo seu valor pessoal (que o Vatanen tem) e não por oposição a alguém.
    Eu acho sempre graça àqueles que vão atrás da crítica fácil e vesga, apontando num aquilo que não vêem noutros. Quando a Maclaren foi levada ao colo no caso da espionagem, não vi grandes críticas. Quando Ross Brawn fez o que fez na Alemanha, não vi grandes críticas (dantes a culpa era do Ross, agora, por interesse já é do Jean Todt!), etc.
    Vamos ver as coisas como elas são. O Jean Todt não é santo nem demónio, tal como o Vatanen, tal como eu e o você!

    Publicado por Luís Oliveira | 22/07/2009, 3:03 pm
  3. Automobilismo é um esporte e a FIA uma entidade que regulamenta as regras desse esporte.

    Em qualquer tribuna, congresso ou mesmo em uma entidade privada, um personagem com o passado controverso, que sempre jogou contra natureza e a ética esportiva como o Jean Todt, não deveria sequer se candidatar a presidência, quanto mais ser presidente. Ron Dennis, Ross Brawn ou quem quer que seja que estivesse nessa posição não deveria se candidatar ao cargo.

    Há inúmero conflitos de interesses que negam esse direito a ele.

    A FIA hoje é corrupta, como bem mostra o caso das novas entrantes que tenho certeza ira dar em um belo caso com a Comissão Européia investigando Alan Donnely e Max Mosley.

    Se não nada há aqui que deponha contra a dúbia ética de Todt, leiam os laudos da FIA e verão que não há sequer uma prova material, física, circunstacial de que a McLaren utilizou a informação no dossiê entregue por Nigel Stepney a Mike Coughlan. O julgamento e a punição foram embasados em premissas…

    Contrariamente, blueprints da McLaren foram encontrados dentro da Renault, disseminados em várias estações de trabalho e a FIA não fez absolutamente nada — o que reforça a obviedade de que Mosley usou de seu poder para pôr a McLaren de joelhos quando vários outros casos de espionagem foram negligenciados na história atual da F1.

    Desculpem, mas não volto atrás em uma linha do que escrevi…

    Publicado por Becken Lima | 22/07/2009, 3:23 pm
  4. nossa, esse post realmente está digno de críticas duras. está parecendo texto de campanha política de segunda. acusações levianas e inescrupulosas para cima de uma pessoa que, para a sorte do becken, nunca vai ler isso.

    Publicado por andre | 22/07/2009, 3:29 pm
  5. Assim que li esse post percebi que ele seria um gerador de opiniões controversas, e que os que veêm o Jean Todt como o melhor candidato cairiam de pau em cima do Becken.

    Becken que usou premissas de campanha politica a lá Paulo Maluf, descendo a lenha no baixinho francês, mesma rotina que vem usando o Vatanen em suas declarações, que soa como político brasileiro prometendo mundos e fundos sem se quer saber se pode ou não fazer, e atacando o adversário para desestabiliza-lo.

    Como já postei anteriormente, Vatanen não vai ter condições de se impor contra as montadoras, que vão fazer da FIA o seu quintal de casa, porque, não é apenas de F1 que vive a entidade, e sim de regulamentar as leis de segurança, emissão de poluentes em veículos leves e pesados e crash-test nos carros das montadoras que nele estão depositando o seu dinheiro.

    Se pensarmos apenas em F1, Todt pode ser ruim para o esporte, mas não podemos pensar apenas nisso, ha muita mais envolvido, e o político Vatanen não esta em posição de perder apoios, e apoios que vão cobrar-lhe favores, e são esses favores que na minha opinião é que depõe contra o finlandês.

    E Becken, você pegou pesado, a Mclaren só de ter acesso aos papéis do menino da xerox ja cabe sim uma investigação e punição, e da forma passiva como foi aceito todo processo em cima da equipe do Dennis imagino que eles sabiam que tinham culpa no cartório.
    E sabemos que não é preciso copiar nada naqueles papéis para aplica-lo no carro, e sim apenas melhorar as idéias que la continham, então meu amigo pega leve, a punição até foi branda.

    Publicado por Claudemir Freire | 22/07/2009, 4:50 pm
  6. “…não é apenas de F1 que vive a entidade, e sim de regulamentar as leis de segurança, emissão de poluentes em veículos leves e pesados e crash-test nos carros das montadoras que nele estão depositando o seu dinheiro.”

    Se não me engano Vatanen defendeu em sua carreira politica a segurança e a diminuição do impacto ambiental causado pelos carros. Exatamente pelo fato da FIA ser mais uma entidade política do que qualquer outra coisa, Vatanen se torna mais propício ao cargo, devido à sua experiência.

    Todt é, na minha opinião, a última pessoa que deveria se candidatar ao cargo, ainda mais sendo apoiado por Mosley. Suas éticas são sim questionaveis. Todt sempre colocou suas equipes acima do esporte, e decisões por parte dele ainda são um estigma no automobilismo. E o pior, cada vez mais eu vejo Todt como uma marionete do Mad Max e sua trupe, prontos para manupularem as cordas sem serem vistos. Como dizem, Todt é o candidato da “situação” – É o que queremos? Que a situação que todos condenavam há menos de um mês continue? Que o legado político de Mosley se perpetue?

    Eu não…
    Ari for president!

    Publicado por Guilherme Teixeira | 22/07/2009, 5:13 pm
  7. Só completando, Claudemir. Eu não vejo Jean Todl como o melhor candidato. Nem o pior.

    Não conheço a postura e a experiência de Ari Vatanen para fazer uma comparação. Não acredito que uma leitura no seu currículo seja suficiente para defini-lo, até porque a depender de quem o escreveu o resultado muda radicalmente.

    Jean Todl pode, e deve ter muitos defeitos, mais tem uma história vitoriosa e competente, sempre dentro de esporte.

    A questão sobre o post foi a “forma” que eu realmente achei fora do contexto e exagerada.

    Mais isso é democracia, e no final o Becken está de parabéns pelo espírito democrático de aceitar as opiniões contrárias, mesmo que sem retirar uma linha do que escreveu…

    Publicado por Sirlan Pedrosa | 22/07/2009, 6:33 pm
  8. “Todt é, na minha opinião, a última pessoa que deveria se candidatar ao cargo, ainda mais sendo apoiado por Mosley”.

    Faço minhas as suas palavras, Guilherme.

    Esse artigo é polêmico como tudo o que envolve questões políticas, não importa qual campo seja. Cada pessoa defende o seu ponto de vista e assim deve ser.

    Mas eu faço parte daqueles que defendem mudanças sérias no comando do automnobilismo mundial.

    E essa mudança só pode acontecer com um único candidato: Ari Vatanen.

    Publicado por Will | 22/07/2009, 7:32 pm

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