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ARTIGOS

Contrastes nos acidentes de Felipe Massa e Tony Kanaan, revelam desafio à segurança no automobilismo

A reação imediata à morte de Henry Surtees duas semanas atrás, acertado na cabeça por um pneu solto de outro carro após colisão, e ao acidente de Felipe Massa no sábado, foi conjecturar o fechamento dos cockpits dos monopostos — o que protegeria a cabeça, a parte mais vulnerável do corpo dos pilotos.

O problema é que horas depois, o piloto da Andretti Green, Tony Kanaan, sofreu sérias queimaduras após um incêndio dentro do seu cockpit. Tony e o carro foram cobertos por combustível, resultado de um problema no sistema de reabastecimento. O combustível fluiu até a bateria do carro que iniciou o incêndio dentro do cockpit. Tonny queimou as mãoes e o rosto, mas sem mais gravidade.

Com um cockpit fechado, talvez o combustível não o tivesse molhado, mas se o fogo se alastrasse para dentro do cockpit, o brasileiro sofreria maiores conseqüências e não seria socorrido de forma tão eficiente pelos bravos mecânicos da Penske.

Com cockpits fechados talvez não tivéssemos perdido Senna, mas talvez Gerhard Berger não estivesse aqui para contar a história depois de seu acidente em Imola, na mesma curva que matou Senna.

Steven, do blog Checkpoint 10, relembra uma idéia do nosso Emerson Fittipaldi logo depois da morte de Senna:

Deveríamos considerar um invólucro no cockpit, mas com uma abertura no topo, acima da cabeça do piloto. Não acho que deveria ser 100% fechada, mas com um lugar para saídas [de emergências].

— Emerson Fittipaldi

(No “The 1994 Indianapolis 500 Yearbook” de Carl Hungness, p.17)

A idéia é a melhor que eu vi na abordagem do tema e a FIA deveria levar em consideração o “insight” feito pelo velho Emmo.

A certeza depois desse trágico final de semana, é que os acidentes de Felipe e Tony, separados por poucas horas, é uma exemplo da complexidade na hora de regulamentar medidas preventivas de segurança no automobilismo. Sempre há um risco…

Discussão

14 comentários sobre “Contrastes nos acidentes de Felipe Massa e Tony Kanaan, revelam desafio à segurança no automobilismo

  1. Eu acho que podia ser algo facilmente removível de dentro pra fora, mas que desviasse peças que fossem na direção do piloto.

    Não é difícil imaginar um encaixe assim.

    Publicado por fernando-ric | 28/07/2009, 4:44 pm
  2. Se memoria não falha, Emerson chegou a comandar um estudo sobre o assunto e creio que concluiram que valeria apenas nos ovais mais longos e rapidos como Indianapolis e Michigan, mas não nos ovais curtos e pistas mistas.

    Publicado por Filipe Furtado | 28/07/2009, 5:10 pm
  3. Não tenho opinião formada sobre esse assunto por causa de complexidade, sempre vejo dificuldades em aderir a idéia da cobertura do cockpit e já se mostrou ineficás o sistema atual.

    “Eu acho que podia ser algo facilmente removível de dentro pra fora”

    Amigos, pensem na seguinte situação de batida onde o piloto perde a conciência e se alastra fogo pela parte externa e interna do carro, como demoraria o socorro e até apagar o fogo de cima do bólido e abrir a cobertura, o piloto pode vir a morrer. Situação que o Becken descreve no post com exemplo do Berger.

    Em caso de o carro ficar de virado com o piloto não teria como sair rápidamente e se vier a ficar desacordado o socorro demoraria ainda mais, o que mais uma vez corrobora com o perigo da idéia.

    Em caso de o carro ter a proteção quebrada por um acidente onde outro carro passa por cima do cockpit os estilhaços podem vir a ser um perigo eminente de morte. Nesse caso tem que ser considerado o material a ser usado.

    Em corridas de barco onde é usado o cockpit fechado, já houve mortes por afogamento, em razão do piloto não conseguir abrir ou ficar desacordado, mas vem dos barcos a melhor idéia para proteção.

    Com o topo do cockpit aberto, protegendo a parte frontal da cabeça do piloto, mas deixando um espaço para o caso de precisar sair rápidamente ou em caso de fogo interno. Mas…

    Existem mais coisas que podem ser um risco com o uso da proteção.

    E ficou claro que existem razões para adotar uma proteção.

    A sugestão do Emerson é a melhor. Que se assemelha a dos barcos com topo aberto

    Mas é de se levar em consideração que casos como do Surtees e Massa são raros e o Capelli enumera alguns e vesse que são poucos.

    Publicado por Claudemir Freire | 28/07/2009, 6:55 pm
  4. Becken o cometário ficou no firewall.

    Publicado por Claudemir Freire | 28/07/2009, 6:59 pm
  5. Algo assim serve?

    Publicado por Leandro Magno | 28/07/2009, 7:09 pm
  6. Um outro problema de cock pit 100% fechado é se chover.
    Não haveria limpador de para-brisas q daria conta do spray q sai do carro da frente.

    Publicado por Leandro Magno | 28/07/2009, 7:22 pm
  7. E neste caso? Como funciona o sistema de segurança?

    Não seria uma possível solução?

    Publicado por Vitor, o de Recife | 28/07/2009, 7:36 pm
  8. acho bem complicado, e em geral os acidentes por incêndios são de dentro para fora, oque inviabiliza cockpits 100% fechados. Qualquer que seja o material que proteja o cockpit, mesmo que parcialmente, tem q ser de resistência de caça, e com o párabrisa, já que proteger as laterais e não a frente seria absurdo, nem teria sentido ter uma proteção dessas. E convenhamos, para-brisa é o fim do esporte..guiar na chuva é um diferencial.

    Um saída para incêndios como o de Berger, msm sendo semiaberto, é a de criar um dispositivo de segurança bem protegido, que acionasse a saída imediata da proteção, assim que ocorresse o incêndio.
    Agora, será que semi-aberto não dificulta (e muito)a parte aerodinâmica? Fechado com certeza não atrapalharia tanto, mas semi, com abertura no topo, quebra totalmente o fluxo de ar de cima…e será que essa perda de aerodinâmica não seria boa?

    são questões que me surgiram depois de ler seu post, Becken, e de ver o comentário do Claudemir.

    Publicado por Ridson | 28/07/2009, 11:59 pm
  9. Bem se a ideia é proteger então não pode ser aberto por cima porque qualquer trajectória tem curva descendente, mesmo bala. Se for um objecto com algum peso significativo mesmo que faça ricochete no chão, pode entrar directo na zona do cockpit descrevendo um arco mais ou menos pronunciado como foi o caso do Massa. Sabendo da energia cinética do objecto e das velocidades envolvidas, podemos facilmente fazer uma ideia do que é o impacto. Lembro que em corridas tipo Paris Dakkar, já vários pilotos foram desmontados das motos por embates de besouros no capacete. Ou seja, um insecto grande é suficiente para provocar a queda e descontrolo do piloto.
    Claro que este acidente do Felipe é muito mais raro do que o de roda soltando-se. Primeiro que tudo há que investigar esse soltamento do carro da Brawn e saber o que o provocou. Sem querer entrar no tipo de polémica que se deu com a Williams aquando do acidente de Imola acerca da qualidade dos materiais, há que estabelecer de facto neste momento, até que ponto os materias, sua fadiga previsível e resistência, utilizados na F1 são ou não capazes de suportar os esforços produzidos pelos próprios carros.
    Estamos a falar de indústrias ao nível da NASA em muitos aspectos, de orçamentos de biliões e portanto ninguém melhor que os construtores para resolver esse assunto tomando medidas.
    Tão raro quanto a forma do acidente do Massa é o desprendimento de uma mola de suspensão de um veículo. Isso sim dá que pensar. Alguma coisa aí está muito perto do limite para isso acontecer.

    Publicado por Ernesto Sousa | 29/07/2009, 6:20 am
  10. Sugestão: que tenha um painel ejetável logo à frente do volante, algo como um airbag. Um sensor fica scaneando a frente do carro, teria que ter uma velocidade absurda, se algo passar por ai ele dispara, mudando a rota do objeto em questão.

    Ok, viajei.

    Publicado por fernando-ric | 29/07/2009, 8:41 am
  11. Para mim bastaria um defletor a exemplo que as motos usam. Não precisaria cobrir mais do que 60 graus do horizonte do piloto. Se fossem feitos de polímero de aviação (que envolve muitas carlingas de aviões de guerra) poderia ter salvo Senna, Massa e até o rapaz da GP2.

    Publicado por Barao | 29/07/2009, 8:44 am
  12. Putz! Viajou mesmo em Cosmo Kramer.
    Essas férias da F1 está um período propício pra viajar mesmo. rsrrss

    Publicado por Leandro Magno | 29/07/2009, 8:49 am
  13. http://historiasevelocidade.blogspot.com/2009/07/bolhas-de-caca-nos-cockpits.html

    acabei fazendo esse post com muito atraso, mas versa sobre o mesmo tema e meio que se modificou pelo que li no seu post e nos comentários

    Publicado por Ridson | 30/07/2009, 8:38 am
  14. Vejam essa matéria:

    O ACIDENTE DE MASSA E A MORTE DE SENNA PODERIAM TER SIDO EVITADOS COM O USO DO PCP?

    http://designerbira.blogspot.com

    Esse equipamento já foi visto pela Brawn GP, aguardando resposta.

    Publicado por Ubiratan Bizarro Costa | 17/08/2009, 7:16 pm

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