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McLaren e Mercedes: divórcio à vista?

Imagens: McLaren/Divulgação orangemclaren(O LARANJA DE VOLTA:  com a Mercedes interessada na Brawn, poderíamos ver a McLaren laranja novamente)

Com Fernando Alonso finalmente confirmado na Ferrari, a bolha especulativa da F1 finalmente volta sua atenção para a McLaren. Há a novela da recontratação de Kimi Raikkonen em curso, mas a história que captura atenção do paddock no momento é o potencial divórcio entre a equipe e sua acionária e parceira de anos na F1, a Mercedes-Benz.

Para ser breve: rumores fortes sugerem que nesse final de semana Ron Dennis e o CEO da controladora da Mercedes, a Daimler, Dieter Zetsche, estarão em Abu Dhabi para realinhar os interesses da parceria entre as duas companhias. Zetsche também viria cortejar a Aabar, companhia de investimentos de Abu Dhabi e uma das acionistas majoritárias da Daimler. Será através da Aabar que a Mercedes dará um drible jurídico nos entraves que limitam os seus investimentos na F1 — contratualmente restritos apenas à McLaren.

Interesses da Mercedes

A Mercedes mantém a mídia sobre controle, mas é certo que a fábrica e a equipe caminham para uma inevitável separação. Não há sinais explícitos de insatisfação da gigante alemã quanto à parceria, mas é bem provável que os últimos dois escândalos em que a McLaren esteve diretamente envolvida — arrastando junto o nome da Mercedes — contribuirão para o potencial divórcio.

Na Brawn a Mercedes encontrará ,por uma pechincha, uma infra-estrutura pronta deixada pela incompetente Honda, além de contar com Ross Brawn no comando, um dos homens mais inteligentes da história da F1, e o mai imprtante: o direito de personalizar o seu investimento em um piloto germânico — algo o qual a McLaren sempre teve a palavra final em Woking.

Além de tudo isso, a Mercedes terá sua marca carregada por uma equipe jovem e politicamente neutra no cenário da F1 no momento.

Interesses da McLaren

Será uma parceria interessante para a Brawn e para a Mercedes, mas onde fica a McLaren em tudo isso? Os profetas do apocalipse logo dirão que este é o fim da McLaren como a conhecemos, mas quem anda acompanhando de perto os movimentos do McLaren Group sabe que esta possível separação não é obra apenas da Mercedes, mas também vem sendo induzida pela própria McLaren.

No mês passado, com o lançamento de MP4/12C e do SLS AMG da Mercedes-Benz, as duas companhias tornaram-se rivais no mercado de super esportivos, o que é um tremendo conflito de interesses entre companhias que dividem parentesco acionário.

Com motor desenvolvido in house, o MP4/12C incorpora o sonho e pretensão da McLaren em tornar-se uma equipe puro sangue nos moldes da legendária Ferrari. E isso fica claro nas palavras do próprio Ron Dennis na apresentação oficial do carro: “quando eu era bem jovem, apenas uma marca existe ainda hoje: Ferrari e desde então, 78 equipes adentraram à Formula 1… e esse carro constitui os alicerces para o futuro da McLaren.”

Razões para dizer: “Yes, we can…”

O importante para os fãs e admiradores da equipe é saber que se havia a intenção de pôr em curso tal empreitada, o “timing” exato é esse.

Por que? Porque a McLaren é parte de um grupo com um variado e diversificado modelo de negócios que melhor se auto-sustenta entre todas as equipes. Um modelo  que abarca desde um Buffet até alta tecnologia em engenharia. Além do sucesso paralelo às corridas, o Grupo liderado por Ron Dennis tem um das melhores infra-estruturas para se desenvolver e construir carros de competição no mundo, o Paragon.

Paralelamente à sua infra-estrutura e modelo de negócios, a McLaren contará com o atual momento de transição pelo qual passa a Formula 1 para fazer florescer tal projeto ambicioso — momento em que a categoria vem sendo padronizada em termos tecnológicos e orçamentário, o que reduzirá significativamente o impacto de grandes orçamentos na competição.

Motores, que consomem um percentual significativo do orçamento de uma equipe de F1, podem ser desafios alcançáveis, ainda mais quando sabemos que parte do DNA do melhor motor da F1 no momento é herança de uma companhia inglesa, a ILMOR, baseada em Brixworth, área industrial inglesa chamada de Motorsport Valley, onde as idéias e o expertise da indústria automobilística circulam constantemente.

Em um primeiro momento, pode parecer assustador prescindir de uma companhia com a influência, prestígio e capacidade financeira como a Mercedes, mas será interessantíssimo observar como esse sonho se desenvolverá e como a equipe enfrentará esse novo desafio, tornando-a novamente independente em uma Formula 1 em rápida mutação.


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Discussão

12 comentários sobre “McLaren e Mercedes: divórcio à vista?

  1. Ron Dennis errou feio nos anos 2007 e 2008 e a Mclaren pagando um preço alto. Anos 2007 e 2008 a Mclaren/Mercedes deveriam ser campeã de construtores. Mclaren e Mercedes estão soltando faiscas.Vai ser interessante com vai ser desenvolvidos os projetos de cada uma.

    Publicado por Carlos | 30/10/2009, 7:36 am
  2. Becken,

    A Mclaren é realmente uma equipe ímpar. Eles sabem do seu valor e se posicionam muito bem nas mesas de negociação.
    Vide este acordo com a Mercedes, onde a Mercedes é o Patrão mas quem manda é o empregado.

    E não estou dizendo isto de forma pejorativa não. É um caso muito peculiar no mundo dos negócios.

    A Mclaren é tão forte, tem tanta “moral” que se dá ao luxo de bater o pé e dizer: ” O dinheiro é seu, mas o galinheiro é meu”.

    E onde a Mercedes ganhava nessa história? Ganhava Expertise. Foram 10 anos coladas em uma gigante das corridas. Se era pra apostar em algo, apostaram no melhor.

    E a Mclaren, abria mão de quê? Abriu mão de confiabilidade. Foram quantos anos desenvolvendo este motor para ele ser hj o melhor do Grid?
    Quantas quebras até o motor chegar neste estágio? Aí que fico fã da Mclaren. Onde eles dizem:”beleza, roemos o osso juntos, mas agora o filé, vamos comer juntos”. Por isso a cláusula de veto no fornecimento dos motores.

    Foi um grande exemplo de “Ganha-Ganha”. Dá pra usar este Case em treinamentos tranqulamente.

    Por isso, ao contrário de vc, considero tanto a Ferrari, quanto a Mclaren, são legítimas Puro-Sangue. E eu como Ferrarista, admiro a Mclarem por ser um inimigo a altura.

    Fernando.

    Ps
    Em que perído Mclaren corria de laranja?

    Publicado por Ffigueiredo | 30/10/2009, 8:03 am
  3. Uma correção, a Aabar comprou “só” 9,1% das ações da Daimler por 1,95 bi de euros, mas não assumiu o controle acionário da empresa.

    http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=a0eAzATgnNcU

    Num fais assim cum nóis, us manu tão comprano tudo mais assim é dimais. :)

    Esse casamento já deu o que tinha que dar, já rendeu uma casa para a Mercedes, e um carro para a Mclaren, agora vão dividir os bens e cada um vai ficar com uma criança, quem sai ganhando eu não sei.

    A Mercedes comprou a fábrica de motores Ilmor em meadas da década de 90 (Ilmor que era uma dos piores motores do grid) e depois de muita batalha e investimento fez um bom motor, e não falem que ele quebrava a torto e a direita, porque eles foram campeões em 1998/1999.

    A Mclaren se revitalizou, arrumou suas instalações para o futuro, e ganhou dinheiro como poucas nesse periodo, e agora vai desenvolver seus motores (nada me tira da cabeça que serão os BMW) e se perpetuar como puro sangue de verdade.

    Agora é esperar e ver o que o “juiz” vai decidir, quem vai ficar com o quê, e como e quando isso vai acontecer.

    Ffigueiredo

    Em que perído Mclaren corria de laranja?

    De 1968 a 1972, e o porque do laranja, é a cor que representa a Nova Zelandia.

    Publicado por Claudemir Freire | 30/10/2009, 8:42 am
  4. E onde a Mercedes ganhava nessa história? Ganhava Expertise. Foram 10 anos coladas em uma gigante das corridas. Se era pra apostar em algo, apostaram no melhor.

    E a Mclaren, abria mão de quê? Abriu mão de confiabilidade. Foram quantos anos desenvolvendo este motor para ele ser hj o melhor do Grid?
    Quantas quebras até o motor chegar neste estágio? Aí que fico fã da Mclaren. Onde eles dizem:”beleza, roemos o osso juntos, mas agora o filé, vamos comer juntos”. Por isso a cláusula de veto no fornecimento dos motores.

    Vc foi no ponto Fernando.

    P.S.: Revisei o texto. Tava meio grogue ontem à noite e postei sem revisão!

    Publicado por Becken Lima | 30/10/2009, 8:54 am
  5. Becken,

    A única chance de uma equipe se manter independente e até desenvolver o seu próprio motor é a FIA manter por muito tempo essa limitação de desenvolvimento, que na verdade é uma nivelação “meio que forçada” dos motores.

    Com desenvolvimento liberado, os investimentos em tecnologia são muito altos e podem atrapalhar os planos da Mclarem.

    Não nos esqueçamos que a Ferrari é pseudo auto-suficiente, porque afinal de contas tem a FIAT por trás.

    Publicado por Sirlan Pedrosa | 30/10/2009, 10:02 am
  6. Uma coisa : Esse carro laranja ficou muito bonito !

    Publicado por Sirlan Pedrosa | 30/10/2009, 10:06 am
  7. excelente reportagem…gostaria de ler coisas mais do tipo, especificamente sobre a McLaren…

    Publicado por Gabriel Galenia | 30/10/2009, 10:53 am
  8. excelente reportagem…gostaria de ler coisas mais do tipo, especificamente sobre a McLaren…

    Vc veio no lugar certo… ;)

    Publicado por Becken Lima | 30/10/2009, 11:01 am
  9. Boa Becken!!!

    Eu mesmo, aprendi a gostar mto da Mercedes(como se fosse tarefa dificil huahauahu) e acho que apesar de termos vencido 98 e 99, em 2005 perdemos tanto o de pilotos quanto o de equipes por causa dos Mercedes. Agora eles saem, não os culpo por isso, e ao meu ver o maior revéz da McLaren é talvez não seguir tendo o melhor motor da categoria no momento. Fora isso, acho que já está mesmo na hora de ser 100% independente.

    Ah, e a divisão de motores de F1 da BMW dá pinta de realmente ser um grande negócio!

    É isso, espero que a Mercedes seja um time de ponta, pois pra mim é como se fosse uma “McLaren B”, ou o meu time de futebol em outro estado. huahauahua…

    Publicado por Alan McLaren | 30/10/2009, 12:40 pm
  10. Becken, acho que tem um comentario meu preso ai.

    Publicado por Claudio Cardoso | 30/10/2009, 1:15 pm
  11. Becken, acho que tem um comentario meu preso ai.!

    Claudio, infelizmente não. Acho que vc perdeu o comentário em algum reload da página

    É isso, espero que a Mercedes seja um time de ponta, pois pra mim é como se fosse uma “McLaren B”, ou o meu time de futebol em outro estado. huahauahua…

    Rsrsrsr.. Ótima definição, Alan…

    Publicado por Becken Lima | 30/10/2009, 1:47 pm
  12. A Mercedes só está jogando. Nada mais. Não acredito que se “divorcie” da McLaren.
    A longa relação de Ron Dennis com os petrodólares trará o acordo a bom fim porque hoje tudo passa por aí para os players deste circo.

    Publicado por Ernesto Sousa | 31/10/2009, 2:50 pm

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