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Bridgestone deixará de fornecer pneus à F1

IMAGEM: Bridgestone/Divulgação BRIDGESTONE(BRIDGESTONE: fim da jornada na F1)

De forma surpreendente a Bridgestone, fabricante japonesa de pneus e fornecedora da F1 há 13 anos, anunciou hoje que não renovará o contrato com a categoria que se encerra no fim de 2010. A companhia é mais uma vítima da recente recessão econômica Global, registrando perdas de US$ 420 milhões no primeiro semestre desse ano em comparação com o anterior. Estima-se que a Bridgestone gaste anualmente mais de US$ 100 milhões no seu programa de F1,  o que dá certo sentido à decisão da companhia.

Mas será essa uma notícia tão ruim para a F1? Isso já foi tema de um post aqui no blog meses atrás e lá eu escrevi que:

“Em teoria a Formula 1 deveria ser a grande arena para que companhias que dividem segmentos de mercado atrelados à indústria automobilística duelassem: Mercedes  vs  BMW; Toyota   vs  Honda; Bridgestone   vs  Michelin. São esses duelos que fazem com que atenção do público vá além de equipes e pilotos e concentrem-se também nos fornecedores secundários.

Com o abandono da francesa Michelin no final de 2006, encerrou-se a guerra que vinha sendo travada entre as duas gigantes fabricantes de pneus. A Bridgestone viu-se então solitária e esquecida, sem a devida atenção e exposição espontânea de mídia que tinha durante a batalha com a Michelin nos anos anteriores.

Que solução a FIA e a companhia encontraram para que os pneus fossem responsáveis por algum excitamento e imprevisibilidade, gerando assim exposição para a fornecedora? A entidade criou uma regra arbitrária que obriga as equipes a usarem dois compostos de pneus por corrida.

Além de criar mais um complicador para a percepção do público, a regra criou alguns problemas nos últimos dois anos: a McLaren foi obrigada a pôr Lewis Hamilton em uma estratégia de três paradas na Turquia em 2008 porque o MP4/23 configurado para o estilo de pilotagem do inglês deixava os compostos menos rígidos vulnerável a uma “Força G” que poderiam causar um acidente na curva 8 do circuito. Após as corridas na Alemanha e China, a Ferrari reclamou publicamente da composição mais dura, que em conjunto com temperaturas ambientes amenas, tirou alguns décimos de performance da equipe.

A solução, óbvia até, seria a Bridgestone permitir que cada equipe usasse o composto que melhor se adaptasse as características naturais de cada carro. Pneus mais macios para a Ferrari que tem um carro que privilegia a aerodinâmica e come menos borracha, e mais duros e resistentes para o estilo de pilotagem de Lewis. Tal arranjo talvez gerasse mais discussão do que a atual regra.”

— Trecho do Post A confusão criada pela Bridgestone

A Bridgestone, portanto, já vai tarde com a sua marqueteira manipulação de resultados, mas resta a dúvida quanto a qual companhia terá a coragem de enfrentar o desafio de ser fornecedora única da F1 quando a categoria tem na companhia japonesa um fornecedor tecnologicamente confiável.

Possíveis candidatos: a Michelin que hoje é fornecedora da falida A1GP e da Le Mans Series; A Goodyear, parceira da NASCAR; ou a Firestone, envolvida com a Indy.

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Discussão

13 comentários sobre “Bridgestone deixará de fornecer pneus à F1

  1. Ah, evidente. Se não for a Bridgestone, será ou Michelin, ou Firestone, ou Goodyear.

    Eu aposto com você: 1) nenhuma marca se comprometerá a assumir o fornecimento de pneus sozinha; 2) Consequentemente, a F-1 correrá atrás de duas fornecedoras, então teremos a volta da briga entre os pneus em 2001; 3) Serão Michelin e Goodyear.

    A Firestone corre MUITO por fora, por questões históricas. A Michelin saiu por causa daquela palhaçada do GP dos EUA de 2005, mas nada que um bom acordo financeiro resolva, esse pessoal não tá interessado em birra, mas sim em grana. E a Goodyear, até o fim dos anos 90, estava lá, ganhando título mundial com a McLaren e sendo fornecedora única por dois anos, se não me engano.

    Agora, que esse anúnci da Bridgestone pegou todo mundo de surpresa, pegou… seria como hoje (segunda) a Williams anunciar Hulkenberg e qualquer outro que não seja o Barrichello.

    Abraço!

    Publicado por Hugo Becker | 02/11/2009, 4:00 am
  2. 2001 = 2011

    Publicado por Hugo Becker | 02/11/2009, 4:01 am
  3. Ouvi agora no Felipe Motta. Rubinho acaba de conceder sua primeira entrevista como piloto da Willians.
    O que me chamou atenção na entrevista foi quando ele disse que ele só teria comunicado à Brawn ontem que já estava assinado com a Willians, e que o Ross Brawn teria ficado surpreso. ( Alguén aí realmente acredita nisso?).

    Boa sorte ao Rubens, que ele seja muito feliz na Willians. Talvez a mais simpática equipe de Fórmula 1. Simpatia talvez só comparada ao Juventus da Mooca.

    Fernando

    Publicado por Ffigueiredo | 02/11/2009, 8:23 am
  4. http://www.oconsumidoremdebate.blogspot.com

    Eu lembro que quando a Michelin desertou, foi pelo ‘protesto’ de não haver mais competição, como também pela patriotada para manter a Bridgestone, um pouco também pela fiasqueira de Indianápolis (acho eu).
    Também aposto que vai haver competição, com mais de uma marca diferente, pois com a desculpa da ‘recessão por conta da crise mundial’ ninguém vai ter culhão de bancar tudo sozinho.
    Agora, uma dúvida, o post fala da Firestone, mas ela não foi comprada pela Bridgestone, não é a mesma marca, só que voltada para o público norte-americano, tradicional, que não muda e não aceita mudanças? Não foi por isso que foi mantido o nome?

    Publicado por Edgard | 02/11/2009, 8:39 am
  5. Edgard Tambem fiquei com a mesma duvida, pois me lembro da Bridgestone ter comprado a Firestone

    Publicado por Richard | 02/11/2009, 9:16 am
  6. Duas fornecedoras de pneus mais fim do reabastecimento é a chance que temos de ver uma equipe vencendo com duas voltas de vantagem sobre o quinto lugar.
    Vai ser aquela merda que acontecia nos anos 80.
    Vc só tem chances de ser campeão, se estiver na equipe que escolheu a fábrica certa de pneus.
    Não duvido q voltarão com o reabastecimento em 2012.
    Tomara que escolham apenas uma fornecedora de pneus.

    Publicado por Leandro Magno | 02/11/2009, 9:20 am
  7. A Firestone foi comprada pela Bridgestone a alguns anos atrás.

    Duas fornecedoras de pneus cria uma charmosa guerra que a princípio trás um ingrediente a mais para a competição.

    Só que o efeito colateral, como bem observou
    o Leandro, é nefasto.

    NADA influência mais a perforamance de um carro que os pneus. Motor, aerodinâmica, suspensões, cambio, piloto, NADA ALTERA TANTO A PERFORMANCE QUANTO OS PNEUS.

    A base das conquistas de Shumaccher foi a cooperação total entre a Bridgestone e a Ferrari, com a empresa japonesa fazendo compostos sob medida para cada corrida para o carro italiano, ao passo que a Michelin buscava soluções de compromisso para a Williams, Mclaren e Renault.

    Quando a FIA mexeu nas regras de pneus em 2005, a Ferrari e o alemão sairam de uma vitória total no ano anterior para o meio de grid, ganhando apenas e mal fadada etapa de Indianápolis.

    Para que a categoria mantenha o equilíbrio atual e essa cara de anos 70, é necessário a manutenção de um fornecedor único de pneus e do congelamento no desenvolvimento de motores.

    A tecnologia perde um pouco, mais o esporte e o espetáculo ganham muito.

    Publicado por Sirlan Pedrosa | 02/11/2009, 10:15 am
  8. Becken estou curioso para saber sobre o caso da Quadbak. Não sei se vocês já fizeram alguma matéria sobre isso.

    Publicado por JohnD | 02/11/2009, 10:21 am
  9. John,

    Essa é uma das histórias mais confusas e misteriosas da F1 no momento. Joe Saward escreveu o seguinte:

    The people behind Sauber remain a mystery at the moment although there have been indications that some of those involved in the Swiss foundation are the Shafi and Hyat families, both from Pakistan. However it seems that these are only a part of the story and that Qadbak is closely-connected with a similar foundation called Swiss Commodity Holding (SCH), which was established in March. A presentation that is being shown around The City of London claims that SCH has mining assets worth $1.9 trillion and has been formed by a group of super high net-worth individual, who have agreed to pool their assets. SCH has recently bought a UK investment bank called First London Asset Management for £173m. According to The Daily Telegraph SCH is currently trying to create interest in the idea of an IPO. The company is not known to the big players in the mining industry: BHP Billiton, Anglo American and Rio Tinto.

    What is known is that the Shafi Group is a business conglomerate which began in the leather trade. It now has four tanneries, two leather garment manufacturing units, one footwear unit, a chemical company, a textile manufacturing business, an IT business and interests in farming. The turnover of the group is around $100m with markets all over the world. The Hyat (or Hayat) family is a celebrated political family in the region dating back to the days of British India, including several nawabs and governors of the Punjab until the partition of India and Pakistan.

    It may be that Qadbak is simply an investment vehicle for SCH. On its website SCH says that “the Group has a core interest in minerals and mining, with other operations in private equity investment companies”.

    Publicado por Becken Lima | 02/11/2009, 10:32 am
  10. A Michelin destruiu a Bridgestone na época que não podia trocar pneu. Eu gostaria de ver os franceses de volta à F1.

    Publicado por KBK | 02/11/2009, 8:32 pm
  11. A Firestone é da Bridgestone já a algum tempo, desde 1988 quando comprou a empresa americana e assumiu o segundo lugar no mercado.

    A Michelin pode voltar tranquilamente a categoria já que na FIA não tem mais o Max, e sim o baixinho Todt que tem clara preferência por os pneus franceses.

    Mas a favorita para dar o suporte é a Pirelli, já que vem crescendo gradativamente nos mundias gerenciados pela FIA e já algum tempo li que eles queriam um lugar na F1, mas não imaginei que a Bridgestone sairia assim do nada.

    Bem a pré temporada só começou, ainda tem a Toyota pra dizer adeus, tem a despedida do Kimi e outros eventos mais.

    Publicado por Claudemir Freire | 03/11/2009, 10:14 am
  12. “NADA influência mais a perforamance (deve ser performance…rsrs) de um carro que os pneus. Motor, aerodinâmica, suspensões, cambio, piloto, NADA ALTERA TANTO A PERFORMANCE QUANTO OS PNEUS.”.

    Becken e amigos,

    Nada mais correto, irretocável, do que essa observação do Sirlan.

    Lembro que certa vez escrevi isso no Blog do Lívio, sugerindo a ele que escrevesse um post sobre pneus no “Mundo Técnico” que ele escrevia.

    Os “entendidos” de F1 me esculhambaram. Deixei pra lá.

    O que existe entre o carro e o asfalto, transformando em realidade toda a tecnologia embarcada?

    Abs.

    Publicado por Anselmo Coyote | 03/11/2009, 11:31 am
  13. Creio que a Good Year não irá para a f-1 face ao seu programa de dedicação às categorias da NASCAR.

    Publicado por Fernando Kesnault | 03/11/2009, 5:18 pm

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