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GP da Europa de 1993

IMAGENM: Getty Image/ Reprodução

Se estivesse vivo, o maior piloto da história do automobilismo brasileiro faria 50 anos hoje. Seguindo a data comemorativa, há na internet uma série de textos e homenagens muito bacanas, cada uma delas desvelando um pouquinho das múltiplas faces de Ayrton.

Para não chover no molhado, eu estava planejando escrever um longo post focando, principalmente, a forma como Ayrton lutou contra o “establishment” daquela F1 dos fins dos 80 para o início dos 90.

Para dar estofo ao texto, eu iria detalhar como ele foi “tungado” por Balestre em 84 e depois em 89, e porque quando resolveu por a boca no trombone foi quase banido da categoria.

Revitalizar isso é irônico por que muitos dos fãs que seguem a F1 contemporânea, bombardeada pela maciça cobertura da mídia especializada, não têm suficientes registros daquele passado para contextualizar a atuação de Senna nessa época.

Uma pena para eles…

Mas o que realmente ficou impresso na memória daquela geração que viu Senna mais de perto foram as atuações, como essa de 1993 em Donington Park, dividida nos vídeos abaixo.

Então, vamos fazer o que a Rede Globo é incapaz de fazer.

Se você não tem nada para fazer essa tarde, assista essa que é uma das maiores atuações de um piloto na história da F1. Se não a maior…

Mais sobre Ayrton Senna:

GP da Europa de 1993

Discussão

36 comentários sobre “GP da Europa de 1993

  1. Para mim a melhor temporada de Senna foi essa de 1993.

    Publicado por Rodrigo Pedrosa | 21/03/2010, 2:35 pm
  2. É… eu acho que a corrida no Japão de 88, a de 89, a do Brasil em 93 e essa em Donington são as “masterpieces” do homem para as novas gerações.

    Sobre essa temporada de 93, eu acho que talvez seja e melhor realmente pela superioridade das Williams — uma combinação perfeita de carro maravilhoso com um piloto espetacuar como o Prost.

    Publicado por Becken Lima | 21/03/2010, 2:47 pm
  3. Ufa!
    Estava ficando estranho que você não postasse nada Becken!
    Bem, então voltamos a rotina;
    Foi muito gratificante você ter postado esses vídeos, é algo diferente do que todo mundo faz.
    Eu também havia pensado em fazer um texto bem longo, mas depois pensei que não era necessário, tudo já foi dito.
    Apenas umas palavras soltas no ar como referência;

    Senna é um piloto sem palavras, algo que foge do comum.
    É engraçado estar comemorando 50 anos de vida dele sendo que a sua morte veio aos 34. Uma idade tão fértil que fica difícil prever o que aconteceria depois de Ímola.
    Ele venceria a Benetton de Schumacher e descontaria a diferença de 20 pontos ao alemão? A Williams superaria os concorrentes e faturaria um título?

    Uma coisa que sempre me intrigou era aonde Senna iria se fosse campeão na Williams naquele ano.
    Isso porque Frank nunca deixou um piloto ser bi-campeão em seu time.
    aconteceu com Alan Jones (80) , Keke Rosberg (82) , Nelson Piquet (87) , Nigel Mansell (92), Alain Prost(93) e aconteceria depois da morte de Ayrton com Damon Hill (96) e Jacques Villeneuve (97).

    Aposentadoria, volta para a McLaren, F-Indy?

    É uma resposta que nunca teremos…

    Abraço Becken!

    Tomás;

    Publicado por tomasf1 | 21/03/2010, 2:52 pm
  4. Becken, libera meu comentário?

    Publicado por tomasf1 | 21/03/2010, 2:55 pm
  5. Obrigado Becken, pelos vídeos. De fato, Uma imagem, as vezes, vale mais do q mil palavras. Parabéns ao nosso eterno campeão, onde quer q ele esteja pelos seus 50 anos se estivesse vivo.

    Publicado por Alex-Ctba | 21/03/2010, 3:02 pm
  6. – Falem o que quiserem, mas esse foi um dos Gênios da F1.

    Publicado por Felipe F. | 21/03/2010, 3:28 pm
  7. Esse foi um dos momentos mais maravilhosos da F1 e tive o prazer de assisti-lo.
    Uma prova tão cheia de emoções que revendo agora parece realmente incrível.
    Pole de Prost, melhor volta de Schumacher e uma atuação simplesmente antológica de Senna com o limitado McLaren MP4/8.

    Conheci Ayrton certa vez em Angra dos Reis na pré temporada de 93 e ele ainda não havia decidido se iria disputar o campeonato.

    Estava com minha namorada e uns amigos na Ilha Grande durante um passeio. Quando chegamos perto da praia vimos uma outra lancha e pessoas esquiando, não dei muita atenção na hora mas em determinado momento um dos esquiadores levou um baita tombo a poucos metros de nós. Olhamos pra ver se estava tudo bem quando eu percebi que era Senna que estava se levantando da água.

    Como sou fã de F1 desde garoto não poderia deixar de falar com ele e obviamente foi o que fiz. apertamos as mãos e ficamos algum tempo conversando sobre amenidades, nada à respeito de F1.

    À princípio se mostrou um pouco desconfiado mas em poucos minutos ficou bem mais relaxado conosco. Depois de um tempo já fazia malabarismos no jetsqui, passando bem perto de nós e levantando “olas” de quatro pessoas! ;-)

    No final da tarde quando estávamos indo pra casa tive que perguntar se ele ia correr aquele ano e ele disse mais ou menos sério que não sabia. Eu disse que apostava que ele correria e de McLaren, ele fez uma cara engraçada e sorriu com o canto da boca.

    Foi bem divertido, depois acompanhei a “novela” dele e Ron Dennis de alguns meses, assinado contratos a cada prova e quando ele venceu em Donington fiquei muito emocionado assistindo na TV aquela prova histórica.

    Publicado por Beatle Ed | 21/03/2010, 3:34 pm
  8. Becken,

    Em 1993 ele atingiu o ápice. A todo o resto que o diferenciava dos outros foi adicionada a dose certa de maturidade.

    Essa corrida é uma obra prima. A primeira volta a maior demonstração de pilotagem da história.

    Eu vi isso tudo ao vivo, e de uma maneira muito crítica porque nunca fui fã de Senna. Na época ver aquilo era como um sôco no estômago me obrigando a aceitar que ele era de fato tão melhor que todos os outros.

    Hoje 20 anos depois me sinto honrado pela oportunidade de ter visto toda a carreira do maior artista que já surgiu nas pistas.

    Um abraço,

    Sirlan Pedrosa

    Publicado por Sirlan Pedrosa | 21/03/2010, 3:46 pm
  9. Ed – Uau…

    Publicado por Becken Lima | 21/03/2010, 4:00 pm
  10. Um fantástico piloto obcecado com os pormenores e com a vitória. Um perfeccionista da pilotagem ao mais alto nível. Em alguns vídeos disponíveis com a camara tomando desde o cockpit é arrepiante como esse cara fazia as trajectórias e a velocidade a que guiava mesmo para os padrões de hoje. Sem dúvida um grande piloto do panteão de campeões da F1.

    Publicado por Ernesto Sousa | 21/03/2010, 4:09 pm
  11. “Aquela” entrevista depois de ganhar o Tri em 91:

    1991 Ayrton Senna's famous interview
    Uploaded by entretiens.

    Publicado por Becken Lima | 21/03/2010, 4:15 pm
  12. tomasf1,

    Segundo uma entrevista do Jean Todt, e também um artigo do Flavio Gomes, Senna iria para a Ferrari, assumir o papel que Schumacher assumiu.

    A entrevista você pode achar no Google em diversas fontes, o artigo do Gomes tem no Grande Prêmio.

    Publicado por Vitor, o de Recife | 21/03/2010, 5:53 pm
  13. Assino por baixo dos textos

    Requiem por Ayrton Senna da Silva.

    Mais do que tudo sinto-me privilegiado por ter podido assistir a tudo isso.

    Publicado por SennaCeccotto | 21/03/2010, 6:14 pm
  14. É, nesse ano só de você vê-lo pilotando, a maneira com que ele conduzia e dominava o carro era realmente impressionante. Sobretudo se pensarmos que o Senna tinha um carro que era uma porcaria e o motor Ford-Cosworth dava pena!
    Não sei o que seria da concorrência se ele tivesse um carro decente.
    As Williams eram, segundo suas palavras, carros de outro planeta.

    Publicado por Beatle Ed | 21/03/2010, 7:46 pm
  15. Ao longo da história da Fórmula1 , a mesma produziu três grandes pilotos : O próprio Senna , Jim Clark e , Michael Schumacher .
    Foram absulatamentes únicos !

    Publicado por Marco | 21/03/2010, 8:13 pm
  16. Foi o melhor piloto da F1 moderna, na minha opinião.

    Incrivelmente veloz, inteligente, estrategista, técnico, agressivo e defensivo quando necessário.

    Em 93 mostrou a todos quem era o melhor piloto do mundo…mesmo com um carro ruim conseguiu cinco vitórias (algumas históricas) e deu um show de pilotagem.

    O video abaixo é um breve resumo de sua obra…impossível não ficar admirado.

    Abraço a todos.

    Publicado por Márcio R. | 21/03/2010, 8:21 pm
  17. O Flavio Gomes disse em sua coluna que o Senna fazia “teatrinho nacionalista”.

    Tenho dó de quem precisa escrever esse tipo de coisa pra ter visitantes, não tem capacidade de atrair leitores com bons textos?

    Publicado por Costanza | 21/03/2010, 8:26 pm
  18. Que bacana Beatle Ed. Queria ser você naquele dia.

    Minha homenagem vem em forma de citação, do famoso jornalista francês, Gerard Crombac, antes mesmo de Senna se transferir para a McLaren:
    “O melhor piloto depois de Jim Clark. Combina a inteligência de Prost com a agressividade de Gilles Villeneuve. Piquet continua sendo o número 1, mas não por muito tempo.”

    Publicado por KBK | 21/03/2010, 10:20 pm
  19. Sou suspeito para falar de Senna, o melhor piloto de F1 da história. Então, repasso as palavra de Adrian Newey:

    “Lembro-me que quando ele chegou à F. 1 vigoravam os turbo e ele encontrou uma maneira de manter as rotações em alta e de baixar o tempo de resposta dos motores, que era o grande problema da altura, pois a tecnologia turbo ainda não estava muito desenvolvida. Parecia ter três pés, pois embraiava e travava ao mesmo tempo que dava sucessivos toques no acelerador e isso fez muita gente dizer que no dia em que acabassem os turbo ele seria um piloto como outros.

    Mas quando baniram os turbo ele continuou a ser o mais veloz, pelo menos em qualificação, que sempre foi o ponto forte, porque trabalhou depressa e bem para aprender a tirar o máximo partido dos motores atmosféricos! As suas qualidades não eram quantificáveis, e sabes que eu tento sempre quantificar as coisas: a sua independência de espírito, a sua auto-confiança inabaláveis e a total incapacidade de aceitar que podia ser batido é que o tornavam, de facto, num personagem especial.”

    Em: http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=as.stories/82969

    Publicado por Luiz Carlos | 21/03/2010, 11:08 pm
  20. Acho que o Senna não fazia “teatrinho”não, ele era nacionalista mesmo.

    Depois de morar longe do seu país e ser “estrangeiro” acho que todo mundo fica um pouco nacionalista.

    No mais o Flávio Gomes escrevendo não é melhor do que o Nakagima pilotando.

    Publicado por Beatle Ed | 21/03/2010, 11:48 pm
  21. A vontade de vencer e o talento do cara foram admiráveis. Tinha realmente algo de especial no estilo de pilotagem dele. Faz parte da história da F1 como um dos pilotos mais eficientes que por lá passaram.

    Não foi só pela morte, em plena ação, que o fez um ídolo mundial. Acompanho blogs e sites estrangeiros e Ayrton Senna possue uma legião de fãs mais do que considerável até hoje.

    É claro que, para as novas gerações de pilotos, que não o viram correr, já existem novos ídolos. Mesmo assim, ele obteve quatro citações como “motor racing hero”, entre os dezenove jovens pilotos (entre 14 e 21 anos) que participarão do campeonato F4 Eurocup Renault 1.6 2010 – o equivalente europeu da Fórmula Future Fiat da família Massa – empatando com Alonso (com quatro citações) e só perdendo para o Alemão (que obteve cinco). Vale salientar que por ser um campeonato onde, a maioria dos pilotos é de origem francesa, Alain Prost foi citado uma única vez.

    saudações

    Publicado por celso gomes | 22/03/2010, 12:03 am
  22. “No mais o Flávio Gomes escrevendo não é melhor do que o Nakagima pilotando.”

    Beatle Ed,
    Discordo. O FG é estúpido e tem opiniões polêmicas e/ou para criar polêmicas. Mas é um dos que melhor escreve.

    “Acompanho blogs e sites estrangeiros e Ayrton Senna possue uma legião de fãs mais do que considerável até hoje.”

    Celso,
    Merecidamente o Senna tem essa legião de fãs. Os fãs brasileiros dele adoram isso – com razão, óbvio, mas não resolvem a contradição de rotular de antipatriotas quem torce por piloto estrangeiro, se o Senna tem torcedores em todo mundo.

    Abs.

    Publicado por Anselmo Coyote | 22/03/2010, 1:02 am
  23. Anselmo
    No quesito “estúpidez e opiniões polêmicas” o único que eu respeito é o Paulo Francis, que chamou a chacina da Candelária de “Faxina da Candelária”.

    O FG não passa de um Diogo Mainardi.

    Abs
    B.E.

    Publicado por Beatle Ed | 22/03/2010, 1:42 am
  24. Anselmo e Beatle Ed,

    Eu gosto muito da forma, mas como um homem lógico sempre apreciei mais o conteúdo.

    Li durante quase 10 o Grande Prêmio e achava um bom site de automobilismo, porém quando comecei a ler o Blig do Gomes confesso que não suportei.

    Ainda que alguns achem que ele tem a forma, como o Coyote defende, eu o acho TOTALMENTE EQUIVOADO NO CONTEÚDO. Antes fosse apenas vazio…

    Hoje passo a léguas de qualquer coisa que esse Sr tenha participação, e acabei achando este espaço maravilhoso que é o F1Around.

    Como o ser humano é diverso, eu gosto do Diogo Mainard…risos

    Um abraço,

    Sirlan Pedrosa

    Publicado por Sirlan Pedrosa | 22/03/2010, 5:06 am
  25. EQUIVOCADO

    Publicado por Sirlan Pedrosa | 22/03/2010, 5:07 am
  26. tomasf1
    “Uma coisa que sempre me intrigou era aonde Senna iria se fosse campeão na Williams naquele ano.
    Isso porque Frank nunca deixou um piloto ser bi-campeão em seu time.
    aconteceu com Alan Jones (80) , Keke Rosberg (82) , Nelson Piquet (87) , Nigel Mansell (92), Alain Prost(93) e aconteceria depois da morte de Ayrton com Damon Hill (96) e Jacques Villeneuve (97).”

    Tomas o Villeneuve correu em 1998, o carro é que era fraco e ele não teve chance de disputar o titulo, a dupla de pilotos era a mesma de 1997, Villeneuve e Frentzen.

    Publicado por Rodrigo Pedrosa | 22/03/2010, 8:38 am
  27. Triste esse cara…mas é pra falar de Senna e não do Gomes!

    O que falar de quem faz, em uma pista ‘sem espaço’ um traçado diferenciado dos outros?

    O que falar de um mágico, que no meio de outros mágicos, conseguiu tirar elefantes, e não coelhinhos, da cartola?

    Salve, grande mestre!

    Saudades eternas!

    Publicado por Will | 22/03/2010, 9:41 am
  28. “LOOK AT THE GAP!”

    __________________

    Becken, qual a possibilidade de um post comparativo entre as novelas atuais (Difusores, aerodinâmica, pneus), e as mesmas especificações desta época (final dos anos 80, início dos 90)?

    Abraço.

    Publicado por Iomau | 22/03/2010, 10:48 am
  29. Senna foi escolhido em votação de 217 pilotos e ex-pilotos na Revista Autoracing como o melhor de todos os tempos. Siga o link se quiser ver: http://f1greatestdrivers.autosport.com/?driver=1. Não é para se desprezar o que o cara conseguiu, vi muitas corridas dele, como ele era técnico, agressivo, raçudo, uma obra-prima de pilotagem, de botar medo em qualquer adversário, Prost que o diga. Agora, sobre aquele tal de Gomes, concordo com plenamente com o Ed e o Pedrosa, o cara se acha a última bolacha do pacote, é um grosso com as pessoas (inclusive com os seus blogueiros), pois se não concordar com o texto dele, te bane do site, xinga, manda que se exploda, um verdadeiro idiota que tem na mão uma máquina midiática como o Ig. Adora criar polêmicas gratuitas e sempre tem muitos puxa-sacos que o seguem nem sequer analisando os textos que definha (isso mesmo, definha). Se ele quisesse, escreveria bons textos, mas sempre gosta de omitir informações e ser extremamente parcial na maioria das suas análises. Nem dou mais bola pro que escreve, pois parece um adolescente na pior fase. Conheci agora o blog do Becken e gostei muito, assim como sou fã do Livio Oricchio e do Capelli.

    Publicado por Gil Queiroz | 22/03/2010, 8:35 pm
  30. “o maior piloto da história do automobilismo brasileiro faria 50 anos hoje”. Isso é sério? Maior piloto do automobilismo brasileiro? Não é um tanto exagerado?! Eu diria um dos maiores, mas o MAIOR?! Não… É desmerecimento demais para carreira de Piquet e Emerson que também foram campeões na F1 e outros nomes como o próprio Rubens, que nunca foi campeão mas nem por isso deixa de ser um grande piloto. Mas MAIOR? Isso é viuvisse(ou seria viuvez?)!

    Publicado por Demetrius | 23/03/2010, 1:28 am
  31. Quem não conheceu o Nelson Piquet, saiu hoje o primeiro de uma serie de cinco documentários na coluna do Flavio Gomes.

    SÃO PAULO – Antes de mais nada, obrigado ao blogueiro Thiago Pereira, que mandou o link. O vídeo acima é o primeiro de cinco de um documentário pouco conhecido sobre Nelson Piquet, gravado no final de 1987, quando ele conquistou seu terceiro tíulo mundial e estava de saída da Williams para a Lotus. É um material precioso. Precioso e muito didático. Ouvir a história de sua carreira contada por ele mesmo me leva a perguntar: por que será que só Ayrton Senna, entre os grandes pilotos brasileiros, conseguiu colar na testa a fama de batalhador obstinado, perseverante, destemido, lutador incomparável? Por que só a ele é atribuída a exclusividade de detentor da garra, do patriotismo, da raça, do orgulho de ser brasileiro? Por que só ele tinha, como escreveu um blogueiro nos comentários, “vontade, sabedoria, talento, arrojo, coragem e amor pelo o esporte”?

    A trajetória de Piquet foi bem mais dura, pode-se dizer. E conta com todos esses ingredientes, que parecem, pela visão de muita gente, privilégio de um único esportista e cidadão em toda a história do país: obstinação, perseverança, destemor, luta, garra, patriotismo, raça, orgulho, vontade, sabedoria, talento, arrojo, coragem, amor pelo esporte. Desde o início, em Brasília, passando pelos autódromos brasileiros a bordo de uma Kombi, e depois na Europa, onde morava dentro de um ônibus e dormia ao lado do carro. Ayrton tinha motorista particular, bons patrocínios, estrutura financeira. As coisas, para ele, foram bem mais fáceis.

    Não quero, aqui, desmerecer nada do que Senna fez, e que veio à tona nos últimos posts sobre seus 50 anos. São histórias diferentes, apenas. Cada um tem a sua. Mas fico imaginando se essa, de Piquet, fosse contada por Ayrton. O que Nelson fala sorrindo, Senna, possivelmente — por seu jeito, personalidade, estilo pessoal —, carregaria com tons épicos. E não há nada de épico ou sobrenatural em ser piloto de corridas. É esse o recado que Piquet passa, com seu jeito quase simplório de contar episódios de uma vida muito rica, difícil, cheia de obstáculos.

    A vida de cada um é rica. Seja a de um piloto, a de um bombeiro, de um motoboy, de uma atendente de telemarketing. Cada um de nós escreve sua própria epopeia quando nasce. E não há epopeias melhores que as outras. Há, apenas, histórias diferentes.

    Publicado por Luiz Sergio | 23/03/2010, 10:55 am
  32. Luiz Sergio, quem seria eu para tirar os méritos do Piquet: é fato, ele batalhou por si mesmo e conseguiu três títulos. Senna também fez isso, batalhou sozinho na Europa, mas era mais sociável e inteligente em conseguir patrocínios e ser grato às pessoas que o ajudaram (leia Ernesto Rodrigues: O Herói Revelado), por isso conseguiu melhores salários e melhores patrocínios e uma vida, como vc diz, mais fácil. Ele fez ficar mais fácil. Agora, não me venha defender o Piquet dizendo que ele é patriota: ele mesmo disse em entrevista certa vez que tinha vergonha de ser brasileiro, inclusive seu capacete sempre foi uma gota vermelha e branca. E nem me venha dizer que o Piquet quis conquistar o público ou seus torcedores, pois o próprio piloto nunca fez questão de ser simpático. Esse é o preço que se paga por ser distante e arrogante, assim como o Senna pagou o preço por ser demasiado arrojado e, arriscou a vida no momento em que exigiu mudanças na barra de direção sem testes comprovados.

    Publicado por Gil Queiroz | 23/03/2010, 4:03 pm
  33. Se vejo F1 hj, é pcausa do Senna, sem dúvidas. Tinha 8 anos quando vi esse primoroso GP da Europa em Donnigton Park, Inglaterra. Muitos só acompanhavam a F1 pela torcida ao Senna.

    O tempo passou, cresci e pude pesquisar sobre Fittipaldi, Piquet, Pace e outros brasileiros anteriores. Senna era nacionalista? Sim. Mas era um marqueteiro de primeira. Qualquer fã “cego” do Senna tem que dar o braço a torcer. O exemplo mais fácil de se discutir eram as voltas rápidas no final do treino de qualificação. Sempre passava na linha de chegada faltando, no máximo, 10 segs para acabar o treino. Ia lá e muitaz vezes fazia uma excelente volta, o colocando na pole position. O marketing fazia parte da personalidade dele, nada que tire o brilhantismo de sua vida profissional, que se elevou com sua morte no meio de uma corrida. Sem querer, fez sua última ação de marketing, triste, mas que o levou ao status de mito da Fórmula 1.

    Uma pena é que valorizamos apenas os vencedores; Barrichello, em sua primeira temporada, fez uma estupenda corrida com a Jordan, estava em 3º quando o carro quebrou faltando pouquíssimas voltas para o término da prova, mas são poucos os que lembram de seu sensacional desempenho, talvez até melhor do que o de Senna, ouso a dizer.

    Não vou comparar Senna ao Piquet, mas só para adicionar, o Piquet não teve apoio do pai para correr, ao contrário do Senna. E eu já li o “Ayrton: O Herói Revelado”. Gil, melhor não levar o livro como uma bíblia a não ser discordada. Há muitos trechos que são colocados com tons épicos, outros do ponto de vista do Senna, que não estava sempre certo.

    Publicado por Eduardo Sacramento | 23/03/2010, 4:55 pm
  34. Eu acho o seguinte:

    O Piquet teve/tem menos fãs que o Senna simplesmente porque não estava nem aí para essas bobagens.

    É o que ele diria, imagino.

    Publicado por Costanza Yada Yada (fernando-ric) | 23/03/2010, 5:31 pm
  35. O Senna foi melhor e ponto final…não são comentários favoráveis ao Piquet que vão nos fazer mudar de idéia.

    Becken, quando for aniversário de 100 anos do Piquet faz um post que eu entro pra defender o Senna!

    Publicado por Will | 24/03/2010, 10:41 am
  36. Eduardo Sacramento, é evidente que o livro não deve ser levado como o único ponto de vista válido, mas é consenso da maioria dos especialistas que é o mais próximo da realidade da vida de Senna. Ele pode ter tido sim apoio do pai enquanto esteve no Brasil, mas na Europa a grana era curtíssima e se ele galgou tal posição foi por sua competência, pois (acho que vc concorda), não há pai no mundo que consiga manter um piloto de F1 e bancar sua carreira, nem 50%. O pai ajudou no início da Europa, mas nem era 100%, ou seja, nem de longe conseguiria bancar o que o Senna conseguiu nas fórmulas que correu em patrocínios, salários e imagem. Por favor, não tire os méritos do Senna, o cara batalhou duro a vida toda. Vide o caso do Piquet Junior, o Nelsão bancou até onde pôde nas categorias de base, com apoio constante de patrocinadores, mas agora que o Nelsinho está fora da F1 teve que se virar nos USA, pois nem o Nelsão consegue bancar uma equipe de F1 ou um “paitrocínio” generoso em alguma equipe, e tenho certeza que era o caso do pai do Senna, que apenas tinha um médio padrão de vida, bem menos que o Nelsão hoje. Will: estou contigo.

    Publicado por Gil Queiroz | 24/03/2010, 10:59 pm

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