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FOTA disposta a impor agenda ‘verde’ para a Formula 1

O presidente da FOTA e chefe da McLaren, Martin Whitmarsh, garantiu hoje que a F1 vai, sim, atrás de tecnologia propulsora mais verde.

O “target” é reduzir a emissão de CO2 da F1 em até 12,4% até 2012. Para isso, a F1 deverá reescrever parte do seu regulamento técnico, dando espaço, de vez, ao sistema de recuperação de energia cinética, o KERS e, principalmente, a uma nova era de motores turbo, mais compactos e com a tecnologia GDI integrada.

Para se ter idéia do que se trata a tecnologia GDI, é bom saber que, invés dos atuais propulsores com injeção tradicional, nestes novos motores o combustível é capaz de pular o período de espera e ser direcionado diretamente até a câmara de combustão. Este processo acaba tornando-os mais econômicos e eficientes em termos de performance e impacto ambiental.

Será curioso saber que tipo de patente os grandes fabricantes adotarão para a F1, mas sabe-se que já há dois anos o MIT desenvolveu um pequeno e compacto motor turbo com injeção direta, capaz de igualar a perfomance dos atuais motores híbridos e, o melhor, a uma fração do custo.

O “plus a mais”: a tecnologia do MIT oferece relativa economia no consumo graças ao menor peso do propulsor.

O KERS em 2009 foi uma solução científica, ecológica e esportivamente elegante do que seria o desperdício de energia transformado em ferramenta competitiva, mas mexer com os motores é sem dúvida uma das mais sinceras atitudes da F1 na tentativa de ser relevante para a saúde do planeta.

Discussão

11 comentários sobre “FOTA disposta a impor agenda ‘verde’ para a Formula 1

  1. Impressionante como o MIT está presente criando aplicações para as mais diversas áreas. Não há como pensar em um instituto de tecnologia sem pensar em Massachusetts. Do projeto que originou o Linux à tecnologias que podem ser usadas na Formula 1 os caras estão em todas.

    Agora uma pergunta: (Becken, acho que o post sobre as asas móveis ficou em um momento do tempo que gerou pouca discussão em vista do seu potencial) Qual a possibilidade de os times (ou os pilotos, já que parece que a sugestão foi dos times) vetarem as asas traseiras móveis para o próximo campeonato? Particularmente acho o KERS uma saída bem mais eficiente (apesar do seu custo mais elevado), já que unirá a responsabilidade ambiental com maior competitividade na categoria. A asa móvel deixaria a disputa injusta, já que apenas o piloto que está passando teria o direito de usá-la enquanto com o KERS ambos podem usar se tiverem energia armazenada (claro, isso faz que as forças se equivalham).

    Publicado por Allan Wiese | 30/06/2010, 9:33 pm
  2. Acho mesmo que está na hora da F1 tomar decisões sérias para combater o aumento do aquecimento global , devido à força atual do assunto .
    Na F1 , a prioridade número um é o interesse econômico , sabemos disso , e as questões globais são consequentemente secundárias até então .
    Que bom que a F1 está empenhada em mudar e dar um grande passo nas devidas medidas para combater as mudanças climáticas .
    Acredito e muito , que a F1 está muito empenhada neste projeto para proteger as questões globais , mesmo que tenha que passar por alguns sacrifícios do seu interesse .

    Publicado por Marco | 30/06/2010, 10:02 pm
  3. Eles estão bem preocupados com o empacto ambiental e etc, que além de empregrarem essa tecnologia toda estão diminuindo os motores.
    Será que não existe a possibilidade deles encaixarem essa tecnologia GDI em motores V12 3.5 de 1000vc ?
    Por que diminuir tanto a cilindrada, potência e cilindros? Li em outra Reportagem que o projeto para 2012 é de motores 1.6l V6 de até 700cv com KERS.
    Os motores da F1 estão encolhendo, hj em dia mesmo, só temos V8, desculpe a ignorancia, mas eu curtia demais os beberrões V12, o motor Honda V12, de 91 tem o barulho mais arrepiante que ja escutei em 1 F1.
    Será que 24 carros de F1, correndo a cada 15 dias, poluem tanto esse planeta? A ponto de reduzirem tanto assim os “corações” dos carros… Lembrando que a NASCAR possui carrros com motores carburados, que correm quase todas as semanas, 43 carros em corridas que beiram 3hrs de duração as vezes até mais… E eu não li nada á respeito da NASCAR “atualizar” seus motores, tudo permanece nostalgicamente como está.

    Abraços

    Publicado por Dorfão | 30/06/2010, 11:44 pm
    • Dorfão,

      Tenho a forte impressão de que a Fórmula 1 está, ainda timidamente, tentando voltar a ser um laboratório de tecnologia pra carros de rua.

      Daí este lero do ambientalmente amigável.

      Li hoje uma matéria com um cabeção da Audi dizendo que a Fórmula 1 não interessa a sua empresa, já que nada desenvolvido ali serve pros carros de rua. Segundo o sujeito, o DTM e o Le Mans desempenham este papel de laboratório das montadoras.

      Ou mais recentemente quando ouvimos a proposta de uso da roda de 18″ como condição de alguma das que seria prováveis substitutas da Bridgestone pra entrassem na Fórmula 1. A razão é que os carros de rua usam roda de 18″ (claro que são os modelos de ponta).

      Eis o dilema da Fórmula 1: buscar uma nascarização meia-boca ou voltar a ser um vale-tudo tecnológico.

      Abraços

      Publicado por Alexandre Pires | 01/07/2010, 12:03 am
    • Acho louvável a iniciativa da FOTA, mas o buraco nesse caso é mais embaixo.

      O Norbert Haug (vulgo Jabba the Hut) disse tempos atrás que os dois jumbo que levam todo o material das equipes da Europa para o Bahrein e do Bahrein de volta para a Europa já emitem mais carbono do que todos os carros do grid juntos na temporada toda. Ou seja, as medidas da FOTA são válidas, mas na prática, elas contribuirão muito pouco no que se refere ao montante de emissão de carbono da F1.

      Adoraria ver uma nova solução de motores na F1, acho eu que a configuração atual é um tanto quanto incomum. Mas não creio que servirá como laboratório ou coisa assim.

      Idem idem para a questão das rodas aro 18. Vi tempos atrás uma discussão num fórum da Autosport ou do Grand Prix que a adoção de rodas aro 18 tecnicamente não fará diferença alguma para os fabricantes de pneu pois as características de um pneu para F1 são totalmente diferentes das características dos pneus para carros de passeio.

      Publicado por Arlindo Silva | 01/07/2010, 4:04 pm
  4. Automobilismo é por essência uma atividade suja do ponto de vista ambiental. E não é só na questão do aquecimento gerado pelo excesso de Co2 lançado na atmosfera.

    A quantidade de material jogado no ambiente todos os anos pelas diversas categorias, além da própria indústria automobilística (carros de passeio, caminhões, ônibus, etc etc…) é absurdamente maior do que a capacidade de reciclagem.

    Isso sem falar de poluição sonora.

    O uso de combustíveis alternativos e outras soluções me parecem muito distantes ainda, e o custo do desenvolvimento dessas novas tecnologias é muito alto.

    Por enquanto o comunicado de Whitmarsh me parece apenas uma resposta diplomática para acalmar os ambientalistas e é claro, a opinião pública.

    Será preciso reinventar completamente a F1 para que ela se torne uma categoria no mínimo “ecologicamente correta”.

    Publicado por Beatle Ed | 01/07/2010, 12:10 am
  5. Olha Alexandre, acho que vc matou a charada, só pode ser isso que a F1 vem buscando, virar 1 laboratório de tecnologia pra carros de rua.
    Seria essa uma manobra de Bernie para trazer as grandes montadores de volta a circo da F1? Como vc bem disse sobre o CEO da Audi, a DTM interessa mais a eles pois lá são competem carros mais parecidos com veículos urbanos. É aí que o bolso do Berne agradece, caso ele consiga colocar esses figurões devolto no jogo.
    Sobre a nascalização da F1 sou suspeito em falar, pois tb admiro esta categoria, e admiro ainda mais a competitividade que eles tem lá, mas como tudo tem seu lado negativo, eles acabam por rejeitar demais as novas tecnologias.
    Qto ao vale tudo-tecnologico a tendencia é acentiar ainda mais as diferenças de desempenho entre as equipes, contribuindo assim para impopularidade da categoria.
    Isso é algo muito complexo, pois ao mesmo tempo que sabemos que Berne quer os “figurões” na F1, ele tb tem lutado para que o espetáculo seja melhor, ter tirado o reabastecimento está contribuindo para isso, mas outras medidas parece que atrapalha.
    Mas uma coisa é certa, enquanto a F1 estará poluindo menos com seus motores de geladeira, a NASCAR vai continuar lá, firme e forte, poluindo bastante, sem modifcar nada e com muita competitividade.

    Publicado por Dorfão | 01/07/2010, 12:28 am
  6. Me parece que este direcionamento a tecnologias mais ecologicamente corretas é estimulado pela própria FIA e óbviamente a Formula 1, através da FOTA, tem sido presssionada a se posicionar positivamente quanto a essa política. A idéia é ter um tipo de motor único que se adapte a todas as categorias de monopostos, pudendo esse motor ser usado em todas elas, incluindo-se aí, a F3/GP3, a F2/GP2 e F1, certamente adotando as devidas adaptações inerentes às peculiaridades de cada uma delas. Existe alguma resistência quanto a isso mas, creio ser inevitável a adoção desses parâmetros mais modernos de 2013 em diante.

    As novas tecnologias estão por aí, como no caso deste projeto de motor do MIT , do já conhecido KERS e de algumas outras em gestação, bastando que sejam utilizadas para tais fins. O povo europeu é mais politizado e consciente dessa necessidade.

    O automobilismo americano é o reflexo da própria postura independente dos EUA com relação a tudo que não seja, principalmente, criado por eles, é que fazem que as categorias como a NASCAR, nunca se aliem aos anseios do resto do mundo. Vão continuar fazendo o que acham correto até quando eles e sómente eles decidirem modificar, se for o caso. Só observar que, tudo o que os demais membros do planeta Terra sugerem quanto à proteção ecológica sofre uma rejeição ferrenha da parte dos americanos, através de seu governo, principalmente.

    Pela minha estadia, já relativamente longa, aqui no nosso “planetinha” e portanto tendo acompanhado o automobilismo há muito tempo, não me importo e até prefiro, ouvir a sinfonia vinda de um poderosíssimo V-12 a ouvir um “sussurro” de um comportado motor “verde”. Mas, tenho ciência de que esta minha preferência, não pode ir de encontro a uma consciência coletiva que visa melhorar as condições ambientais.

    A contribuição maior à tecnologia utilizada nas ruas sempre veio das competições de GTs, dos antigos esporte protótipos (hoje LPMs), dos carros de turismo e até dos carros de rali. A F1 é mais uma vitrine de luxo para os fabricantes, basta ver que, a rigor, temos apenas a Ferrari que se utiliza da F1 como “campo” de desenvolvimento para seus carros de alto luxo. Todas as montadores que passaram pela F1 e até a própria Mercedes, quando querem desenvolver novas tecnologias, se utilizam dessas categorias mencionadas para isso. Fica mais adequado porque os carros dessas categorias se aproximam mais da realidade do carro comum, que precisa ter mais resistência para o uso no dia a dia. A conclusão do CEO da Audi é um reflexo disso, como foi mencionado pelo Dorfão. Seria estranho utilizar a tecnologia específica de um carro de F1, na fabricação dos carros normais. São completamente distintas.

    A indústria aeronáutica contribui até mais do que a F1 no fornecimento de novas tecnologias para a automobilistica. Os freios ABS dos carros, de hoje em dia, são uma adaptação dos freios “antiskid” que foram introduzidos nos aviões desde meados da década de 40, como exemplo. A fibra de carbono também foi, pioneiramente, usada na aviação.

    Uma coisa para mim é certa. Vou sentir muiiiiita saudade de um barulhento V-12 acelerando ao máximo. Ahh, isso vou!

    saudações

    Publicado por celso gomes | 01/07/2010, 2:01 am
  7. Quanto mais tecnologia melhor!

    Mesmo que seja apenas um leve ‘bkush’ verde – uma ‘ecomaquiagem’ – se inserir novas tecnologias, ótimo.

    A F1 deve ser, por excelência, o grande laboratório do automobilismo. A AUDI querendo, ou não, é só olhar ao redor e ver MP4-12C, a Scuderia, etc.

    Publicado por Will | 01/07/2010, 7:35 am
  8. “não me importo e até prefiro, ouvir a sinfonia vinda de um poderosíssimo V-12 a ouvir um “sussurro” de um comportado motor “verde”. Mas, tenho ciência de que esta minha preferência, não pode ir de encontro a uma consciência coletiva que visa melhorar as condições ambientais.”

    Belo texto Celso, acho que tem que ser por aí mesmo, com esse raciocínio consciente e ambiental. Tenho que largar de ser, digamos, egoista rsrs…
    Quanto a NASCAR e os USA, bem lembrado, eles sempre adotam uma postura indiferente em relação a poluição global. Eles são os que mais poluem o nosso planeta, e no automobilismo não é diferente.

    Que venha os motores verde então…

    Publicado por Dorfão | 01/07/2010, 8:55 am
  9. Apenas olhemos para a não assinatura do protocolo de Quioto por parte dos Estados Unidos da América para entender tudo o que está sendo discutido pelo Celso, pelo Dorfão e pelo Alexandre. Os americanos vão continuar achando a Nascar o melhor esporte a motor, mas essa visão não vai ser compartilhada pelo resto do mundo enquanto a sua visão em relação ao planeta e sua preservação não mudar.
    Penso que por a Fórmula 1 ser uma categoria peculiar, a vitrine do automobilismo, ela deve sim estar preocupada com a preservação do meio ambiente. Claro que os puristas vão sempre achar melhor a época em que grandes motores impulsionavam os bólidos, mas isso não pode durar pra sempre.
    Nós já falamos um pouco disso por aqui e penso que, infelizmente, um dia chegaremos a designs e tecnologias impensáveis para a F1 atual, tamanha as suas evoluções. Mas enquanto as competições forem com as rodas encostadas em pistas eu estarei acompanhando. Porém no dia que quiserem mudar isso, vão perder um fã.

    Publicado por Allan Wiese | 01/07/2010, 9:23 am

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