//
arquivos

FORMULA 1 MÍDIA

Esta categoria contém 8 posts

Alguns vídeos promo da F1 em 2010

Eu ainda não vi o vídeo promo que a BBC produziu como preview  para a temporada de 2010, mas o canal inglês geralmente cria verdadeiras obras de artes com a F1. Na falta dos ingleses nessa compilação abaixo, eu fico com o belo vídeo que o “La Sexta”, canal que transmite a F1 na Espanha, produziu para esse ano. Continuar lendo

Anúncios

F1 Racing de volta às bancas, mas…

A Revista F1 Racing tem, novamente, uma edição nacional. Mas antes de tecer loas à revista, eu gostaria de fazer algumas observações.

Se alguns bem lembram, no início desse ano eu escrevi um post elogioso à revista que foi, repentinamente, invadido por uma horda de assinantes protestando pela tunga que levaram da editora pelos pacotes de assinaturas que compraram. Continuar lendo

BBC ganha prêmio por abertura do GP da Austrália

A BBC ganhou o Royal Television Society, um prestigioso prêmio dado ao curta que abriu a temporada de 2009 no GP da Austrália. O filme é soberbo, uma obra prima combinada em texto, narração, música e edição. Continuar lendo

Blogueiros de F1 em língua portuguesa já têm o seu Mário Andrade

speeder76

Se alguém disser que esse título é um a hipérbole, eu dificilmente irei discordar, mas a verdade é que não acho outra analogia imediata para classificar o trabalho inestimável e precioso feito por Paulo Teixeira (AKA Speeder76), editor do excelente Continental-Circus.

Ninguém tem a obrigação de saber quem foi Mário de Andrade, mas para você entender o meu exagerado paralelo, saiba que Mário foi um dos mais importantes intelectuais na história da cultura brasileira. O Paulista Mário foi escritor, pesquisador multicultural, fomentador de todas as artes e rico interlocutor de toda a “inteligentsia” cultural do começo do século 20 — principalmente de jovens escritores, como Fernando Sabino, Hélio Pelegrino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende.

Reconheço, é uma hipérbole o título, mas é exatamente esse trabalho de fomentar a comunidade de blogueiros de F1 em língua portuguesa feito com louvor por Paulo hoje.

Através de longas e interessantes entrevistas, Paulo tem trocado figurinhas e nos dado a oportunidade de conhecer mais a fundo gente como o jornalista e blogueiro Alexandre Carvalho, editor do Almanaque da Formula 1, ou mesmo quem começa a escrever seus primeiros posts, como o jovem, muito jovem Cristiano Chamorra, editor do Galaxia F-1.

Se as entrevistas não são o bastante, Paulo também dá uma mão para quem deseja começar o seu blog, como fez com a Ingryd Lamas — o que resultou no Athena Grand Prix.

Além de todo esse incansável trabalho de fomentador, Paulo ainda consegue escrever análises de um bom leque de várias categorias e excelentes — senão as melhores — análises do mundo político da F1, com uma visão européia da F1, só que escrita e expressa em nossa inculta e bela língua portuguesa, algo absolutamente raro.

O título pode ser uma hipérbole, mas CLIQUE AQUI e vá até lá ver o grande trabalho feito por Paulo Teixeira e volte aqui para comentar o quanto eu tenho razão.

O blog de F1 mais bem-humorado da internet brasileira

blog de aline rodrigues

Os blogs “engraçadinhos” sobre F1 abundam pela internet nesse momento. Há para todos os gostos e a blogosfera foi de repente invadida por um Tsunami de charges que, com algumas variações, acabam no fim com Rubens Barrichello como principal tema.

Mas qual é realmente o blog de F1 mais bem-humorado e engraçado da blogosfera brasileira? Talvez vocês não conheçam — e eu sugiro que vocês corram até lá para ler — mas o texto mais bem humorado e, principalmente, mais criativo da internet sobre F1, é o de Aline Rodrigues — uma blogueira carioca multimídia de 30 anos, louca pela Williams, mãe, esposa, cunhada, irmã e filha.

Aline consegue a rara proeza de escrever um blog confessional (Ô termozinho kitsch) sobre F1, nos envolvendo no seu dia-dia de mulher ocupada, ajudando a filha com a lição de casa, falando da ida ao cabeleireiro ou discutindo com o maridão o noticiário diário da F1.

A grande vantagem do humor que brota do Lyn Williams, o nome do seu blog, vem do texto. Aline tem estilo e o seu texto mixa, de forma equilibrada, informação com trocadilhos inteligentes e pitadinhas de ironia com muita, muita criatividade com suas analogias.

É humor com bom gosto que lembra o grande Ivan Lessa.

Outro dado importante é que você rapidamente percebe que o humor não é vago, já que Aline entende realmente de F1 — por isso talvez o seu universo criativo seja muito mais amplo quando aborda a categoria com o seu ponto de vista particular. Leia o post “A FOTA é o Carvalho” para entender como se explica a política da F1 no Lyn Williams style e chore de rir.

Se você achar que os posts não são suficientes, não se preocupe, os podcasts são tão bons quantos os textos.

Portanto, pare de ler esse post e vá até lá e descubra você mesmo o mais criativo e bem humorado blog de F1 do Brasil.

___________________________________________________________________________

SERVIÇO:

Link: lynwilliams.wordpress.com

A Formula 1 e os seus públicos

(FOTO: EL PAIS)alonso en oviedo(FERNANDO ALONSO recebe apoio da mais apaixonada torcida da Formula 1 no mundo hoje.)

Dois públicos, duas percepções

Uma das minhas professoras de teoria literária, sempre dizia que toda grande obra de arte tem diferentes níveis de leitura. Formula 1, obviamente, não é arte, mas assim como a boa arte, sua complexidade acaba dividindo o seu público em vários grupos distintos, que têm diferentes percepções do jogo.

Eu e você, com perdão da pouca modéstia, podemos ser enquadrados entre a elite, aqueles que absorvem o esporte com prazer e conhecimento análogo àqueles que degustam um belo Chianti.

Esses finos apreciadores podem ser chamados de entusiastas. Eles são capazes de destrinchar detalhes técnicos e históricos do esporte; interessar-se pela sua faceta política ou midiática — ou, simplesmente, se divertir com elaborados e aparentemente inúteis detalhes estatísticos. São essas pessoas que entendem as sutilezas da F1, que são capazes de entender e respeitar o valor de cada piloto ou equipe, que vagam pela internet à busca de informação detalhada e acurada sobre o esporte.

Como conseqüência de tão profundo interesse, são eles que criam e elaboram conteúdo paralelo ao fornecido pelos veículos de comunicação já consagrados, escrevendo sobre o esporte em blogs e que encontram-se em fóruns para discutir esses intrincados detalhes.

O outro grupo, maior e mais homogêneo, é aquele capturado pela voracidade da televisão ao redor do mundo. São, mais distintamente, “telespectadores”. Eles jamais construirão a sua rotina de final de semana em torno do grande evento da F1, a corrida. Jamais se disporão a consumir altas cargas de crua informação para discutir o esporte à exaustão após cada corrida. O grande apelo que mantém esse público atado ao esporte é, na maioria das vezes, o apoio a qualquer piloto (às vezes equipe) que com ele divida a mesma nacionalidade.

Para a FOM, companhia detentora dos direitos da F1, o público mais importante, não há muita dúvida, é esse, maior e mais homogêneo, mas menos crítico e hábil para perceber as sutilezas e detalhes do esporte.

A influência da TV e do público sobre a F1

No decorrer dos anos, a F1 tornou-se cada vez mais dependente do dinheiro proveniente dos direitos de exibição da TV. Não é raro que a procura da FOM por audiência comprometa a identidade da categoria e a deforme como esporte, tornando-a mais confusa. Não é coincidência, então, que décadas atrás, quando a influência desse público e da televisão eram menores, o esporte tinha regras técnicas mais consolidadas e estáveis.

A adoção do safety-car e do reabastecimento no início da década de 90, as sucessivas formatações da classificação, ou mesmo a recente e malograda sugestão na mudança do sistema de pontuação, são exemplos do esporte sofrendo mutações no decorrer dos anos em nome do espetáculo e da necessidade do telespectador por entretenimento.

Para esse público, o que importa é apenas a ação na pista, comprimida naquela quantidade de tempo, inserido dentro de uma grade de televisão imutável.

É para esse público que a FOM tenta formatar o esporte, usando como ferramenta a FIA, entidade que o gerencia, para injetar via regulamento doses maciças de entretenimento em suas veias.

Portanto, há um claro embate entre a integridade histórica da F1 como esporte, valorizada pelos fãs “hard-cores”, e sua viabilidade econômica, provida pelo público médio da televisão, fornecedor dos gordos pontos de audiência ao redor do mundo.

Nem sempre o desejo desses dois públicos é conflitante. De fato, na maioria das vezes, suas aspirações quanto à direção do esporte são convergentes. Às vezes, FIA e FOM tendem a subestimar a mentalidade do telespectador médio e a insultar a inteligência do educado entusiasta do esporte, tomando decisões unilaterais sem sustentação de dados reais provenientes de pesquisas.

A missão de FIA e FOM, então, é encontrar o equilíbrio que torne a F1 novamente um esporte íntegro, com regras claras e simples. Que mantenha, ao mesmo tempo, vivo o DNA histórico do esporte e lhe ofereça rentabilidade econômica na mesma proporção.

Será que Max Mosley e Bernie Ecclestone estão preparados para tal missão?

A FOTA pode ser a resposta

A FOTA, entidade representativa das equipes, parece ter a chave para manter tal equilíbrio. No início desse ano, a entidade liderada por Luca di Montezemolo fez razoáveis sugestões para uma reformulação da categoria que mantivesse sua identidade e também viabilidade econômica. O mais importante é que a FOTA baseou suas sugestões para a FIA em uma ampla pesquisa global de mercado feita em 17 países, indagando e sugerindo soluções ao próprio fã da categoria.

A Formula 1 é o esporte mais complexo que existe, que converge ao mesmo tempo a mais alta tecnologia e o elemento humano em um mesmo universo competitivo. Para mantê-lo vivo e saudável é preciso ter essa mesma perspectiva: tecnológica, humana e histórica.

Formula 1 estará na sequência de ‘Carros’ da Disney/Pixar

E eu meu filho somos absolutamente apaixonados pelo filme Carros da Pixar — tão apaixonados que não sei quantas vezes já assistimos ao filme juntos.

Para nossa alegria, a Pixar anunciou recentemente a sequência do filme, que será lançado em 2011. O “release” da produção sugere que Relâmpago McQueen competirá em um campeonato mundial através de cinco países e que envolverá os campeões de múltiplas categorias, como Rali, NASCAR e… sim, Formula 1. Continuar lendo

As biografias de Senna

biografias-de-senna(BIOGRAFIAS DE SENNA: muitas no mercado, mas poucas com qualidade)

Está no Tazio que o jornalista inglês, Christopher Hilton, um dos maiores especialista em Ayrton Senna no mundo, lançou “Senna: an Interactive Voyage”, mais um livro sobre o piloto brasileiro. O novo livro — que é o sétimo escrito por Hilton sobre Senna — é uma edição de luxo com documentos pessoais do piloto brasileiro, como cartas, itinerários de treinos e fotos inéditas.

Desses sete livros escritos por Hilton, apenas um foi publicado no Brasil, “Ayrton Senna — a face do gênio —”, lançado em 1992 pela Editora Rio Fundo. A edição que eu tenho em mãos é uma reimpressão datada de 1994, que eu suspeito ser um daqueles caça níqueis que buscaram faturar em cima da trágica morte de Senna.

Apesar da tradução sofrível — que transforma a curva Beckets de Silverstone em um piloto — e do descuido no projeto gráfico, esse é para mim um dos mais interessantes livros sobre Senna editado no Brasil. Primeiro por que a perspectiva do livro é estrangeira, o que não permite que o seu conteúdo seja contaminado pelo mito do herói nacional construído no Brasil. Segundo porque o livro é anterior a morte de Ayrton e isso nos permite perceber o impacto do piloto na categoria antes de sua morte e posterior canonização. O interesse sobre o livro recai na observação do quanto a trágica morte de Senna aparou as arestas das inimizades e rivalidades adquiridas durante a sua vitoriosa carreira.

O livro de Hilton não nos poupa de ver o quanto Senna era perseguido e criticado por imprensa, pilotos, dirigentes, torcedores e fãs de fora do Brasil. Nem a sua religiosidade era perdoada. Para se fazer uma analogia com os dias de hoje, era algo muito semelhante com o ocorrido com Lewis Hamilton em 2008. A imprensa inglesa achava Senna arrogante pelo seu veto “ao boa praça” Dereck Warwick, que seria o seu companheiro na Lotus em 86. Os tifosi o vaiavam pelas surras impiedosas que a Ferrari sempre tomou do brasileiro; e os pilotos não perdiam uma única oportunidade para acusá-lo de direção perigosa.

Claro, parte das acusações era o mais puro nonsense, motivada por inveja ou simples rivalidade. Senna não era a unanimidade e o semideus do automobilismo de hoje, e esse rancor contra ele no fundo era a verdadeira medida de sua grandeza e muito menos uma projeção real de seu caráter.

Outro livro obrigatório sobre o piloto é “Senna — o herói revelado —”, do jornalista brasileiro Ernesto Rodrigues. O projeto editorial gráfico do livro é, em uma palavra, primoroso. A pesquisa feita por Ernesto na construção do livro, criteriosa, detalhada e caprichosa. O texto é correto, sem imaginação ou estilo, mas serve bem como sustentação ao tema.

Fatalmente você perceberá que Ernesto não tem tanta intimidade com a complexa dinâmica do universo da Formula 1 e que o ponto forte do livro é mesmo a abordagem da vida de Senna no Brasil. Entre muitas histórias, Rodrigues aborda em detalhes a tempestuosa relação de Senna com Piquet e de como nasceu a tensa inimizade entre os dois; o culto à celebridade em torno do Ayrton herói do Brasil; e o impacto da sua morte na alma do brasileiro comum.

Em um dado momento da leitura você possivelmente se irritará com a insistência de Ernesto em provar que Senna não era gay — como sugeriu Piquet em tom de piada — enumerando uma série de casos amorosos do piloto. Aí talvez fosse o caso de uma abordagem mais científica, psicológica, da personalidade de pilotos introvertidos como Senna e não inflar algo que no fundo não teria tanta importância.

Há muitas biografias de Ayrton Senna no mercado, mas se você deseja relembrar e pôr em perspectiva a carreira de um dos maiores mitos da Formula 1 e de toda a história do automobilismo, esses dois livros são essenciais e complementares.

O de Ernesto Rodrigues você encontrará em qualquer boa livraria no Brasil, o de Christopher Hilton apenas importando ou tendo a sorte, como eu tive, de encontrá-lo empoeirado em um sebo qualquer de sua cidade.

%d blogueiros gostam disto: