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Barganha entre Briatore, Symmonds e FIA deixa ‘Nelsinhogate’ sem punidos

Não é preciso nenhum jurista para nos esclarecer que a barganha feita entre a FIA e os ex-chefes da Renault, Flavio Briatore e Pat Symmonds, significa que, em certa extensão, os dois saíram até vitoriosos do maior escândalo da história da F1 — o “Nelsinhogate”.

Há uma admissão de culpa textual dos dois ex-dirigentes — apenas no âmbito da responsabilidade gerencial — mas é tudo parte do jogo de cena para que o processo não se tornasse uma indefinida, interminável e arrastada luta na justiça comum francesa. Continuar lendo

Ferrari ataca Max Mosley, o ex-presidente da FIA

O departamento de relações públicas da Ferrari atacou de novo hoje: em um longo e bem escrito comunicado publicado no seu site, a equipe mais tradicional da Formula 1 ironiza os esforços de Campos, USF1 e Stefan GP, equipes postulantes a duas vagas no campeonato de 2010. Continuar lendo

Por que Jean Todt jamais deveria ser Presidente da FIA

FOTO: Ferrari/Divulgação todtpresident(TODT: em qualquer entidade séria, sua conflituosa candidatura jamais seria levada a sério)

Eu tendo a encarar com muito ceticismo os comunicados e manifestações públicas da FIA. São peças de pseudo-sofisticação burocrática, cheias de presunção, mas que carregam um mar de cinismo em suas linhas.

Vejam, por exemplo, o último comunicado que condena às acusações feitas por Ari Vatanen quanto ao uso da máquina da FIA por Jean Todt em sua campanha: a Fundação da FIA — que não deve ser nada mais que outro braço de poder Max Mosley dentro da entidade — rebate as acusações de Vatanen e alega que as acusações do ex-piloto são falsas.

As acusações de Vatanen, no entanto, são baseadas em um artigo da Revista Autosport, algo pelo qual o site da revista justifica como “não verdade” no pé dessa página AQUI.

Mas o que a FIA — ou Max Mosley — deveriam explicar é como Jean Todt, que jamais será modelo moral para liderar uma entidade com penetração e papel Global da FIA, foi permitido concorrer à presidência e  ter o apoio público do atual presidente quando há uma série de conflitos de interesses ligados à sua candidatura.

Todt já decidiu através do “cara ou coroa” qual dos seus dois pilotos seria permitido vencer; levou o termo “jogo de equipe” às últimas conseqüências na Ferrari (o que obrigou a entidade a banir tal ação em seu regulamento); levou a mesma FIA à corte por discordar do banimento de uma perigosa categoria de Rali na qual a Peugeot havia investido alto; E desligou-se de uma equipe que foi continuamente acusada de ser favorecida pela FIA ao longo dos anos.

Todt não tem os valores morais e integridade os quais a FIA finge resguardar quando pune um piloto por mentir frente aos comissários. Ele é apenas um executivo ultra-competente sem qualquer consciência ou entendimento dos valores e ética contidos em um esporte.

Durante anos, equipes, organizadores e fãs de Formula 1 agüentam a arrogância, a beligerância e os desmandos autocráticos de Mosley. A única plataforma na campanha de Jean Todt até agora foi a pr0messa de continuar o “maravilhoso” trabalho de Max. Talvez não ocorra a Todt que a comunidade em volta da F1 está cansada exatamente disso.

Ari Vatanen é a mudança e o meu insignificante apoio vai para ele.

Como Max Mosley entrincheirou-se no poder

IMAGEM: jamd.com maxentrincheirado(MAX POR CIMA: ele estruturou a FIA para perpetuar-se em seu topo indefinidamente)

Jonathan Noble, o onipresente e competente repórter da Autosport, faz hoje uma preciosa análise de como se dará o processo de sucessão à presidência da FIA em outubro próximo. A análise é preciosa e eu recomendo a leitura.

Depois de acabado o texto de Noble, você descobre como Max Mosley transformou a eleição para presidente da FIA em um emaranhado processo com várias camadas e sub-camadas de complexa e rebuscada burocracia.

Para isso Mosley transformou a FIA em um clube fechado, introduzindo em 2005 um mecanismo sob o qual cada candidato precisará estabelecer um gabinete de 22 membros de dentro da FIA — aí incluindo membros da alta cúpula da entidade —, formando uma equipe sob a qual esse nome deverá ter a sua candidatura apoiada.

Formados os feudos dentro da própria FIA, nenhum desses membros poderá apoiar dois candidatos ao mesmo tempo, o que deixa um desafiante novo no clube — como no caso de Ari Vatanen — com membros menos influentes em seu gabinete. Se Max não concorrer à eleição, quem receber o seu apoio— por acaso o maquiavélico e detestado Jean Todt — quase que certamente herdará muito da sua influência e poder, transformando-se imediatamente no favorito ao cargo.

O fato explica porque a FOTA exigiu que Mosley permanecesse fora da próxima eleição, já que a forma como ela está estruturada hoje beneficia o atual presidente e sua corja.

Não é por acaso, portanto, que Bernie Ecclestone tenha feito um elogio entusiasmado dos regimes totalitários no último domingo. Assim como nas republiquetas de bananas que têm suas constituições reescritas a cada cinco anos por seus ditadores, o seu amigão Mosley pretende perpetuar-se no poder indefinidamente — para isso transformando a FIA em uma instituição quase que impenetrável.

Ari Vatanen desafiará Max Mosley pela presidência da FIA em Outubro

IMAGEM: mtv3.fi arivatanen(ARI VATANEN atende às preces dos fãs de F1 e pretende concorrer à presidência da FIA)

Ao que parece, alguma preces foram atendidas e agora à noite pingou no site do Guardian a boa nova de que o ex-campeão mundial de Ralis, o finlandês Ari Vatanen, de 57 anos, pretende candidatar-se à presidência da FIA e poderá enfrentar o ainda indeciso e imensamente impopular Max Mosley.

O ex-campeão mundial de Ralis está nesse momento consultando os membros dos clubes de automobilismo ao redor do mundo para ver a viabilidade de sua candidatura. Ainda que sem a certeza clara de vitória, Vatanen considera levar adiante sua candidatura.

Tradicionalmente a FIA tende a eleger como presidente membros internos, homens inseridos dentro da dinâmica da entidade, como por exemplo o americano Nick Craw, mas Vatanen tem um belo currículo não apenas como piloto, mas também como experiente político.

O finlandês tem uma expressiva atuação de dez anos como membro do Parlamento Europeu, experiência e prestígio que seriam imensamente bem vindos para a hoje desprestigiada posição de presidente da FIA.

Suspeitas de corrupção dentro da FIA vão crescendo…

IMAGEM: gpweek.com booth(JOHN BOOTH: o homem que já foi chefe de equipe de Lewi Hamilton revela o papel de Nick Wirth na nova Manor Grand Prix)

Para os brasileiros as suspeitas de corrupção da Federação Internacional de Automobilismo, a FIA, talvez não seja grande novidade, mas para padrões Europeus, talvez esteja chegando a um limite. Anos atrás, A FIA, e a própria FOM de Bernie Ecclestone, já se indispuseram com a Comissão Européia— órgão executivo da União Européia responsável por legislar e implementar decisões entre estados. Seria interessante que as recentes manchetes protagonizadas por Ecclestone e Mosley, chamassem a atenção novamente do órgão.

Na última semana, por exemplo, o The Guardian descobriu indícios seguros de que Alan Donnelly — braço direito de Mosley e chefe dos comissários — agiu nas sombras para ajudar a Manor Grand Prix — de propriedade de ex-sócio de Mosley — a obter patrocínio e adentrar a F1 em 2010.

Se alguém ainda tinha dúvida do papel do ex-sócio de Mosley na Simtek, o seu atual parceiro na Manor Grand Prix, John Booth, esclarece muito bem na GP Week dessa semana:

Tudo começou a seis ou sete semanas atrás quando encontramos pela primeira vez Nick Wirth, que é a parte mais importante nessa empreitada. Nós nos conhecemos através de um amigo comum e partimos daí. […] O papel de Nick é completo. Nossa situação é bem diferente de Campos e Dallara, por que Nick é o maio acionista na Manor Grand Prix. Há uma confusão em se pensar que Nick seja apenas o projetista do carro, mas ele é parte integrante dessa nova entidade chamada Manor.

— John Booth, sócio de Nick Wirth na Manor Grand Prix

Portanto, Nick Wirth, ex-sócio de Max Mosley é na verdade o proprietário real da Manor, como Booth, gentilmente, nos esclarece.

Se isso não fosse o bastante, mais um episódio veio à tona hoje. Segundo o Daily Telegraph, a FIA impôs às novas entrantes o uso compulsório dos motores Cosworth para que elas competissem em 2010.

É bem provável que a Cosworth esteja de gaiata na história, que cheira a uma manobra para enfraquecer o papel das grandes fábricas na F1, mas o Pitt Pass já sugeriu que a FOTA talvez obrigue a FIA a reavaliar o processo de escolhas das novas equipes para 2010, obrigando a entidade a começar tudo do zero.

Observando-se toda a sujeira que surge a cada dia nos jornais, seria algo altamente aconselhável.

Jornal inglês também levanta suspeitas sobre conflito de interesses na escolha da Manor Grand Prix

FOTO: F1 Racing Magazinedonnelly (O CONTROVERSO ALLAN DONNELY [o 3º da esquerda para a direita] liderando os comissários)

Como fez este humilde blog há semas atrás, o The Guardian também levanta suspeitas sobre escolha da Manor Grand Prix para competir com equipe de F1 na próxima temporada. Clique AQUI e saiba mais sobre a matéria no jornal inglês.

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Sobre o reabastecimento em 2010

FOTO: McLaren /Divulgação refuelling(REABASTECIMENTO: fontes dentro da FOTA apontam como certo o banimento em 2010)

A Autsport confirma hoje o que eu já desconfiava: o reabastecimento será mesmo banido em 2010 — algo que ficou confuso após o comunicado da FIA de que todas as regras para 2010 haviam sido revogadas permanecendo as mesmas de 2009.

O comunicado oficial da FIA após o acordo entre Max Mosley e FOTA dizia que:

“Não haverá campeonato alternativo e as regras de 2010 em diante serão as de 2009 acrescidas das regras em comum acordo de 29 de Abril de 2009.”

Eu esperei um anúncio oficial da FIA que ainda não veio, mas segundo a Autosport fontes dentro da própria FOTA confirmam que “haverá alguns ajustes que precisam ser aceitos de forma unânime. Estes ajustes referem-se ao reabastecimento e alguns outros poucos itens e estarão completos nas próximas semanas.”

Sobre Mosley

As declarações públicas de Max Mosley nos últimos dois dias são sinais claros de um explosivo coquetel que envolve uma avançada senilidade  e uma monstruosa ego mania.

Max não aceita o tom triunfal da FOTA após a resolução do impasse que deixou em suspense o mundo da Formula 1 por meses. E, ao invés de como aqueles grandes mastodontes à beira do fim, recolher-se digna e solenemente ao esquecimento, insiste em assombrar a F1 com cartas públicas contra a FOTA, especialmente direcionadas a Luca di Montezemolo, presidente da entidade e hoje um herói celebrado na Itália.

O que me surpreende é que conhecendo muito bem Max, talvez os membros da FOTA devessem ter mantido um certo low-profile após o anúncio do acordo. A declaração de Montezemolo de que “não haverá mais ditadura na F1”, dado o passado fascista da família de Max, pode realmente ser interpretado como afronta a um homem orgulhoso como ele, muito longe de deixar as picuinhas na imprensa de lado em nome de qualquer atitude mais magnânima.

Max pode estar senil, mas a FOTA deveria comemorar apenas depois da eleição para Presidente da FIA em Outubro próximo.

A vitória é da FOTA, mas Max Mosley deixa o seu legado na história da Formula 1

FOTO: JAMD.commaxmosleylegacy(MAX e sua ditadura vão embora: mas ele deixa um legado na história de todos os presidentes da entidade )

Hoje teve a fim a arrastada batalha de meses entre Max Mosley e as equipes de Formula 1. Max Mosley capitulou e acolheu a inscrição das equipes aceitando suas condições — a Renovação do Pacto de Concórdia e a permanência dos regulamentos técnico e esportivo de 2009. Como Prêmio, a entidade liderada por Luca di Montezemolo conseguiu a promessa de afastamento do próprio Max Mosley em definitivo do comando da FIA e de qualquer envolvimento nas futuras decisões da entidade.

Em reciprocidade, as equipes de Formula 1 estarão obrigadas a oferecer suporte técnico às novas entrantes e reduzir drasticamente o atual orçamento em comum acordo.

Em comunicado a FOTA proclamou vitória. Max Mosley também. Se refletirmos é possível enxergar que Max conseguiu parte de seu intento inicial ao levar as equipes ao limite: reduzir custos e dar oportunidade a novas equipes no clube fechado da F1.

Mas se observamos que como reação as imposições de Max as equipes se uniram e criaram a FOTA, é possível declarar que, ao fim, as equipes venceram essa que foi a mais dura batalha pelo comando da Formula 1 em toda a sua história.

As equipes permaneceram atadas a um grande objetivo, mesmo tendo duros percalços — como a crise dos difusores — no caminho.

Mas grandes vitórias — como a que fez a FIA rever o sistema de pontuação de medalhas para pontos novamente — foi a real prova de que Max, no seu intento em ditar regras ao invés de negociá-las, criou um monstro que foi crescendo, vencendo batalhas menores e que culminou com a total capitulação do Presidente da FIA hoje.

Max tem o seu prêmio: a sensação e mérito de que deixou o grande legado na história de todos os presidentes da FIA — as medidas de segurança e a redução de custos —, mas deixou no rastro de caminhos tortos as equipes mais poderosas e aglutinadas sob a sigla da FOTA, capazes de agora lutar indefinidamente por sua própria liberdade e identidade da própria Formula 1.

Bernie Ecclestone — que certamente teve papel fundamental nesse novo pacto — é o próximo alvo.

Paz em curso na Formula 1?

É o que reporta a Autosport em seu site nesse momento. Segundo o site as equipes de Formula 1, Bernie Ecclestone — detentor dos direitos da marca F1 — e a Federação Internacional de Automobilismo, FIA, chegaram a um acordo depois de uma reunião entre essa madrugada e manhã da Europa que tinha como objetivo solucionar a crise atual.

Como parte da barganha, Max Mosley não estenderá a sua reeleição — fato já dado como certo por ele mesmo no início dessa semana — e as equipes assinarão um novo Pacto de Concórdia com validade até 2012.

Falando para a Autosport, Max afirmou que houve um comum acordo entre a FIA e as equipes na redução de custos e, como resultado, não haverá cisão entre a entidade e a FOTA, entidade representativa das equipes:

Concordamos em reduzir custos. Haverá um campeonato de Formula 1, mas o objetivo é atingir os níveis de orçamentos do início da década de 90.

— Max Mosley

De acordo com a Autosport, a FIA anunciará a lista das equipes para o campeonato de 2010 ainda esta tarde.

No decorrer do dia, mas detalhes certamente emergirão desse acordo que põe paz em um confronto que quase levou ao fim da Formula 1 como a conhecemos. Com os detalhes, poderemos, afinal, ter uma melhor perspectiva de quem ganhou ou perdeu nessa barganha que ditará também os rumos da Formula 1 pelo menos nos próximos quatro anos.

Marca Ferrari mais valiosa que Formula 1 e o envolvimento de Ron Dennis na nova categoria

FOTO: McLaren/Divulgação rondennis(RON DE VOLTA? Sem Max Mosley a azucriná-lo, Ron estaria de volta para dar uma mão na nova categoria)

Estará Ron Dennis envolvido na estruturação da nova categoria? Pelo menos é uma interessante conjectura feita hoje por James Allen em seu blog. Segundo James, “um dos diretores da Ferrari lamentou o afastamento de Dennis da FOTA pela contribuição do ex-chefe da McLaren na causa da entidade”. Segundo muitos “insiders”, Dennis era a real força estratégica por trás dos passos da FOTA. O movimento de Max, então, em pressionar por um afastamento definitivo de Ron da F1, objetivava também enfraquecer as operações da FOTA.

Se essa cisão tiver potencial para realmente cristalizar-se, é muito provável o ressurgimento da figura de Dennis nesse novo cenário. Ninguém conhece mais o negócio F1 entre os dirigentes de equipes que lideram essa recente revolução que Dennis, e sua ajuda seria vital para formatar essa nova categoria.

A situação nesse momento é de expectativa quanto ao que decidirá a reunião do Conselho Mundial de Automobilismo na próxima quarta-feira. Um dia depois, já ciente do que decidiu a FIA, a FOTA se reunirá com o planejamento da nova categoria pré-agendado como pauta principal. Se confirmados os rumores de que Max desistiu de acionar as equipes legalmente, é provável um forte recuo da entidade na mesa de negociações, mesmo que isso não seja o suficiente para fazer a FOTA recuar do seu intento em pular do barco da FIA.

Marca Ferrari mais valiosa que marca F1

Para quem ainda duvida do poder da FOTA e da Ferrari — o seu principal membro — o Lucas postou um link muito interessante que ilustra o real prestígio e valor das duas marcas no universo comercial esportivo mundial. Segundo a revista inglesa SportsPro — especializada em Marketing Esportivo — a Ferrari ocupa a 7ª posição como a marca mais valiosa no mundo em termos esportivos, valendo US$1.55 bilhão. A Formula 1 sequer aparece entre as dez primeiras colocadas.

A equipe italiana, óbvio, já fez alarde da matéria da SportsPro em seu site. Mosley, afinal, precisa saber disso…

Quem você apóia: Max Mosley ou FOTA?

FOTO:: zimbio.commaxmosley(MAX FALA: ainda hoje, Mosley reagiu à decisão da FOTA ameaçando as equipes com ações legais. Não seria hora de conversar?)

Flávio Gomes escreveu um post incendiário em seu blog apoiando, com algumas reservas diga-se, as posições de Max Mosley na introdução de um teto orçamentário e um confuso e polêmico regulamento bi-partido — que tornou-se a maior razão da cisão entre as equipes de Formula 1 e a Federação Internacional de Automobilismo, a FIA.

O resultado é que parte dos leitores de Flavio “caíram de pau” no veterano jornalista e blogueiro. E o pior, parte da discordância transformou-se em uma espécie de júbilo e revolta contra Max Mosley — o grande culpado pelo impasse que divide a Formula 1 nesse momento.

Um dos leitores do jornalista, o Fernando, fez o seguinte comentário:

Agora consegui entender sua paixão pelos carros russos. Sua paixão, na verdade, é por governos e administrações autoritárias e ditatoriais… Um tanto quanto fora de época, é de se observar, haja vista que a tendência mundial é por administrações cada vez mais descentralizadas e democráticas.

Até concordo com a sua opinião de que quem não está satisfeito com as regras impostas que se retirem. Só não entendo a sua fúria contra as equipes que manifestaram a intenção de sair, eis que estão apenas exercendo o seu direito de aceitar ou não as imposições.

A não ser que o senhor entenda que elas são obrigadas a aceitar caladas tais imposições, o que seria o ápice do autoritarismo. Em suma, da mesma forma que o Max Mosley, no seu entender, tem o direito de ditar as regras, as equipes tem o direito de não acatá-las e não disputar o campeonato.

E o fato de haver contratos garantindo a presença de determinadas equipes até 2012 não tem o condão de obrigá-las a disputar o campeonato, uma vez que somente o Estado tem o poder de coação.

Ao que se sabe, a FIA não tem personalidade jurídica de pessoa política, não é Estado. E, assim, em se tratando de relações privadas, havendo descumprimento contratual resolve-se em perdas e danos, se for o caso. Ou seja, é impossível coagir as equipes a participarem do campeonato de 2010. É assim que funcionam as relações privadas.

— Fernando, leitor do jornalista Flávio Gomes

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Há pouco a se comentar no articulado e inteligente comentário de Fernando, a não ser que ele entende perfeitamente a dinâmica do que acontece no momento. Se Flávio parece pró-Max, Fernando é claramente pró-FOTA.

A pergunta então fica com vocês: quem vocês apóiam nessa cisão que pode destruir a maior categoria do automobilismo: Max Mosley ou a FOTA? Vote na enquete, mas expresse a sua opinião também, ela é muito bem vinda na sessão de comentários.

Sobre os nonsenses de Max Mosley antes da decisão de amanhã

FOTO: Mark Thompson/Getty Image maxout(Max Mosley: ele tomou a FIA para si como objeto de suas vendettas pessoais, pondo em risco o futuro da F1)

Amanhã, finalmente, saberemos quem vence a guerra política em que a F1 está envolvida há meses. Ninguém — de pilotos a dirigentes, passando pela imprensa — sabe o que acontecerá, o que dá uma medida dessa que já é a maior crise pela qual a categoria passou em quase 60 anos de existência.

Sintéticamente, a FOTA —Associação das equipes de F1 — não deseja mais ver Max Mosley ocupando a cadeira de Presidente da FIA e se entrincheirou juridicamente para empacar qualquer tipo de negociação saída da mesa de Mosley.

Nos últimos dias Max divulgou pela imprensa especializada uma série de comunicados com o objetivo de desacreditar a FOTA mas que só expõe ainda mais o seu estilo de gestão: ditatorial e autocrático, com um pé na senilidade se considerarmos a amnésia auto-indulgente. Seus comunicados não resistem a uma breve ponderação:

— Max acusou a FOTA de tentar tomar para si os direitos comerciais da FOM e o comando técnico da F1 da FIA quando Bernie, e ele mesmo, Max, já fizeram isso há muito tempo.

— Max nos relembra da importância de ter uma entidade imparcial regulando o esporte quando ele, Max, deu a Ferrari o direito de vetar mudanças técnicas.

— Max ilustra a atual crise financeira e a partida da Honda como razão para impor um teto orçamentário, quando no período de sua gestão mais de 20 equipes deixaram a F1, inclusive a sua Simtek.

— Max deixa claro que sua intenção é oferecer sobrevida a F1 por meio de novas equipes, mas é inexplicável que deixe as bem estruturadas Lola, Prodrive e Epslon Euskad de fora em nome da humilde Mano Grande Prix, equipe de um ex-sócio seu.

— Max acusa as equipes de pularem no pescoço da Brawn por conta do difusor quando foram as regras mal redigidas pela turma de Max que causou toda celeuma.

Esqueçam as incongruências dos pré-releases de Mosley e observem que na negociação entre as duas entidades, Max não abre mão sequer um milímetro do que ele pensa ser o certo. E esse é problema quando observamos o fracasso de algumas medidas adotadas por ele e seus asseclas em um passado longínquo e recente, como: a adoção do KERS; a adoção de pneus raiados; a adoção do reabastecimento; o fatídico GP dos Estados Unidos em 2005; e a venda dos direitos da F1 para a FOM por uma bagatela.

Tudo isso só feriu o esporte, a competição e as equipes, as verdadeiras estrelas do show. Ninguém jamais pôs a F1 em perigo quanto o próprio Mosley.

Não sei o que ocorrerá amanhã (ninguém sabe, afinal), mas se olharmos com uma certa perspectiva histórica e alguma racionalidade, uma outras categoria, livre de Max Mosley e de Bernie Ecclestone, já não parece tão ruim assim.

A única solução é derrubar Max

(Imagem: Getty Image) maxfora(FORA: Para um bem comum e futuro do esporte, Max precisa deixar a FIA)

A FIA enviou à imprensa hoje um extenso comunicado detalhando o vai-e-vem de suas negociações com a Associação das Equipes de F1, a FOTA. Para ser bem sintético — pois eu já não agüento mais essa luta política sem fim — Max Mosley acusou a FOTA de obstruir quaisquer negociações entre as duas entidades com o objetivo de tomar para si o comando regulatório e financeiro da categoria.

Em outras palavras: bullshit!

A FOTA deseja — o que não é segredo para ninguém — é finalmente ver-se livre, especificamente, de Max Mosley e de seu estilo de gerenciamento confrontador, marcial e autoritário.

Já toquei no tema, mas não custa relembrar que a FOTA precisa do prestígio da FIA, mas dispensa Max. A entidade deseja, como já comunicou inúmeras vezes, uma governança mais estável e cooperativa do esporte e, óbvio, mais lucrativa para quem nele investe rios e mais rios de dinheiro.

Para o veterano jornalista Joe Saward, a derrocada da McLaren foi um laboratório perfeito para que as companhias, donas das equipes, entendessem o que significa confrontar Max Mosley. Do prazer em ver a poderosa equipe de Ron Dennis de joelhos, sobreveio o medo de abrir a sua contabilidade, finanças e balancetes e cair no mesmo abismo, arriscando o pescoço e seu prestígio por apenas investir e competir na F1.

De plataforma para desenvolvimento de seus produtos e exposição do valor de suas marcas, as equipes se vêem temerosas em serem vítimas da onipotência de Mosley, que pode jogar o prestígio construído em décadas na lata do lixo em dias — exatamente como foi o caso da McLaren.

A cada dia parece que só há uma saída para toda essa confusão e ela depende, essencialmente, da saída de Max Mosley da presidência da FIA.

Será que houve conflito de interesses na escolha da Manor Grand Prix?

Manor Grand Prix(CDG: Projeto de Nick Wirth, designer da novíssima Manor Grand Prix e também sócio de Max Mosleyna antiga Simtek)

Não há muita dúvida de que a grande surpresa na lista da FIA é a presença da Manor Grand Prix e ausência de companhias que, por sua bem fundada estrutura, tinha quase certa a presença na F1 no ano que vem. Segundo o seu chefe John Booth, a equipe tem hoje uma estrutura que excede as necessidades da F3 e já tem um carro projetado para usar os motores Cosworth.

Mas a pergunta no ar é: “quem raios é a Manor Grans Prix? Portais de automobilismo estão nesse momento informando o mais óbvio sobre a equipe: que foi fundada pelo ex-piloto britânico John Booth e que fez Lewis Hamilton campeão na F3.

O importante, no entanto, não é John Booth na equação, mas o designer da equipe, Nick Wirth.

Wirth tem uma relação muitíssimo próxima de Max Mosley iniciada quando o engenheiro/designer trabalhou na antiga March, que tinha Max como um dos sócios. Quando a March foi vendida para Akira Akagi da Leiton House em 1989, Nick foi indicado a Max por Mark Herd, filho do proprietário da March. Naquela época, Max procurava um sócio com background técnico para investir em alta tecnologia para esportes a motor e encontrou em Wirth o parceiro ideal. Dessa união surgia em agosto de 1989 a Simtek Research Ltd (acrônimo de Simulation Technology) que depois também tornou-se equipe de F1 entre 1993 e 1995.

Por meio das relações de Max dentro do mundo da F1 e do automobilismo em geral, a Simtek chegou a ter clientes importantes, como a Ligier e a BMW, para quem, segundo rumores, a companhia chegou a desenhar um carro para um projeto que não seguiu adiante.

Mas o projeto mais “interessante” de Nick Wirth, foi mesmo a CDG (Centreline Downwash Generating), a proposta pessoal de Max Mosley para as regras que pretendiam estimular mais ultrapassagens na F1 (a imagem aqui acima que ilustra esse post). Depois de testes em túneis de vento chegou-se a conclusão de que a idéia estava condenada e como consequência temos essa aerodinâmica atual dos carros de 2009, que foi de fato científicamente pesquisada e desenvolvida pelas próprias equipes de Formula 1.

Tenho absoluta certeza de que a Manor Grand Prix e Nick Wirth não nos brindarão com uma ideia tão “inovadora” quanto essa asa traseira no seu projeto de 2010, mas resta a dúvida sobre quais fundamentos Max Mosley aprovou a sua inscrição tendo-se em conta a aparente sustentabilidade de Epsilon Euskadi e Prodrive.

A solução ‘Mercedes-Benz’ para o imbróglio entre FIA e equipes

(IMAGEM: McLaren/Divulgação) mercedes(McLaren/Mercedes: finalmente a chance de ilustrar algum post com o lindo e lento MP4/24)

A Mercedes-Benz vem a cada dia estendendo positivamente a sua poderosa influência sobre a Formula 1. A gigante fabricante de carros alemã hoje fornece motores para duas equipes e é dona de outra. Sem a Mercedes, o nascimento e sucesso da Brawn jamais seriam possíveis, e mesmo quando o comando inglês da sua parceira McLaren se viu em apuros, a Mercedes jamais abandonou a equipe e ofereceu suporte público e privado.

Hoje, o TIMES tem mais uma história que ilustra bem o papel de apaziguador e farol que a Mercedes assumiu em uma categoria rachada por brigas e políticas e contendas legais.

Segundo o TIMES, Norbert Haugh, vice-presidente da divisão de esportes da companhia, pode ser o homem a resolver o imbróglio no qual a F1 anda metida nesse momento — a imposição de um teto orçamentário que pode estimular a saída das grande fábricas da categoria.

A Solução de Norbert é simples: seria permitido a todos consumirem até US$ 160 milhões, tendo que, em contrapartida, auxiliar com “know-how” técnico as novas equipes que pretendem entrar na F1. O modelo tem clara inspiração na parceria entre McLaren e Force India.

Esse acordo seria prolongado até 2012, período utilizado para que as equipes se adaptem e finalmente possam operar sob o teto determinado pela FIA hoje, US$ 72 milhões.

Segundo o TIMES, o plano de Norbert tem o consentimento de Max Mosley, principalmente por que permite sobrevida à categoria com a entrada de novas equipes — mesmo que os gastos não diminuam imediatamente.

E vocês, o que acham do plano de Norbert Haugh e da Mercedes-Benz?

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ATUALIZAÇÃO: A Autosport confirma que as negociações seguem nessa direção ditada pela matéria do TIMES:

  1. Os orçamentos seriam reduzidos de forma gradual: US$ 160 para 2010 e US$ 72 milhões para a temporada seguinte.
  2. O suporte técnico às novas equipes estaria centrado em partes padronizadas dos carros e que não fossem diferenciais de performance.

Reunião entre FOTA e FIA acaba sem acordo

Apesar de “construtiva”, nas palavras de Lucia de Montezemolo, a reunião entre FIA e FOTA acabou inconclusiva e sem um acordo definitivo.

O que podemos inferir por “construtivo” é que equipes e FIA podem ter feito concessões, acomodado objetivos e traçado metas para serem concluidas em próximas reuniões.

A única novidade pescada pela imprensa presente é quanto a continuidade da Toyota no próximo ano. Segundo James Allen, a companhia japonesa pode ter nas novas regras um pretexto razoável para finalmente deixar o esporte.

Esperem mais reuniões nos próximos dias, pois a data final para inscrever-se para a temporada de 2010 encerra-se daqui a 7 dias.

Sexta-feira de decisões políticas em Mônaco

f1 meeting flavs boat

União, este foi, até aqui, o produto mais importante saído da reunião protagonizada hoje por todos os chefes de equipe no “Blue Force”, super iate de Flávio Briatore. Dessa reunião saiu uma proposta/resposta da FOTA endereçada a Max Mosley e FIA que será apresentada ao fim do dia.

A Ferrari, claro, está provando hoje da maquiavelice de Max Mosley e, por tabela, também da de Bernie Ecclestone, que ameaça a equipe de Felipe Massa com uma ação legal caso ela debande da categoria. A advertência de Bernie, ao mesmo tempo, pode ser o temor e um sinal de que a ameaça da Ferrari é muito mais séria do que se possa imaginar.

E isso pode ser confirmado pelo burburinho de hoje, quando percebemos a imposição que as obrigações contratuais exercerão sobe a decisão da FOTA ao fim do dia.

O Santander expressou otimismo com a possibilidade de um acordo entre FOTA e FIA, resposta polida se comparada com o comunicado beligerante da RAI, emissora italiana que transmite a F1 para a terra da Ferrari: “Se a Ferrari deixar a F1, junto com as outras fábricas, então eu posso garantir a você que a RAI e mais todas as companhias de TV irão agir legalmente para rever nossos contratos.”

A expectativa de todos, claro, é que já haja um acordo bem costurado entre as equipes nos bastidores e que a reunião sirva para fechar publicamente esse acordo, o que definitivamente provaria a influência soberana de Luca di Montezemolo sobre a FOTA.

Com ele em campo, a entidade parece muito mais forte e coesa.

Max Mosley mentiu. Ele deveria ser punido como foi Lewis Hamilton?

(IMAGEM: jamd.com) mosley e donnelly(MAX e ALAN DONELLY: como se puniria a mentira do presidente da FIA?

Há um mês atrás a FIA provou de forma cabal que Lewis Hamilton tentou ludibriar os comissários do GP da Austrália após uma confusa troca de posições entre o piloto da McLaren e o da Toyota, Jarno Trulli, sob um período de safety-car. Lewis foi exemplarmente punido pela FIA, pagou a penitência de ser humilhado publicamente ao sentar-se em frente à imprensa mundial e pedir desculpas e correu, segundo alguns, risco de ser banido da temporada.

Hoje, foi revelado no blog do jornalista do TIMES, Ed Gorman, que Max Mosley, logo após o pacto da concórdia de 2005, mentiu ao afirmar “que nenhum equipe signatária do novo regulamento, que valeria até 2008, tivesse qualquer influência sobre estas novas regras.”

A Ferrari — e parte do público interessado em uma Formula 1 politica e econômicamente mais estável — certamente lamentou que houvesse sido negado à equipe italiana o direito legal a bloquear as novas regras, mas o que a corte francesa provou é que o tal veto contratual existe.

Lewis Hamilton foi crucificado publicamente por um erro que decerto haveria de responder, mas é difícil engolir a moral dupla de Max Mosley e da FIA quando é justamente através de mentiras que eles tentam ludibriar torcedores e fãs da categoria ao redor do mundo.

Para usar as próprias palavras de Mosley em seu comunicado oficial de ontem, “ele colocou os interesses da Ferrari acima dos interesses do esporte no qual a equipe compete.”

Sob a luz dessa matéria de 2005 que prova que Max mentiu, qual a punição que você acha que seria justa para o presidente da FIA?

Ferrari pode perder batalha hoje, mas guerra estará longe de terminar

(IMAGEM: Katrox, no Flickr)ferrari enzo(Prédio onde localiza-se a FIA na Place de la Concorde, Paris: “Fantasma” do capo Enzo rodeia as ambições de Max Mosley)

ATUALIZAÇÃO:

Segundo a Autosport, a decisão da corte francesa em acatar a injunção feita pela Ferrari será conhecida apenas ao fim dessa semana, mas se acolhida a ação legal da equipe italiana, as regras e o campeonato de 2010 estarão mergulhados no mais completo desconhecido com a perspectiva de que tenhamos a regras de 2009 perpetuadas em 2010. Por tabela, haverá algum grau de satisfação em uma derrota de Max, o que abriria espaço para finalmente demovê-lo do poder.

Se Max vencer, as esperanças não estarão definitivamente perdidas. A Ferrari ainda terá munição para vencer a contenda, mas em uma esfera superior à da corte francesa: a Comissão Européia — órgão executivo da União Européia responsável por legislar e implementar decisões entre estados.

O site Pitpass relembra que em um comunicado datado de outubro de 2001, a Comissão Européia esclareceu o real papel da FIA no que concerne o campeonato de Formula 1 e outras categorias — papel que limita-se a regulamentar a F1 esportivamente, sem que possa haver qualquer conflito de interesses comerciais em suas decisões.

A decisão de impor regulamentos que influam sobre orçamentos ou em áreas que interfiram sobre o negócio primário das equipes, viola o conceito básico dessa legislação.

O próprio Max Mosley, em um comitê que investigava patrocínios advindo da indústria tabagista, esclareceu que “a dificuldade é que estamos lidando com entidades comerciais a quem eu devo persuadir. Podemos ditar e dizer como se procede em regras [esportivas], em itens esportivos como segurança, mas não em itens que iriam interferir em suas relações comerciais.”

O resultado é que Bernie Ecclestone, preocupado com os interesses comerciais de seus parceiros, já contemporizou e baixou a guarda ontem:

Acho que a coisa mais importante e que irritou todos, foi esses dois corpos de regras técnicas, então eu acho que não deveria haver isso. Deveríamos ter apenas um corpo de regras. Sempre achei que era algo um pouco estúpido, foi importante livrar-se disso.

Portanto, não se preocupe se amanhã a Ferrari sair derrotada de sua ação legal contra a FIA, ela ainda tem munição para levar essa batalha às últimas conseqüências.

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